quinta-feira, 28 de março de 2013

Novo banco e fundo de reserva fortalecem articulação dos Brics

Atualizado: 27/03/2013 14:55 | Por BBC, BBC Brasil

Novo banco e fundo de reserva fortalecem articulação dos Brics

Novo banco e fundo de reserva fortalecem articulação dos Brics
"Os líderes dos Brics (AFP)"
A cúpula dos Brics na cidade sul-africana de Durban, que terminou nesta quarta-feira, foi a primeira realizada em um clima marcado por grandes incertezas econômicas para esse clube de países emergentes, com a China desacelerando e o Brasil crescendo a um ritmo de menos de 1% ao ano.
Não chega a ser uma surpresa, então, que o resultado mais relevante do encontro entre Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul tenha sido o avanço em dois projetos que visam aumentar as fontes de financiamento para esses cinco países.
Como era esperado, os cinco países do grupo deram sinal verde para o Banco de Desenvolvimento dos Brics, cujo objetivo é financiar projetos de infraestrutura nos países do grupo.
'(Esse banco) é mais um elemento para expandir a nossa capacidade de obter recursos', disse a presidente Dilma Rousseff. 'O grande desafio das economias dos Brics é justamente ampliar seus investimentos na área de infraestrutura.'
Na última reunião dos Brics, os cinco países do grupo tinham incumbido seus ministros das Finanças de avaliar a viabilidade do projeto desse banco.
Antes do encontro de Durban, havia especulação sobre qual poderia ser o capital aportado por cada país, como o banco iria atuar e onde ficaria sua sede.
A julgar pela falta de detalhes sobre a estrutura dessa instituição financeira no comunicado conjunto divulgado pelos cinco líderes dos Brics, porém, aparentemente eles não conseguiram chegar a um consenso sobre tais temas.
Também não ficou claro quando exatamente esse banco sairá do papel - e segundo algumas fontes do governo brasileiro isso pode não ocorrer antes de 2016.
Reservas de contingência
O segundo projeto a receber aval dos Brics foi o chamado Arranjo de Reservas de Contingência - um fundo de US$ 100 bilhões que servirá para socorrer países com problemas de liquidez financeira.
'Trata-se de um acordo importantíssimo porque estamos assistindo a uma grande volatilidade no mundo. Tivemos a crise do Lehman Brothers em 2008, recentemente o problema em Chipre e tudo que ocorreu no ano passado com os países europeus', disse Dilma.
'Nenhum país dos Brics sofreu nenhuma crise, nem bancária nem financeira. E o acordo de US$ 100 bilhões é muito significativo porque é mais uma contribuição para a estabilidade da moeda (desses países).'
Dilma disse ver a aprovação dos dois projetos como uma 'realização do Brasil'.
'No encontro (dos Brics) em Los Cabos (cidade do México, em 2012), nós tivermos uma atuação no sentido de confirmar a importância tanto do Banco de Desenvolvimento dos BRICS como desse acordo sobre o Contingente de Reservas', afirmou.
Outros acordos
Além das duas iniciativas, os Brics também chegaram a um acordo de cofinanciamento para projetos de desenvolvimento de energia limpa e infraestrutura na África.
Outra novidade do encontro foi a criação do Conselho Empresarial dos Brics, um órgão formado por cinco empresários de cada país que vai dar sugestões e fazer avaliações sobre como ampliar a cooperação econômica e comercial no bloco.
Para completar, o presidente russo, Vladimir Putin, anunciou que será realizado em Moscou, em junho, o primeiro encontro sobre política antidrogas dos Brics.
Na declaração conjunta, os Brics também procuraram se pronunciar sobre os mais diversos temas da agenda política global - desde o conflito na Síria e na República Centro Africana até a admissão da Palestina como membro observador da ONU e o programa nuclear iraniano.
Alguns dos textos das declarações, porém, são bastante vagos. Eles permitem aos cinco países acomodar (ou esconder) as diferenças em seus posicionamentos, segundo analistas.
'Se por um lado os países do grupo vocalizaram objetivos etéreos como 'conclamar a comunidade internacional a uma maior estabilidade dos mercados globais', por outro houve avanços concretos no estabelecimento do Banco de Desenvolvimento dos Brics', avaliou, em entrevista à BBC Brasil Marcos Troyjo, diretor do BRICLab da Universidade de Colúmbia, nos Estados Unidos.
História
O acrônimo Bric (sem o S de África do Sul) foi criado pelo economista Jim O'Neill como um instrumento de análise financeira e originalmente se referia aos quatro países que, segundo ele, teriam mais peso econômico que as nações desenvolvidas por volta de 2040.
Em 2009, os países dos Bric resolveram transformar o acrônimo em uma entidade política e, em 2011, incluíram no grupo a África no Sul - transformando-o em Brics.
Entre as principais reivindicações do grupo está uma reforma que dê mais voz aos emergentes nas instituições de governança política e econômica globais, como o FMI e o Banco Mundial.
Mas, apesar de a função desse novo Banco de Desenvolvimento dos Brics se assemelhar a do Banco Mundial, Troyjo diz não ver 'qualquer tom de confrontação' no projeto.
'Pelo contrário, creio que há um sentido de complementaridade, derivada dessa noção de que o Banco Mundial tem frentes demais (para atuar) e, portanto, não dispõe do vigor necessário para projetos de grande porte originados a partir dos Brics', opina o especialista.
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Cidades

