sábado, 30 de março de 2013

Chipre não vai deixar a zona do euro, diz presidente do país

Crise

Chipre não vai deixar a zona do euro, diz presidente do país

Nesta semana, o Prêmio Nobel Paul Krugman defendeu a sua saída imediata

O presidente do Chipre, Nicos Anastasiades, sorri ao deixar reunião em Bruxelas
O presidente do Chipre, Nicos Anastasiades, sorri ao deixar reunião em Bruxelas  (Georges Gobet/AFP)
O presidente de Chipre, Nicos Anastasiades, garantiu nesta sexta-feira que o país não vai abandonar a zona do euro, depois que o governo foi forçado a aceitar um plano de resgate da União Europeia para evitar a falência do país - o que implica numa reestruturação drástica do seu sistema bancário. A declaração de Anastasiades foi feita durante uma conferência anual de trabalhadores, em Nicósia, segundo a rede britânica BBC. Nesta semana, o economista americano e Prêmio Nobel Paul Krugman defendeu a saída imediata de Chipre da zona do euro, em um artigo divulgado no site do jornal The New York Times.


“O Chipre não tem intenção de deixar a moeda única europeia. De maneira alguma vamos colocar em risco o futuro do nosso país", disse o presidente. Segundo ele, a crise financeira foi "contida", após o acordo de 10 bilhões de euros de resgate com o Fundo Monetário Internacional (FMI), Comissão Europeia (CE) e Banco Central Europeu (BCE). Anastasiades acusou outros membros da zona do euro de fazer "exigências sem precedentes” que forçaram o Chipre a ser testado. O plano de resgate é o primeiro no bloco monetário da Europa a impor perdas a correntistas.

Após 12 dias fechados, os bancos cipriotas reabriram na quinta-feira sob fortes restrições. Em Nicósia, havia algum alívio com a reabertura dos bancos, mas também alguma apreensão. As filas de pessoas que tentavam sacar seu dinheiro eram grandes - a limitação de saque é de 300 euros (772 reais) por dia. Nesta sexta-feira, os bancos voltaram a funcionar em seus horários normais de trabalho, e não houve relatos de filas longas. Autoridades dizem que as regras emergenciais adotadas para limitar saques e impedir uma corrida aos bancos será temporária, mas economistas afirmam que será difícil revogá-las enquanto a economia estiver em crise.


Rejeição - Apesar de ser menos agressivo do que a primeira proposta, rejeitada pelo Parlamento cipriota, que taxava todos os depósitos do país, o plano sofreu forte oposição porque confisca parte de todas as poupanças acima de 100.000 euros. Nesta semana milhares de cipriotas saíram às ruas de Nicósia, capital do Chipre, para protestar contra o acordo, temendo que as medidas agravem a crise econômica e o desemprego.

O acordo selado em Bruxelas também prevê o fechamento do Laiki Bank (segunda maior instituição financeira do país) e sua divisão. A parte saudável do banco, formada por todos os depósitos garantidos pelo acordo com os credores, ou seja, inferiores aos 100.000 euros, passará a fazer parte do Bank of Cyprus, a maior instituição financeira do Chipre e que será reestruturada.

Chipre suspende restrição sobre transações com cartão

Crise do euro

Chipre suspende restrição sobre transações com cartão

Na quarta-feira, tinham sido proibidos os pagamentos e operações financeiras superiores a 5.000 euros sem autorização oficial, após drástico plano de resgate

Clientes do Banco do Chipre tentam usar caixa eletrônico. Chipre pode manter bancos fechados até terça-feira
Clientes do Banco do Chipre tentam usar caixa eletrônico. Chipre pode manter bancos fechados até terça-feira (Thanassis Stavrakis/AP)
O Banco Central do Chipre suspendeu nesta sexta-feira todas as restrições a transações locais com cartões de crédito e de débito, impostas no âmbito de um controle de capitais após um drástico plano de resgate internacional na ilha.
Em um novo decreto sobre o controle de capitais, o Banco Central modificou as restrições publicadas na quarta-feira, que proibiam pagamentos e transações superiores a 5.000 euros sem autorização oficial. "Os pagamentos ou transferências de dinheiro dentro do país mediante cartão de débito ou de crédito são autorizados sem restrições", diz a instituição.


