sábado, 30 de março de 2013

Pesquisadores criam formigas-robô que reproduzem comportamento de colônias

Tecnologia    VEJA

Pesquisadores criam formigas-robô que reproduzem comportamento de colônias

Os micro-robôs se deslocaram por um labirinto utilizando os mesmos mecanismos de orientações dos insetos

Alice
As formigas robóticas Alice: micro-robôs em forma de cubo de aproximadamente 21 milímetros (Divulgação)
Pesquisadores conseguiram reproduzir o comportamento de uma colônia de formigas utilizando robôs em miniatura em forma de cubos com cerca de 2 centímetros, batizados de Alice. O estudo, publicado no periódico PLoS Computational Biology, procurava entender como as formigas se orientam nos diversos túneis criados por elas, que formam verdadeiros labirintos que ligam o ninho até as fontes de alimento.

CONHEÇA A PESQUISA

Título original: Do Ants Need to Estimate the Geometrical Properties of Trail Bifurcations to Find an Efficient Route? A Swarm Robotics Test Bed

Onde foi divulgada: periódico Plos Computational Biology

Quem fez: Simon Garnier, Maud Combe, Christian Jost e Guy Theraulaz

Instituição: Universidade Paul Sabatier, na França

Resultado: Os robôs reproduziram a forma que as formigas se deslocam por seus túneis, se guiando por trilhas deixadas por outros robôs (que, no caso das formigas, são feromônios) e escolhendo o caminho mais curto em bifurcações.

Saiba mais

Como funciona a orientação pelos feromônios
Se existe, por exemplo, um caminho A, mais curto, e um caminho B, mais longo, ligando o ponto de partida até o alimento, as formigas que seguirem pelo caminho A vão conseguir ir e voltar mais rapidamente. Isso significa que a quantidade de feromônios acumulados nesse trajeto será maior do que no outro caminho, mais longo. Com isso, mais formigas vão escolher o caminho A, e vão progressivamente deixar mais feromônios nele, até que o caminho mais longo seja abandonado.
Os insetos utilizados como referência foram as formigas argentinas (Linepithema humile), que se guiam na natureza por trilhas de feromônios (substância química que permite o reconhecimento de animais da mesma espécie) deixadas por outros indivíduos. Esse comportamento foi reproduzido nos robôs por meio de uma trilha de luz emitida por eles e captada pelos outros “Alices” por meio de dois sensores de luz que mimetizam as antenas das formigas.
No início do experimento, como não havia nenhuma trilha de luz no labirinto criado para reproduzir os túneis das formigas, os robôs tendiam a escolher, a cada bifurcação, os caminhos que os desviavam menos da trajetória inicial. Mas ao detectar uma trilha de luz, eles passavam a segui-la. O mesmo é observado nas formigas: elas tendem a escolher, em bifurcações, o caminho que se desvia menos de onde elas estão vindo, por ser a opção que requer um esforço menor. Porém, quando há feromônios, elas passam a seguir a direção na qual a presença dessa substância é mais intensa.
“Em resumo, de um lado está o feromônio, que permite que as formigas escolham um caminho — frequentemente o mais curto —, e do outro lado está a geometria assimétrica das bifurcações, que reduz as chances de que as formigas escolham o caminho errado e se percam. A combinação dos dois fatores aumenta a habilidade da colônia de selecionar o caminho correto mesmo em ambientes complexos”, disse Bem Hinnant, um dos autores do estudo, ao site de VEJA.
Dessa forma, os pesquisadores descobriram que os robôs não precisavam estar programados para calcular a geometria das bifurcações, e conseguir, assim, se deslocar pelo labirinto numa reprodução do comportamento dos insetos. As formigas argentinas têm visão ruim e se movem rápido demais para poder fazer cálculos sobre suas decisões de caminhos. O fato de os robôs, que não foram programados para realizar cálculos, terem se comportado da mesma forma que as formigas mostra que um processo cognitivo complexo não é necessário para que os membros das colônias se movam de forma eficiente em seus complexos labirintos.
 