Dilma acusa imprensa de manipular declaração sobre inflação

Planalto

Dilma acusa imprensa de manipular declaração sobre inflação

Presidente pediu que Alexandre Tombini , do BC, tentasse explicar publicamente o "mal entendido"

A presidente Dilma Rousseff reúne governadores e prefeitos para discutir investimentos do PAC em obras de pavimentação, mobilidade e saneamento
Dilma diz que declarações em Durban foram mal interpretadas (Ueslei Marcelino/Reuters)
Que o governo tem optado por estimular o crescimento da economia em detrimento do controle da inflação, não é novidade. Nesta quarta-feira, no entanto, foi a primeira vez que a presidente Dilma Rousseff deixou escapar sua heterodoxa preferência pelo Produto Interno Bruto (PIB), durante conversa com jornalistas em Durban, na África do Sul, onde esteve para o encontro dos Brics. Dilma afirmou que não concorda com políticas de combate à inflação que mirem a redução do crescimento econômico. A fala repercutiu como pólvora - o que fez o blog do Planalto divulgar uma nota feita pela presidente desmentindo sua frase. "Foi uma manipulação inadmissível de minha fala. O combate à inflação é um valor em si mesmo e permanente do meu governo", afirmou a presidente.
Dilma também pediu que o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, conversasse com jornalistas para desfazer o "mal entendido". À Agência Estado, Tombini afirmou que era preciso que o "mal entendido fosse desfeito e que não há tolerância em relação à inflação". Ele até usou o expediente da insubordinação para consertar a frase de Dilma. "De inflação fala a equipe econômica. Em relação à política de juros, fala o Banco Central", disse.
Leia também: Banco de desenvolvimento dos Brics financiará infraestrutura2012, o ano em que o PIB do Brasil não aconteceu
Mercado entendeu o recado - De acordo com a nota, Dilma decidiu se pronunciar após "tomar conhecimento de que agentes do mercado financeiro estavam interpretando erroneamente seus comentários como expressão de leniência em relação à inflação". As declarações da presidente reduziram as apostas de elevação da Selic, a taxa básica de juros da economia. As taxas futuras, que já caíam desde a abertura do mercado, acentuaram o movimento imediatamente após as palavras da presidente.
Com as declarações de Dilma, os analistas entenderam que o governo acredita que a inflação no Brasil seja algo temporário e que o Banco Central poderá adiar o início do aperto monetário. As palavras de Dilma, na véspera da divulgação do Relatório Trimestral de Inflação, também foram criticadas por alguns agentes, porque atrapalharia o esforço do presidente do BC, Alexandre Tombini, em ancorar as expectativas do mercado.
(Com Estadão Conteúdo)

FILME E AI, COMEU


CNJ eleva gastos e reproduz vícios dos tribunais

CNJ eleva gastos e reproduz vícios dos tribunais

VEJA

Órgão gastou um milhão de reais em 2012 com ajuda de custo de convocados para trabalhar em Brasília; gastos com diárias quintuplicaram