O Chipre impôs o primeiro controle de capitais da história da zona do euro para evitar uma fuga maciça de dinheiro com a reabertura dos bancos na quinta-feira, depois de 12 dias de fechamento. Seguem em vigor um limite para retiradas até 300 euros por dia e por pessoa e a proibição de viajar ao exterior com mais de 1.000 euros em dinheiro vivo, entre outras medidas.
Nesta sexta-feira, os bancos voltaram a funcionar em seus horários normais de trabalho, e não houve relatos de filas longas. Autoridades dizem que outras regras emergenciais

Nova proposta de Hollande para taxar ricos irrita empresários

França

Nova proposta de Hollande para taxar ricos irrita empresários

Na quinta-feira à noite, o presidente francês apresentou uma nova versão de seu plano para taxar os mais ricos. Agora a proposta é que as empresas paguem os tributos e não as pessoas

Hollande: peço às Nações Unidas que forneçam imediatamente ao povo sírio todo o apoio que ele nos solicita e proteja as zonas libertadas
  François Hollande, presidente francês, quer que ricos ajudem a França a sair da crise Hollande: peço às Nações Unidas que forneçam imediatamente ao povo sírio todo o apoio que ele nos solicita e proteja as zonas libertadas (Eduardo Munoz / Reuters)
Na noite de quinta-feira o presidente socialista da França, François Hollande, ressuscitou a proposta de um superimposto de 75% sobre os salários milionários do país. Contudo, seu plano de transferir o ônus dos indivíduos para as empresas causou pouco entusiasmo dos parlamentares, inclusive os de esquerda, e desagradou fortemente os líderes empresariais. A diferença desta nova proposta para a anterior, que foi barrada pelo Conselho Constitucional do país, é que a alíquota tributária de 75% sobre rendimentos superiores a 1 milhão de euros por ano agora afete as empresas, não os indivíduos.

Com o novo plano ele quer obrigar os mais ricos a ajudarem a tirar a França da crise. Mas, além de o imposto reforçar a impressão de que Hollande é contra as empresas, a nova versão da proposta ainda projeta a geração de menos receita ao governo do que na versão anterior, que arrecadaria cerca de 200 milhões de euros (260 milhões de dólares) ao ano de cerca de 1.500 milionários franceses. "Não entendo o pensamento do presidente", disse Laurence Parisot, diretor da entidade empresarial Medef, qualificando a nova versão do superimposto como "um golpe ao setor empresarial."
Leia mais: Por que é ineficaz tributar pesadamente os mais ricos
Em 29 de dezembro do ano passado, o Conselho Constitucional francês, principal instância do Judiciário, anulou o imposto de 75% para os rendimentos superiores a um milhão de euros por dois anos, aprovado pelo governo de esquerda de Hollande. Isso aconteceu logo depois de o ator francês Gérard Depardieu se mudar para a Bélgica para pagar menos impostos. Na ocasião, o primeiro-ministro do país, Jean-Marc Ayrault, anunciara que o governo ia propor um novo dispositivo para poder aplicar o imposto.

Durante o Fórum Econômico de Davos, onde se reuniu com a elite empresarial do mundo em fevereiro, o ministro francês das Finanças, Pierre Moscovici, apresentou novamente a ideia do "super imposto", explicando os objetivos desta tributação "excepcional" e enfatizando sua natureza transitória.

Argentina volta aos anos 80 e congela preços

Internacional    VEJA

Argentina volta aos anos 80 e congela preços

Governo Cristina Kirchner obriga supermercados a manter valores inalterados por 60 dias; FMI questionou nos últimos dias a veracidade de dados como a inflação e o PIB do país