Cientistas exploram fundo do mar sul-africano em busca de peixe mítico

Exploração marítima

Cientistas exploram fundo do mar sul-africano em busca de peixe mítico

Equipe de mergulhadores fará buscas diárias às grutas de Jesser Canyon, localizadas na baía de Sodwana, no Oceano Índico sul-africano

Celacanto capturado por pescadores na costa do Quênia em abril de 2001
Celacanto capturado por pescadores na costa do Quênia em abril de 2001 (Simon Maina/AFP)
Uma equipe de mergulhadores e cientistas franceses e sul-africanos vai lançar, nas próximas semanas, uma expedição na África do Sul em busca do celacanto, peixe mítico das grandes profundezas considerado desaparecido há muito tempo. A expedição Gombessa, como o celacanto é chamado localmente, está prevista para se estender de 5 de abril a 15 de maio, informou nesta sexta-feira o Museu Nacional de História Natural (MNHN) de Paris.
A empreitada reunirá em torno do mergulhador e naturalista francês Laurent Ballesta uma equipe de mergulhadores especialmente treinados para alcançar grandes profundidades, cientistas do Instituto Sul-africano para a Biodiversidade Aquática (SAIAB) e seis cientistas do MNHN e do Centro Nacional de Pesquisas Científicas francês (CNRS). Um gigante pacífico com 2 metros de comprimento, o celacanto foi reencontrado em 1938, na costa leste da África do Sul. "Nós acreditávamos que ele tivesse desaparecido há 70 milhões de anos. O achado é considerado a grande descoberta zoológica do século XX", afirmou o museu em comunicado.
O celacanto "traz em si os traços da mudança dos peixes para os primeiros vertebrados terrestres de quatro patas": esboços de membros em quatro de suas nadadeiras e uma bolsa de ar que seria o vestígio de um pulmão primitivo. Ele é, segundo o museu, "a testemunha viva e inesperada da saída das águas há 370 milhões de anos". Entretanto, muito pouco se sabe hoje sobre o modo de vida deste animal raro que vivia a mais de 100 metros de profundidade, e do qual poucas observações diretas puderam ser feitas.
Para chegar até o peixe, Laurent Ballesta e sua equipe de mergulhadores deverão, diariamente, retornar às grutas de Jesser Canyon, na baía de Sodwana (Oceano Índico), a 120 metros de profundidade. Assim que tiverem feito contato com o animal, eles colocarão em andamento os protocolos científicos concebidos pela equipe de cientistas do MNHN e do CNRS, chefiada pelo paleontólogo Gael Clément, e os biólogos sul-africanos Kerry Sink e Angus Paterson. A expedição pode ser acompanhada pelo site www.coelacanthe-projet-gombessa.com.
(Com agência France-Presse)

Governo chinês abre guerra contra a Apple

Consumo

Governo chinês abre guerra contra a Apple 

Pequim ameaça ação regulatória se empresa não melhorar seu pós-venda no país

Criança na China utiliza o iPad
Criança na China utiliza o iPad (Andy Wong/AP)
O governo chinês intensificou uma campanha pública contra a Apple: os chineses chamaram a empresa americana de "desonesta", "gananciosa" e "incomparavelmente arrogante". Pequim ameaçou com uma ação regulatória caso a companhia não melhore seus serviços de pós-venda no país.
Leia também:

Segundo anúncio da Administração Estatal para Indústria e Comércio, realizado nesta quinta-feira na rádio nacional, a Apple sofrerá severas consequências, asseguradas por leis e regulamentações, se não alterar, por exemplo, a política de garantia de seus produtos.
A ação, de acordo com o governo chinês, é uma resposta às reclamações dos consumidores. Segundo uma reportagem veiculada na emissora estatal de televisão China Central, a Apple trata seus clientes de forma inadequada e com indiferença. Um dos descasos é a dificuldade que os consumidores do país têm encontrado para trocar os dispositivos com defeitos.
Para analistas, a estratégia do governo é comprometer a atuação da Apple no país. Atualmente, a China é o segundo maior mercado da Apple depois dos Estados Unidos. Tim Cook prevê que os asiáticos vão superar os americanos em volume de vendas. Essa é a razão pela qual especialistas chineses acreditam que a campanha é uma manobra estatal para beneficiar marcas locais de inovação, como a Lenovo, a Huawei e a ZTE.