O plenário do CNJ: apenas 45 punições a magistrados
CNJ teve aumento progressivo nos gastos com diárias, passagens e ajudas de custo (Luiz Silveira/ Agência CNJ)
Criado para combater vícios da magistratura e melhorar a gestão do Judiciário, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) começa a reproduzir os mesmos problemas dos tribunais brasileiros. São processos que andam a passos lentos, pressões políticas, inchaço da máquina, aumento de gastos com passagens aéreas, contas de telefone e diárias, além de pequenos, mas simbólicos, malfeitos, como o uso de carro oficial por ex-conselheiros.
Dados solicitados com base na Lei de Acesso à Informação mostram, por exemplo, aumentos progressivos nos gastos com diárias, passagens, auxílio-moradia e ajuda de custo, como pagamento de despesas de mudança. O órgão gastou mais de 1 milhão de reais em 2012 com as mudanças de servidores ou juízes convocados para trabalhar em Brasília.
Com auxílio-moradia para servidores convocados ou juízes auxiliares, as despesas subiram de 355.000 em 2008 para 900.000 no ano passado. Em valores corrigidos pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acumulado no período, o gasto mais do que dobrou.
Os gastos com diárias praticamente quintuplicaram em quatro anos. Em 2011, o conselho despendeu 5,2 milhões com o pagamento para servidores, conselheiros e juízes auxiliares que viajaram para participar de seminários, reuniões, workshops, projetos ou para tocar as dezenas de programas do conselho.
Viagens – As despesas com passagens de avião também aumentaram progressivamente em razão da ampliação de programas. Em 2008, foram gastos 901.000 reais com viagens aéreas. O valor subiu para 2,3 milhões no ano passado. Mesmo quando corrigido pelo IPCA, o valor de 2008 é a metade do gasto de 2012.


Reservadamente, conforme assessores, o presidente do CNJ, ministro Joaquim Barbosa, critica a quantidade de programas e projetos abertos no conselho e que demandam gastos com passagens e diárias. De acordo com esses assessores, Barbosa considera que os conselheiros se valem desses programas para se autopromoverem.
A lista de programas inclui ações voltadas, por exemplo, para doação de órgãos, combate ao crack e gestão socioambiental. O site do CNJ já indica a quantidade de projetos em curso no órgão. O link "Programas de A a Z" mostra que há programas na área fundiária, de saúde, meio ambiente, direitos humanos, capacitação e execução penal.
Alguns deles geraram impactos positivos e serviram para suprir lacunas nem sempre preenchidas pelo Executivo. No entanto, estão em compasso de espera. Um dos programas foi voltado para dar efetividade à Lei Maria da Penha. Assim que entrou em vigor, a lei foi contestada inclusive em decisões judiciais.
Os mutirões carcerários também sofreram uma paralisia. Há mais de três meses o CNJ não faz uma inspeção em presídio, mesmo com a crise que atingiu o sistema carcerário de Santa Catarina no início do ano.
Outro lado – O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que o aumento dos gastos com diárias e passagens aéreas é resultado do desenvolvimento de programas em âmbito nacional. "Para cumprir sua missão constitucional, nos últimos anos, o CNJ tem desenvolvido diversos programas e projetos de trabalho, todos com projeção nacional, envolvendo a participação de todos os órgãos do Poder Judiciário, sejam federais ou estaduais", informou o CNJ.
A assessoria ainda argumentou que o aumento das despesas com auxílio-moradia resulta da reestruturação do órgão e do reajuste do valor pago entre 2008 e 2012. No início deste ano, por exemplo, o CNJ elevou o auxílio-moradia de 3 384 para 4 158 reais. O conselho afirmou ainda que uma instrução normativa do próprio CNJ garante aos juízes auxiliares uma passagem aérea de ida e outra de volta todo mês para sua cidade de origem. O benefício é concedido aos juízes auxiliares desde novembro de 2009.
A assessoria do CNJ informou que quando um presidente assume, os juízes convocados pelo antecessor deixam o cargo. Novos juízes são convocados, o que aumenta os gastos do conselho. A assessoria de imprensa acrescentou que o uso de carros oficiais é regulado por uma resolução do próprio conselho, que proíbe o uso para fins pessoais. O CNJ informou que os mutirões carcerários serão retomados no próximo mês. O primeiro será em Natal, no Rio Grande do Norte, seguido do Piauí em data ainda indefinida.
Tribunais – Aos gastos elevados, verificados pelo CNJ em vários tribunais do país, somam-se duas novas suspeitas. Na semana passada, foi revelado o pedido feito pelo então conselheiro Tourinho Neto – que encerrou seu mandato dia 19 – para que um colega julgasse rapidamente um processo de interesse de sua filha.
E partiu de um conselheiro a denúncia em plenário de que o CNJ estaria protegendo poderosos e punindo apenas juízes sem ligações políticas. "Quem tem poder alto tem dificuldade de ser punido nesse plenário", afirmou o conselheiro Jefferson Kravchychyn, representante da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), em sessão no início do mês.
(Com Estadão Conteúdo)