Cristina Kirchner, presidente da Argentina
A presidente Cristina Kirchner tem utilizado de artificialismos para conduzir a economia da Argentina (Lorenzo Tarditti/EFE)
O governo argentino tomou uma medida populista e característica dos anos 80: obrigou os supermercados a congelar os preços pelos próximos 60 dias. Os consumidores vem reclamando dos altos preços dos produtos de primeira necessidade. A intervenção é mais um dos artificialismos econômicos criados pela presidente Cristina Kirchner. Nos últimos dias, o Fundo Monetário Internacional (FMI) criticou a manipulação dos dados oficiais do país, como o Produto Interno Bruto (PIB) e a inflação, que para o governo foi de 10,8% no ano passado e para institutos independentes de pesquisa ficou acima de 25%.
Os supermercados argentinos, que incluem grandes redes internacionais como a francesa Carrefour e a americana Walmart, se comprometeram a congelar os preços dos produtos a pedido da Secretaria de Comércio Interior. O ministro Guillermo Moreno ameaçou quem não cumprisse a ordem com punições. O acordo entre o governo e a associação dos supermercados do país vai até 1° de abril. Juan Vasco Martinez, presidente da Associação de Supermercados Unidos, confirmou que "todos os produtos dos supermercados" continuarão com os mesmos preços de 1º de fevereiro.
Segundo o jornal Clarín, o governo erra mais uma vez ao tentar frear a inflação com o congelamento de preços que começou nessa segunda-feira. O jornal é o principal opositor e alvo de constantes ataques do governo Kirchner. O periódico informa que o acordo pode ser ampliado para os fabricantes. Mas, por enquanto, a medida só comprometeu as grandes redes varejistas.
A cidade de Santa Fé, por exemplo, negou que tenha recebido qualquer comunicado do governo sobre o congelamento dos preços e, por isso, não acatará a medida por enquanto, segundo informou o jornal La Nación, de Buenos Aires. O diretor da secretaria de comércio da província argentina informou ao periódico que ficou sabendo da medida pela imprensa, apesar de haver na região algumas das redes de supermercados que teriam sido informadas, como Carrefour, Walmart e Coto.
A medida também sofreu duras críticas do líder dos caminhoneiros Hugo Moyano, chefe da Central Geral dos Trabalhadores (CGT) e grande opositor do governo. Para o sindicalista, ações unilaterais feitas pela presidente reduzem a possibilidade de discussão e podem trazer conflito. Moyano acrescentou em seu discurso que, ao congelar os preços, o governo evitaria um aumento nos salários.

Argentina apresenta oferta a credores em Nova York e dissipa temores de calote

Dívida       VEJA

Argentina apresenta oferta a credores em Nova York e dissipa temores de calote

País chegou a dizer, em fevereiro, que não acataria decisão de juíz americano de pagar US$ 1,3 bilhão a credores de um fundo que não aceitaram negociar a dívida soberana de 2001

Cristina Kirchner em dezembro de 2012
Argentina chegou a dizer que decisão de pagamento extra a credores "viola a soberania do país e expõe sua economia a uma nova crise financeira" (Alejandro Pagni/AFP)
A Argentina apresentou nesta sexta-feira a um tribunal de apelações de Nova York (EUA) uma oferta para reabrir a negociação com os credores que rejeitaram suas propostas iniciais de reestruturação de uma dívida soberana em 2001 (dívida do governo com credores internacionais). O documento foi protocolado no prazo-limite de meia-noite desta sexta-feira, conforme determinado pelo Tribunal de Apelações do Segundo Circuito. A proposta é de emissão de bônus pelo valor original e outros com desconto, sendo estes equiparáveis aos dos bônus repassados aos credores que aceitaram a reestruturação da dívida.
"(A Argentina) oferece aos litigantes pagamentos na forma de dinheiro e bônus, que compensam os valores passados, que lhes atualiza em suas obrigações e pagamentos da dívida no futuro", assegura o documento apresentado pelo escritório de advocacia Cleary Gotlieb, Steen & Hamilton, representante do país.