Filme


Ataque sofrido pela web foi robusto, mas localizado

Internet

Ataque sofrido pela web foi robusto, mas localizado

Apesar de ter utilizado um tráfego gigantesco, com picos de 300 gigabytes por segundo, o episódio afetou apenas alguns países. O Brasil escapou

Rafael Sbarai
Hacker em um teclado luminoso
(Thinkstock)
Um conflito digital entre o grupo inglês Spamhaus, organização sem fins lucrativos que combate o spam na internet, e a companhia holandesa Cyberbunker, especializada na hospedagem de serviços on-line, estremeceu o mundo digital nas últimas semanas. De acordo com informações publicadas na rede britânica BBC desta quarta-feira, um conflito entre as partes provocou uma operação na rede conhecida como ataque de negação de serviço (DDoS) – conhecida por causar o engarrafamento de dados na rede – provocando lentidão no acesso à internet por milhões de usuários ao redor do planeta. A história, contudo, não teve esse desfecho. A operação em destaque foi vigorosa - a maior já registrada na história da rede -, mas restrita a alguns países. Brasileiros conectados, por exemplo, não foram afetados.


Segundo informações da rede britânica, a organização Spamhaus sofreu uma série de ataques crackers entre os dias 18 e 26 de março depois de adicionar os serviços da Cyberbunker a uma lista de bloqueio de spam, alegando que a companhia holandesa e seus clientes eram uma fonte de mensagens indesejadas e infectadas por vírus. Assim, os usuários não conseguiriam mais acessar sites hospedados no serviço.

A Cyberbunker, por sua vez, emitiu um comunicado oficial acusando a organização de abuso de poder por decidir quais dados poderiam ou não trafegar pela internet. Horas depois, foi iniciado um ataque para derrubar o Spamhaus ação que, segundo o grupo inglês, foi coordenada pelo o próprio Cyberbunker, com a ajuda de crackers. O objetivo era liberar serviços on-line indesejados que usem a internet para distribuir vírus aos usuários de internet.

De acordo com relatório divulgado pela CloudFare, empresa de proteção contra esses ataques – e contratada nos últimos dias pela própria Spamhouse para proteger as operações on-line da companhia –, o ataque apresentou um volume médio de tráfego de 75 gibabits por segundo (Gpbs) e atingiu um pico de 300 Gbps por segundo – em média esses ataques chegam a 50 Gbps por segundo. “Publicamente, é algo sem precedentes na história da internet”, explica Fabio Assolini, analista sênior de malware da Kaspersky Brasil, empresa que atua no desenvolvimento de soluções de segurança e de administração contra ameaças. “O volume corresponde a mais de 300.000 vezes uma conexão de 10 mbps, comum em residências e empresas”, garante.

Apesar da escala grandiosa do ataque, o problema não foi global – e não fez a internet parar. Segundo o CloudFare, apenas uma das mais de dez empresas que fazem parte do Tier 1 – companhias que mantém de fato a internet em funcionamento, como Telefonica, AT&T e Verizon – sofreram problemas de rede. “Esse fato já nos mostra que o problema foi localizado e não global”, explica Assolini. Relatório de monitoramento divulgado nesta semana pela Akamai, empresa americana que presta serviços de infraestrutura web, mostra que Reino Unido, Holanda, Alemanha e Estados Unidos foram os países mais afetados.

Aos usuários – maiores prejudicados nesses conflitos virtuais – há recomendações. “Eles devem se certificar a atualização dos sistemas operacionais de computadores e apresentar um serviço de antivírus para que a máquina não seja usada para esses ataques”, explica Satnam Narang, pesquisador da comunidade de segurança da Norton. "Além disso, evite clicar em links de e-mail com fontes desconhecidas", finaliza.

Chipre não vai deixar a zona do euro, diz presidente do país

Crise

Chipre não vai deixar a zona do euro, diz presidente do país

Nesta semana, o Prêmio Nobel Paul Krugman defendeu a sua saída imediata

O presidente do Chipre, Nicos Anastasiades, sorri ao deixar reunião em Bruxelas
O presidente do Chipre, Nicos Anastasiades, sorri ao deixar reunião em Bruxelas  (Georges Gobet/AFP)
O presidente de Chipre, Nicos Anastasiades, garantiu nesta sexta-feira que o país não vai abandonar a zona do euro, depois que o governo foi forçado a aceitar um plano de resgate da União Europeia para evitar a falência do país - o que implica numa reestruturação drástica do seu sistema bancário. A declaração de Anastasiades foi feita durante uma conferência anual de trabalhadores, em Nicósia, segundo a rede britânica BBC. Nesta semana, o economista americano e Prêmio Nobel Paul Krugman defendeu a saída imediata de Chipre da zona do euro, em um artigo divulgado no site do jornal The New York Times.