'BBB13': Agora milionária, Fernanda conquista de vez André

Reality show

'BBB13': Agora milionária, Fernanda conquista de vez André

Um dia depois de sair do programa com o prêmio de 1,5 milhão de reais, mineira confirma que namoro com André continua fora da casa - e fala até de casamento

Fernanda e André assumem namoro pós-BBB
Fernanda e André assumem namoro pós-BBB - Reprodução
Entre um grande amor e o prêmio de 1,5 milhão de reais, Fernanda garantia que preferia ficar com o primeiro. Isso, claro, antes de ser escolhida pelo público como a vencedora do 'BBB13', e embolsar o prêmio principal na noite de terça-feira. Agora, ela não precisa mais escolher: já tem o dinheiro e, de quebra, ganhou o príncipe. Um dia depois de sair milionária da casa, a mineira conquistou também o coração de André. "Estamos juntos e vamos continuar com nosso relacionamento", afirmou ele nesta quarta, durante uma maratona de bate-papos promovida pela produção com todos os participantes.
Leia: Fernanda, a Barbie Turbinada, vence o BBB13
"Vou fazer o possível para nossa história continuar sendo linda. Eu queria ter ficado em segundo, mas estou feliz", continou o capixaba, que durante o confinamento não demonstrou tanto interesse assim na sister. Ainda extasiada com a vitória - e o romance -, Fernanda falou até em casamento, mas pediu calma aos fãs do casal. "É um príncipe, né? Mas tudo no seu tempo. Para que atropelar as coisas?" André concordou com a, agora oficial, namorada. Sexo, ambos garantem que ainda não rolou. "Ficamos juntos mas ainda não conseguimos ter o nosso momento", disse ele.
Leia mais: Nasser e Andressa, o casal com mais sorte no amor
Outros casais - Já Nasser e Andressa, segundo e terceiro colocados respectivamente, não foram tão enfáticos quanto ao futuro. Dizem preferir conversar a respeito antes, ao contrário de Kamilla e Elieser, que passaram toda a final grudados. "A gente está junto, se respeita", conta a miss. "Chamam a gente de casal panda", revelou o modelo.
Vote: Em que casal você aposta para continuar o romance fora do programa?
Aline, a primeira eliminada que continua sem papas na língua, opinou sobre os relacionamentos, e diz não acreditar em nenhum deles. Sobre Fernanda e André: "Os dois são falsos". A respeito de Kamilla e Elieser: "Ele é um cavalheiro e está apaixonado de verdade. Mas ela não é mulher para ele". E o noivado que ela mantinha fora da casa? Continua muito bem, garante.

Charlie Sheen diz que pode salvar Lindsay Lohan

Charlie Sheen diz que pode salvar Lindsay Lohan

VEJA

Além da ajuda financeira, agora o ator quer dar conselhos para colocar a garota problema no caminho certo. “Se me ouvir, ela vai se dar bem"

Lindsay Lohan e Charlie Sheen
Lindsay Lohan e Charlie Sheen (John Shearer e Riccardo S. Savi/Getty Images/AFP)
O ator Charlie Sheen, conhecido por ter um comportamento controverso e protagonizar barracos que envolviam brigas, internações, detenções e uso de drogas, agora decidiu se redimir e assumir o papel de salvador de outra estrela problemática: Lindsay Lohan.
Já que não consegue um mentor mais apropriado, Lindsay tem aproveitado a ajuda dada por Sheen, que já ofereceu dinheiro para pagar dívidas da atriz, bancou vestido de gala e a convidou para atuar em sua nova série, Anger Management.
“Eu tenho uma afinidade com uma pessoa [Lindsay] que claramente precisa de ajuda, queira ela ou não. Ela pode continuar saindo com seus amigos de balada, ou me dar atenção e ouvir conselhos de um cara que já chegou ao fim da linha, e conhece bem o caminho dessa jornada”. Charlie disse ao site TMZ neste domingo. “Se me ouvir, ela vai se dar bem. Se não, ai é com ela”, concluiu
Charlie e Lindsay se tornaram próximos durante as filmagens de Todo Mundo em Pânico 5, que estreia em 12 de abril no Brasil.
O ator ainda afirmou que todo esse interesse pela garota não passa de uma sincera amizade. “Eu a amo, a respeito, e eu nunca encostei um dedo nela fora de cena. O que acha de mim agora, America?”, brincou sobre sua má reputação nos Estados Unidos.