Contexto — Em 13 de dezembro, o governo argentino havia anunciado o pagamento de 3,5 bilhões de dólares correspondentes a títulos de dívida pública, que foi reestruturada após a moratória de 2001. "Apesar de todas as previsões pessimistas, a Argentina novamente cumpre seus compromissos, e vamos continuar cumprindo", assegurou o ministro da Economia na época, Hernán Lorenzino, na época, fazendo referência às especulações de que a Argentina poderia declarar nova moratória.
Contudo, o juiz americano Thomas Griesa, do Tribunal Distrital de Nova York, decidiu, em 21 de novembro, que o país teria de desembolsar um adicional de 1,3 bilhão de dólares aos credores de um fundo que não aceitaram negociar a dívida nacional de 2001. Também determinou que a parcela relativa aos credores que aceitaram a reestruturação da dívida não poderia ser paga isoladamente. Em outra palavras, ou Buenos Aires pagava a todos – o que implicaria um desembolso de quase 5 bilhões de dólares – ou não pagava ninguém.
No fim de fevereiro, o país latino advertiu seus credores que poderia não pagar o montante de 1,3 bilhão de dólares. Os argumentos da defesa, conforme divulgou a agência de notícias Bloomberg na ocasião, baseiam-se na justificativa de que a ordem dada pelo juiz americano Thomas Griesa em novembro “viola a soberania do país, expõe sua economia a uma nova crise financeira e representa uma ameaça a países que fazem esforços para reestruturar suas dívidas”, disse Jonathan Blackman, advogado do governo argentino.
O bilionário fundo de hedge (um tipo de operação financeira) gerenciado pelo economista Paul Singer lidera o grupo de investidores que está pressionando a Argentina a pagar integralmente os bônus vencidos. “Se o que a Corte procura é confronto com essas imposições, isto é decisão da Corte”, disse Blackman. “Nós estamos representando o governo, e os governantes não receberão orientações de fazer o que, fundamentalmente, viola seus princípios”, completou.

O advogado argentino havia dito que a Argentina queria convencer a Justiça americana a mudar sua decisão para algo mais 'factível' e que um confronto está descartado. No entanto, ele foi enfático ao afirmar que a Argentina não cumpriria voluntariamente a decisão se a Corte acatar a resolução do juiz Thomas Griesa.

(com agência EFE)

Líbia prende dois acusados de estuprar ativistas britânicas

Líbia           VEJA

Líbia prende dois acusados de estuprar ativistas britânicas

As mulheres de origem paquistanesa foram sequestradas na última quarta-feira, em Benghazi, segunda maior cidade do país

Um membro do exército da Líbia no complexo de óleo e gás de Millitah
Um membro do exército da Líbia no complexo de óleo e gás de Millitah (REUTERS/Ismail Zitouny)
Dois soldados líbios acusados de sequestrar e estuprar três ativistas britânicas de origem paquistanesa na última quarta-feira, em Benghazi, foram presos nesta sexta. O porta-voz do Ministério de Defesa da Líbia, Abdul Salam Barghathi, disse à BBC britânica escreveu o ato como “individual e isolado”. O governo da Líbia pediu desculpas pelo ocorrido.

As mulheres faziam parte de um comboio de ajuda humanitária que se dirigia do Marrocos à Faixa de Gaza. Quando chegaram à fronteira do Egito, agentes migratórios negaram a permissão para passar. Cinco membros do comboio, incluindo as mulheres, pegaram um táxi para o aeroporto de Benghazi, com a intenção de voltar para a Grã-Bretanha. Quando foram paradas em um posto de controle, foram raptadas por cinco militares. Elas foram mantidas presas por horas, durante as quais dizem ter sido estupradas.
O embaixador Michael Aron disse à rede britânica que o incidente foi horrível e que as autoridades líbias estão investigando. Três outros suspeitos ainda estão foragidos. O grupo espera no consulado da Turquia e espera o retorno para a Grã-Bretanha.

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Fogo destrói loja em região de comércio popular do Rio

Rio de Janeiro

Fogo destrói loja em região de comércio popular do Rio

Incêndio no Saara começou na papelaria Caçula e atingiu prédios vizinhos

Chamas destruíram completamente papelaria na região do Saara, no Rio
Chamas destruíram completamente papelaria na região do Saara, no Rio (Reprodução/Twitter)
Parte de um quarteirão no Saara, região de comércio popular no centro do Rio de Janeiro, foi atingida na noite desta sexta-feira por um incêndio de grandes proporções. O fogo começou por volta das 23 horas no prédio da papelaria Caçula, na Rua Buenos Aires, e afetou ao menos seis casarões vizinhos.
Por causa da grande quantidade de material inflamável no local, o Corpo de Bombeiros teve dificuldade para controlar as chamas, o que só ocorreu no meio da madrugada deste sábado. Durante o incêndio, a fachada do prédio da papelaria caiu, destruindo completamente a loja.
Os bombeiros fecharam ruas na região, conhecida pelo comércio a céu aberto entre as ruas dos Andradas, Buenos Aires, Alfândega e a Praça da República. Não há informações sobre as causas do incêndio nem sobre vítimas. Por causa do feriado da Paixão de Cristo, a papelaria e lojas vizinhas não tiveram expediente nesta sexta-feira.
Representantes e funcionários da Caçula acompanharam o trabalho dos bombeiros no local. Eles acreditam que todo o material da loja, armazenado no prédio principal da papelaria e nos casarões vizinhos, foi destruído. 