“O Chipre não tem intenção de deixar a moeda única europeia. De maneira alguma vamos colocar em risco o futuro do nosso país", disse o presidente. Segundo ele, a crise financeira foi "contida", após o acordo de 10 bilhões de euros de resgate com o Fundo Monetário Internacional (FMI), Comissão Europeia (CE) e Banco Central Europeu (BCE). Anastasiades acusou outros membros da zona do euro de fazer "exigências sem precedentes” que forçaram o Chipre a ser testado. O plano de resgate é o primeiro no bloco monetário da Europa a impor perdas a correntistas.

Após 12 dias fechados, os bancos cipriotas reabriram na quinta-feira sob fortes restrições. Em Nicósia, havia algum alívio com a reabertura dos bancos, mas também alguma apreensão. As filas de pessoas que tentavam sacar seu dinheiro eram grandes - a limitação de saque é de 300 euros (772 reais) por dia. Nesta sexta-feira, os bancos voltaram a funcionar em seus horários normais de trabalho, e não houve relatos de filas longas. Autoridades dizem que as regras emergenciais adotadas para limitar saques e impedir uma corrida aos bancos será temporária, mas economistas afirmam que será difícil revogá-las enquanto a economia estiver em crise.


Rejeição - Apesar de ser menos agressivo do que a primeira proposta, rejeitada pelo Parlamento cipriota, que taxava todos os depósitos do país, o plano sofreu forte oposição porque confisca parte de todas as poupanças acima de 100.000 euros. Nesta semana milhares de cipriotas saíram às ruas de Nicósia, capital do Chipre, para protestar contra o acordo, temendo que as medidas agravem a crise econômica e o desemprego.

O acordo selado em Bruxelas também prevê o fechamento do Laiki Bank (segunda maior instituição financeira do país) e sua divisão. A parte saudável do banco, formada por todos os depósitos garantidos pelo acordo com os credores, ou seja, inferiores aos 100.000 euros, passará a fazer parte do Bank of Cyprus, a maior instituição financeira do Chipre e que será reestruturada.

Chipre suspende restrição sobre transações com cartão

Crise do euro

Chipre suspende restrição sobre transações com cartão

Na quarta-feira, tinham sido proibidos os pagamentos e operações financeiras superiores a 5.000 euros sem autorização oficial, após drástico plano de resgate

Clientes do Banco do Chipre tentam usar caixa eletrônico. Chipre pode manter bancos fechados até terça-feira
Clientes do Banco do Chipre tentam usar caixa eletrônico. Chipre pode manter bancos fechados até terça-feira (Thanassis Stavrakis/AP)
O Banco Central do Chipre suspendeu nesta sexta-feira todas as restrições a transações locais com cartões de crédito e de débito, impostas no âmbito de um controle de capitais após um drástico plano de resgate internacional na ilha.
Em um novo decreto sobre o controle de capitais, o Banco Central modificou as restrições publicadas na quarta-feira, que proibiam pagamentos e transações superiores a 5.000 euros sem autorização oficial. "Os pagamentos ou transferências de dinheiro dentro do país mediante cartão de débito ou de crédito são autorizados sem restrições", diz a instituição.


O Chipre impôs o primeiro controle de capitais da história da zona do euro para evitar uma fuga maciça de dinheiro com a reabertura dos bancos na quinta-feira, depois de 12 dias de fechamento. Seguem em vigor um limite para retiradas até 300 euros por dia e por pessoa e a proibição de viajar ao exterior com mais de 1.000 euros em dinheiro vivo, entre outras medidas.
Nesta sexta-feira, os bancos voltaram a funcionar em seus horários normais de trabalho, e não houve relatos de filas longas. Autoridades dizem que outras regras emergenciais

Nova proposta de Hollande para taxar ricos irrita empresários

França

Nova proposta de Hollande para taxar ricos irrita empresários

Na quinta-feira à noite, o presidente francês apresentou uma nova versão de seu plano para taxar os mais ricos. Agora a proposta é que as empresas paguem os tributos e não as pessoas

Hollande: peço às Nações Unidas que forneçam imediatamente ao povo sírio todo o apoio que ele nos solicita e proteja as zonas libertadas
  François Hollande, presidente francês, quer que ricos ajudem a França a sair da crise Hollande: peço às Nações Unidas que forneçam imediatamente ao povo sírio todo o apoio que ele nos solicita e proteja as zonas libertadas (Eduardo Munoz / Reuters)
Na noite de quinta-feira o presidente socialista da França, François Hollande, ressuscitou a proposta de um superimposto de 75% sobre os salários milionários do país. Contudo, seu plano de transferir o ônus dos indivíduos para as empresas causou pouco entusiasmo dos parlamentares, inclusive os de esquerda, e desagradou fortemente os líderes empresariais. A diferença desta nova proposta para a anterior, que foi barrada pelo Conselho Constitucional do país, é que a alíquota tributária de 75% sobre rendimentos superiores a 1 milhão de euros por ano agora afete as empresas, não os indivíduos.