Líder do PSC diz que Feliciano fica em comissão e ataca PT

VEJA

Líder do PSC diz que Feliciano fica em comissão e ataca PT


Após mais um dia de tumulto na Comissão de Direitos Humanos, o líder do PSC na Câmara, André Moura (SE), reafirmou nesta quarta-feira na tribuna da Casa que o deputado Marco Feliciano (PSC-SP) será mantido no comando do colegiado. Moura, que até agora havia evitado o confronto com os críticos do colega de bancada, aproveitou para atacar diretamente o PT.
“A posição do PSC é em caráter irrevogável. O Marco Feliciano vai cumprir o seu mandato”, disse o líder, que ironizou a postura dos petistas: “Será que julgar a indicação do PSC do deputado pastor Marco Feliciano é correto para um partido como o PT, que indicou dois mensaleiros condenados pela mais alta corte do país para a Comissão de Constituição de Justiça?”. Ele fazia menção a José Genoino (PT-SP) e João Paulo Cunha (PT-SP).
Com o apoio incondicional do PSC, a situação não deve mudar. Feliciano não cogita renunciar ao posto e os partidos contrários à permanência do deputado à frente da comissão não têm alternativa regimental para destitui-lo.
(Gabriel Castro, de Brasília)

quarta-feira, 27 de março de 2013

Perda de habitat deve acelerar extinção na Amazônia

Ambiente     VEJA

Perda de habitat deve acelerar extinção na Amazônia

Estudo publicado na revista 'Science' localiza regiões em que espécies de mamíferos, aves e anfíbios estão fadadas à extinção nas próximas décadas

Marco Túlio Pires e Elida Oliveira
O desmatamento na região amazônica e a falta de chuvas poderá transformar, permanentemente, parte da floresta em savana
Impacto do desmatamento da Amazônia não é sentido imediatamente, mas representa ameaça para o futuro dos animais vertebrados da região (iStockphoto)
O desmatamento é uma bomba-relógio para o futuro dos animais vertebrados da Amazônia, de acordo com uma pesquisa publicada nesta quinta-feira na revista Science. Pesquisadores da Universidade Rockfeller, nos Estados Unidos, e do Imperial College London, da Inglaterra, criaram um método que prevê o impacto da perda de habitat para espécies de mamíferos, anfíbios e aves.
O grupo de pesquisadores liderado por Oliver Wearn dividiu a Amazônia em áreas de 50 x 50 quilômetros quadrados e estudaram o impacto do desmatamento em cada local, com dados de 1978 a 2008, sobre 204 mamíferos, 332 aves e 214 anfíbios. Como resultado, os cientistas conseguiram apontar quantos animais podem desaparecer em cada área, conforme o avanço do desmatamento.
Quando uma espécie desaparece de uma localidade, ela ainda pode se refugiar em outro local, mas a biodiversidade já estará comprometida. Caso a espécie tenha somente aquela região por área de vida, sua extinção já pode ser esperada. Isso cria o que os pesquisadores chamam de "débito de extinção". Essa "dívida" ocorre quando as espécies de plantas e animais perdem seu hábitat, mas não desaparecem. A extinção da espécie às vezes leva várias gerações, mesmo após a perda de seu ambiente natural.
Espécies perdidas Amazônia
A estimativa dos pesquisadores é de que cada região da Amazônia perca, em média, nove espécies de vertebrados e que outras 16 entrem na fila da extinção até 2050. O estado que mais acumula "débito de extinção" é Tocantins, com 28 espécies; seguido pelo Maranhão, com 20 espécies; Rondônia, com 16; e Mato Grosso, com 11 espécies.
Calote — "Ou tomamos uma medida para dar um calote nesse débito ou vamos perder espécies nessas localidades”, diz o ecólogo Thiago Rangel, professor e pesquisador da UFG (Universidade Federal de Goiás), revisor do artigo da Science (leia entrevista abaixo). O "calote" que ele propõe é ampliar medidas de preservação e recuperação de áreas degradadas para que a fauna e a flora se reestabeleçam.
Os pesquisadores britânicos concluem que os próximos anos oferecem uma janela de oportunidade. “É preciso concentrar esforços em áreas com o maior 'débito de extinção'. Isso poderia reduzir a dívida a ser paga", escreveram. "Assim seria possível ajudar as espécies que ainda persistem, antes que elas desapareçam para sempre."