Sem estrutura, 21% dos parques estão fechados

Meio ambiente            VEJA

Sem estrutura, 21% dos parques estão fechados

Estudo realizado pelo Instituto Semeia apontou ainda que 58% dos parques do Brasil recebe menos de 50.000 visitas por ano

Foto panorâmica da vista do Parque Nacional da Tijuca, no Rio de Janeiro
Foto panorâmica da vista do Parque Nacional da Tijuca, no Rio de Janeiro (Alberto Peterson / Divulgação)
Um levantamento com quase cem parques nacionais, estaduais e municipais do País mostrou que 80% não têm receita gerada por visitação e 21% nem sequer recebem turistas. O estudo, realizado pelo Instituto Semeia, avaliou o uso público destas e de outras unidades de conservação (UCs) abertas ao turismo, a partir de questionários enviados a 443 gestores.
O relatório, em versão preliminar, mostrou ainda que mais da metade dos parques (58%) recebe menos de 50.000 visitas por ano. Em outros tipos de UCs abertos ao público, como Florestas Nacionais e Áreas de Proteção Ambiental, o aproveitamento é ainda menor: 88% não têm receita de turismo e 44% não recebem visitantes. "Não foi uma surpresa, esperávamos resultado semelhante", admite Ana Luisa Da Riva, diretora executiva do instituto. "Abrir os parques para o turismo significa gasto, então o governo prefere mantê-los fechados."
Segundo ela, uma das explicações para o baixo índice de visitação em UCs, especialmente nos parques, é a estrutura precária para receber o público. "O perfil do visitante atual é o ecoturista, que vai muito mais por aventura. Não há infraestrutura para receber famílias e pessoas comuns", afirma Ana Luisa. "Em muitos locais não há nem mesmo serviço para atender os visitantes. Ainda há o problema da falta de planejamento. No Parque Estadual de Ilhabela, por exemplo, não há plano de manejo, o que compromete o potencial de uso público."
O relatório aponta que dois terços dos gestores das 200 unidades de conservação analisadas se mostram abertos a parcerias para ajudar na conservação e fomentar o desenvolvimento econômico da região onde estão inseridas as UCs. "É fundamental engajar os gestores, que trabalham com poucos recursos e equipe reduzida para fazer a conservação. Eles enxergam a abertura dos parques como uma coisa positiva", diz Ana Luisa.
Entre as 1.649 unidades existentes no País, pouco mais de 1.000 pertencem a órgãos públicos. A proposta do Instituto Semeia é promover a integração do setor privado na gestão de UCs. "Os recursos públicos não serão capazes de cumprir as metas estabelecidas de conservação", diz. "O setor privado está de ouvido aberto, mas é um mercado muito novo. O conceito de parceria para conservação como fim principal, e não o turismo, ainda carece de garantias e regulamentações por parte do governo."
Nesta perspectiva, o governo serviria como regulador e operador das unidades de conservação, cabendo às empresas privadas apenas gerenciar os serviços. O modelo segue o que já ocorre em outros setores como saúde, educação e até mesmo administração de presídio. O turismo é apenas um dos aproveitamentos possíveis — um exemplo prático de uso alternativo ocorre na Costa Rica, onde existem centros universitários funcionando no interior de parques.
Crescimento — Dos 69 parques nacionais, 26 estão abertos ao turismo e são administrados pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), criado em 2007 para diversificar as atividades de ecoturismo e recreação locais.
Os exemplos de gestão compartilhada mais bem-sucedidos ocorrem no Parque Nacional do Iguaçu, no Paraná, e no Parque Nacional da Tijuca, no Rio, que autorizaram a diversas empresas a concessão de exploração de serviços e turismo. A estrutura adequada, aliada ao grande apelo de seus atrativos naturais, se traduz nos números. Com 1,5 milhão e 2,5 milhões de visitantes, respectivamente, Iguaçu e Tijuca foram responsáveis por cerca de 90% do total de visitações em parques nacionais no País em 2012.
(Com Estadão Conteúdo)