Com o novo plano ele quer obrigar os mais ricos a ajudarem a tirar a França da crise. Mas, além de o imposto reforçar a impressão de que Hollande é contra as empresas, a nova versão da proposta ainda projeta a geração de menos receita ao governo do que na versão anterior, que arrecadaria cerca de 200 milhões de euros (260 milhões de dólares) ao ano de cerca de 1.500 milionários franceses. "Não entendo o pensamento do presidente", disse Laurence Parisot, diretor da entidade empresarial Medef, qualificando a nova versão do superimposto como "um golpe ao setor empresarial."
Leia mais: Por que é ineficaz tributar pesadamente os mais ricos
Em 29 de dezembro do ano passado, o Conselho Constitucional francês, principal instância do Judiciário, anulou o imposto de 75% para os rendimentos superiores a um milhão de euros por dois anos, aprovado pelo governo de esquerda de Hollande. Isso aconteceu logo depois de o ator francês Gérard Depardieu se mudar para a Bélgica para pagar menos impostos. Na ocasião, o primeiro-ministro do país, Jean-Marc Ayrault, anunciara que o governo ia propor um novo dispositivo para poder aplicar o imposto.

Durante o Fórum Econômico de Davos, onde se reuniu com a elite empresarial do mundo em fevereiro, o ministro francês das Finanças, Pierre Moscovici, apresentou novamente a ideia do "super imposto", explicando os objetivos desta tributação "excepcional" e enfatizando sua natureza transitória.

Argentina volta aos anos 80 e congela preços

Internacional    VEJA

Argentina volta aos anos 80 e congela preços

Governo Cristina Kirchner obriga supermercados a manter valores inalterados por 60 dias; FMI questionou nos últimos dias a veracidade de dados como a inflação e o PIB do país

Cristina Kirchner, presidente da Argentina
A presidente Cristina Kirchner tem utilizado de artificialismos para conduzir a economia da Argentina (Lorenzo Tarditti/EFE)
O governo argentino tomou uma medida populista e característica dos anos 80: obrigou os supermercados a congelar os preços pelos próximos 60 dias. Os consumidores vem reclamando dos altos preços dos produtos de primeira necessidade. A intervenção é mais um dos artificialismos econômicos criados pela presidente Cristina Kirchner. Nos últimos dias, o Fundo Monetário Internacional (FMI) criticou a manipulação dos dados oficiais do país, como o Produto Interno Bruto (PIB) e a inflação, que para o governo foi de 10,8% no ano passado e para institutos independentes de pesquisa ficou acima de 25%.
Os supermercados argentinos, que incluem grandes redes internacionais como a francesa Carrefour e a americana Walmart, se comprometeram a congelar os preços dos produtos a pedido da Secretaria de Comércio Interior. O ministro Guillermo Moreno ameaçou quem não cumprisse a ordem com punições. O acordo entre o governo e a associação dos supermercados do país vai até 1° de abril. Juan Vasco Martinez, presidente da Associação de Supermercados Unidos, confirmou que "todos os produtos dos supermercados" continuarão com os mesmos preços de 1º de fevereiro.
Segundo o jornal Clarín, o governo erra mais uma vez ao tentar frear a inflação com o congelamento de preços que começou nessa segunda-feira. O jornal é o principal opositor e alvo de constantes ataques do governo Kirchner. O periódico informa que o acordo pode ser ampliado para os fabricantes. Mas, por enquanto, a medida só comprometeu as grandes redes varejistas.
A cidade de Santa Fé, por exemplo, negou que tenha recebido qualquer comunicado do governo sobre o congelamento dos preços e, por isso, não acatará a medida por enquanto, segundo informou o jornal La Nación, de Buenos Aires. O diretor da secretaria de comércio da província argentina informou ao periódico que ficou sabendo da medida pela imprensa, apesar de haver na região algumas das redes de supermercados que teriam sido informadas, como Carrefour, Walmart e Coto.
A medida também sofreu duras críticas do líder dos caminhoneiros Hugo Moyano, chefe da Central Geral dos Trabalhadores (CGT) e grande opositor do governo. Para o sindicalista, ações unilaterais feitas pela presidente reduzem a possibilidade de discussão e podem trazer conflito. Moyano acrescentou em seu discurso que, ao congelar os preços, o governo evitaria um aumento nos salários.