Thiago Rangel, ecólogo, professor e pesquisador da Universidade Federal de Goiás
 

"Podemos reverter a extinção"

Thiago Rangel
ecólogo, professor e pesquisador da Universidade Federal de Goiás. Foi revisor do artigo publicado na Science e publicou, ao lado dos resultados da pesquisa britânica, um texto analítico sobre o tema no Brasil


O que esse estudo adiciona ao que já se sabe sobre o desmatamento da Amazônia? Os autores britânicos desenvolveram uma análise estatística inovadora, com base em dados preexistentes, para chegar ao número do 'débito de extinção', conceito que já existia há cerca de dez anos, mas que nunca havia sido calculado na região amazônica. O estudo não trata da extinção total e final de uma espécie, mas do desaparecimento dela em uma localidade. Se houver representantes da espécie em outro local, elas não serão extintas totalmente. Mas se ocorrem somente na Amazônia, será a extinção final.
O que é o débito de extinção? O débito de extinção é um conceito para medir quantas espécies serão afetadas pelo desmatamento já realizado, mas que ainda não foram extintas. É como se a gente “devesse” algumas espécies por causa do desmatamento. Isso acontece porque, ao devastar uma área, as espécies não deixam de existir imediatamente. Levam-se alguns anos para que o impacto seja sentido. O método mostra quantas espécies serão extintas, mas não quais delas.

Como os pesquisadores chegaram a esses números? Eles dividiram a Amazônia em localidades (quadrados de 50 x 50 quilômetros). Depois, pegaram dados de bancos já existentes, como a distribuição de aves, mamíferos e anfíbios que existem em cada região da Amazônia. No Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), analisaram dados de desmatamento dos últimos 30 anos. O que fizeram a partir daí foi estimar quantas espécies devem ser perdidas em função da proporção de desmatamento que já ocorreu em cada localidade.

Em que isso pode ajudar na preservação da Amazônia? Ele mostra quantas extinções ainda não aconteceram em cada localidade e o que acontecerá até 2050 diz que se nada for feito. Com este indicador, podemos tomar as medidas necessárias e evitar a extinção local das espécies. 
Como é possível reverter essa extinção? Podemos estabelecer unidades de conservação na região, fortalecer a fiscalização e aumentar a conectividade entre as áreas por meio de corredores ecológicos. Tudo isso vai aliviar a pressão do impacto sobre as espécies que habitam a região. A regeneração florestal tem a maior capacidade de reverter os danos do desmatamento. A floresta tem capacidade de, ela mesma, recuperar uma área degradada pela agricultura ou desmatamento. Não precisa de investimento: é só cercar a área e deixar que ela se recupere. Em 20 anos, em média – dependendo dessa conectividade entre a área preservada e a devastada – ela já recupera 50% da biodiversidade original. Em 40 anos, teremos de 70 a 80% dessa biodiversidade recuperada. É uma medida até mais econômica que fazer as unidades de conservação.

Por que chegamos a esse ponto? Os mapas do avanço do desmatamento mostram duas frentes. Primeiro houve devastação gradual ao redor dos centros urbanos, como Belém, Manaus, Rio Branco. Depois, após 1970, houve o avanço da agricultura. Criou-se a Transamazônica e as demais rodovias para ocupar aquele grande “oceano verde”. Mas também neste mesmo período, durante o governo militar, houve muito incentivo para a agricultura no cerrado – e lá já perdemos 90% desta vegetação para a soja ou o pasto. O Brasil precisa decidir: já que pagamos pela preservação da Amazônia com a devastação do cerrado, vamos pensar agora em agricultura mais eficiente e moderada ou vamos optar pelo caminho mais fácil, que é expandir a fronteira agrícola para a Amazônia? 
A devastação na Amazônia tem diminuído nos últimos anos. Isso deve se manter? O Brasil tem feito a lição de casa. Nos últimos dez anos, a taxa de desmatamento anual caiu de 30.000 quilômetros quadrados para 6.000 quilômetros quadrados. Isso aconteceu porque aumentou o monitoramento via satélite das queimadas e da devastação. Mas a medida mais efetiva foi cortar o crédito rural para o agricultor que fizesse desmatamento ilegal.