Argentina apresenta oferta a credores em Nova York e dissipa temores de calote

Dívida       VEJA

Argentina apresenta oferta a credores em Nova York e dissipa temores de calote

País chegou a dizer, em fevereiro, que não acataria decisão de juíz americano de pagar US$ 1,3 bilhão a credores de um fundo que não aceitaram negociar a dívida soberana de 2001

Cristina Kirchner em dezembro de 2012
Argentina chegou a dizer que decisão de pagamento extra a credores "viola a soberania do país e expõe sua economia a uma nova crise financeira" (Alejandro Pagni/AFP)
A Argentina apresentou nesta sexta-feira a um tribunal de apelações de Nova York (EUA) uma oferta para reabrir a negociação com os credores que rejeitaram suas propostas iniciais de reestruturação de uma dívida soberana em 2001 (dívida do governo com credores internacionais). O documento foi protocolado no prazo-limite de meia-noite desta sexta-feira, conforme determinado pelo Tribunal de Apelações do Segundo Circuito. A proposta é de emissão de bônus pelo valor original e outros com desconto, sendo estes equiparáveis aos dos bônus repassados aos credores que aceitaram a reestruturação da dívida.
"(A Argentina) oferece aos litigantes pagamentos na forma de dinheiro e bônus, que compensam os valores passados, que lhes atualiza em suas obrigações e pagamentos da dívida no futuro", assegura o documento apresentado pelo escritório de advocacia Cleary Gotlieb, Steen & Hamilton, representante do país.


Contexto — Em 13 de dezembro, o governo argentino havia anunciado o pagamento de 3,5 bilhões de dólares correspondentes a títulos de dívida pública, que foi reestruturada após a moratória de 2001. "Apesar de todas as previsões pessimistas, a Argentina novamente cumpre seus compromissos, e vamos continuar cumprindo", assegurou o ministro da Economia na época, Hernán Lorenzino, na época, fazendo referência às especulações de que a Argentina poderia declarar nova moratória.
Contudo, o juiz americano Thomas Griesa, do Tribunal Distrital de Nova York, decidiu, em 21 de novembro, que o país teria de desembolsar um adicional de 1,3 bilhão de dólares aos credores de um fundo que não aceitaram negociar a dívida nacional de 2001. Também determinou que a parcela relativa aos credores que aceitaram a reestruturação da dívida não poderia ser paga isoladamente. Em outra palavras, ou Buenos Aires pagava a todos – o que implicaria um desembolso de quase 5 bilhões de dólares – ou não pagava ninguém.
No fim de fevereiro, o país latino advertiu seus credores que poderia não pagar o montante de 1,3 bilhão de dólares. Os argumentos da defesa, conforme divulgou a agência de notícias Bloomberg na ocasião, baseiam-se na justificativa de que a ordem dada pelo juiz americano Thomas Griesa em novembro “viola a soberania do país, expõe sua economia a uma nova crise financeira e representa uma ameaça a países que fazem esforços para reestruturar suas dívidas”, disse Jonathan Blackman, advogado do governo argentino.
O bilionário fundo de hedge (um tipo de operação financeira) gerenciado pelo economista Paul Singer lidera o grupo de investidores que está pressionando a Argentina a pagar integralmente os bônus vencidos. “Se o que a Corte procura é confronto com essas imposições, isto é decisão da Corte”, disse Blackman. “Nós estamos representando o governo, e os governantes não receberão orientações de fazer o que, fundamentalmente, viola seus princípios”, completou.

O advogado argentino havia dito que a Argentina queria convencer a Justiça americana a mudar sua decisão para algo mais 'factível' e que um confronto está descartado. No entanto, ele foi enfático ao afirmar que a Argentina não cumpriria voluntariamente a decisão se a Corte acatar a resolução do juiz Thomas Griesa.

(com agência EFE)