A extinção deve ocorrer mesmo com o desmatamento em baixa? Com certeza. As espécies entrarão em extinção nessas localidades se nada for feito. Não tem jeito de frear o débito de extinção. Ou tomamos uma medida para dar um calote nesse débito ou vamos perder espécies nessas localidades.

A construção de usinas como Belo Monte contribuem para essa extinção? Não existe medida científica para o efeito que essas construções causam, mas de fato são empreendimentos de grande impacto. Represar o rio bloqueia a migração de peixes durante anos. Uma barragem certamente vai impactar na sobrevivência das espécies da região. É o que ocorre quando se desloca unidades de preservação para construir barragens. Há cerca de dois meses, a Câmara alterou cerca de oito unidades de preservação para poder liberar área para alagamento. Como pensar na preservação desses locais se eles não são feitos para serem permanentes?
Existe uma estimativa de quantas espécies amazônicas já desapareceram recentemente? São poucas e pontuais, porque o desmatamento começou nos últimos 30 anos e, comparativamente, a região ainda é bastante preservada. Mas os cálculos dos pesquisadores britânicos mostram que, em Tocantins, por exemplo, três espécies de mamífero já foram perdidas. No Maranhão e em Rondônia, uma espécie em cada Estado.

Estudo mostra que indicadores utilizados em políticas de preservação da Amazônia são pouco eficazes

Meio ambiente

Estudo mostra que indicadores utilizados em políticas de preservação da Amazônia são pouco eficazes

Cientistas não encontram relação entre o estado real de conservação e a previsão fornecida por ferramenta criada para assessorar investimentos

Floresta amazônica
Floresta amazônica: autores do estudo afirmam que governo brasileiro deve resolver problemas de posse de terras da Amazônia para aumentar chances de preservação da região (Odair Leal/Folhapress)
Pesquisadores da Universidade de Michigan, nos Estados Unidos, e do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), no Brasil, estão questionando os indicadores utilizados atualmente para nortear a política de investimentos em áreas de preservação da Amazônia. Em um estudo publicado no periódico Environmental Research Letters, os autores mostram que não há uma associação significativa entre o estado de conservação de áreas e a previsão fornecida pela ferramenta Rapid Assessment and Prioritisation of Protected Area Management (Rappam).
CONHEÇA A PESQUISA

Título original: Setting priorities to avoid deforestation in Amazon protected areas: are we choosing the right indicators?

Onde foi divulgada: periódico Environmental Research Letters

Quem fez: Christoph Nolte, Arun Agrawal e Paulo Barreto

Instituição: Universidade Michigan e Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon)

Dados de amostragem: 66 áreas de preservação na Amazônia brasileira, comparadas com trechos de florestas com características semelhantes, mas fora de áreas de conservação

Resultado: Não foram encontradas associações estatisticamente significativas entre o desflorestamento e os indicadores que, de acordo com o Rappam, tornam uma região alvo prioritário de investimentos de conservação. O único indicador do Rappam que foi fortemente relacionado à capacidade de evitar a devastação ambiental foi a ausência de conflitos pela posse da terra
Atualmente presente em mais de 50 países, o Rappam foi desenvolvido pelo World Wide Fund for Nature (WWF) que tem como objetivo ajudar a priorizar intervenções para melhorar o gerenciamento de áreas de preservação.  Ele funciona por meio de questionários enviados aos gestores das áreas preservadas, que devem avaliar 90 quesitos.
“Existem duas explicações possíveis para nossos resultados: ou o Rappam não mede corretamente os fatores ou o está medindo fatores que não são importantes para o sucesso da preservação das áreas”, explica Christoph Nolte, um dos autores do estudo.
Os pesquisadores analisaram 66 áreas de preservação na Amazônia brasileira e as compararam com uma parcela de floresta semelhante, fora da área de preservação. Utilizando imagens de satélites, eles calcularam os níveis de devastação em cada uma dessas áreas e, assim, estimaram a quantidade de devastação que cada uma teria sofrido se não fosse protegida.
Diante disso, os autores verificaram se as pontuações fornecidas pela ferramenta estavam relacionadas ao sucesso em evitar a devastação apresentado pelas diferentes regiões. Os resultados, porém, mostraram que não foram encontradas associações estatisticamente significativas entre o desflorestamento evitado e os indicadores que, de acordo com o Rappam, tornam uma região alvo prioritário de investimentos de conservação, como orçamento, equipe e ferramentas.