quarta-feira, 10 de abril de 2013

Diagrama de Pauling                          NIKS'




Por Luiz Ricardo dos Santos
Linus Carl Pauling
O diagrama de Pauling nada mais é do que um método de distribuir os elétrons na eletrosfera do átomo e dos íons. Este método foi desenvolvido pelo químico norte-americano Linus Pauling (1901-1994), com base nos cálculos da mecânica quântica, em virtude de este ter passado um tempo junto com seus fundadores: Borh, Shcrödinger e Heisenberg. Pauling provou experimentalmente que os elétrons são dispostos nos átomos em ordem crescente de energia, visto que todas as vezes que o elétron recebe energia ele salta para uma camada mais externa a qual ele se encontra, e no momento da volta para sua camada de origem ele emite luz, em virtude da energia absorvida anteriormente. Baseado na proposição de Niels Borh de que os elétrons giram ao redor do núcleo, como a órbita dos planetas ao redor do sol.
Uma lâmpada fluorescente, por exemplo, ela contém uma substância química em seu interior, obviamente formada por átomos, os elétrons presentes na eletrosfera destes átomos, ao receber a energia elétrica são excitados, e começam a saltar para outras camadas e ao retornarem emitem a luz.



Diagrama de Pauling
1s2 2s2 2p6 3s2 3p6 4s2 3d104p6 5s2 4d10 5p6 6s2 4f14 5d106p6 7s2 5f146d10 7p6 ...
Ordem crescente de energia

Número Quântico Principal (n): também conhecido como nível energético são representados pelos números inteiros correspondentes a:
  • K= 1 s
  • L=  2 s p
  • M= 3 s p d
  • N= 4 s p d f
  • O= 5 s p d f g
  • P= 6 s p d f g h
  • Q= 7 s p d f g h i...


Número Quântico Azimutal(l): é comumente conhecido como subnível energético e representado pelas (“s, p, d, f,”...), respectivamente, “s(Sharp), p(Principal), d(difuse) e f(fundamental)”.  Os subníveis energéticos são formados por orbitais, que comportam 2 elétrons com spins opostos segundo o Princípio da exclusão de Pauli.

  • s²= 1 orbital e 2 spins
  • p6= 3 orbitais e 6 spins
  • d10= 5 orbitais e 10 spins
  • f14= 7 orbitais e 14 spins


Número Quântico Magnético(m): o número quântico magnético é útil para identificação dos orbitais. Onde o orbital da direita tem valor (+) e os da esquerda valor (-). Por exemplo, utilizando o subnível f que possui um maior número de orbitais, temos:




Número Quântico de Spin (Ms): são representações em forma de seta dos elétrons distribuídos nos orbitais. O valor dos de cada spin é:
↑ Para cima é positivo Ms=+½(meio) e ↓ Para baixo é negativo e Ms=-½(meio)
Exemplo: é necessário fazer a distribuição eletrônica do átomo de Praseodímio:
Passo 1: procurar o elemento na tabela periódica e observar seu número atômico.
Utilizando o diagrama de Pauling e seguindo pelas diagonais obtém-se:

No átomo de Pr as camadas possuem:
K=2 elétrons, L=8 elétrons, M=18 elétrons, N=21elétrons, O=8 elétrons e P=2 elétrons.
Passo 2: dispor os spins em orbitais(aqui representados pelos quadrinhos) sendo

Para os íons a distribuição é diferente, visto que íons são átomos que possuem carga e são subdividos em Cátions - tem tendência de perder seus elétrons e Ânions – tem tendência de ganhar elétrons.
Para o Cátion de Pr+2 por exemplo, a distribuição passa a ser para 57 elétrons pois ele perde 2 em virtude de sua valência:

K=2 elétrons, L=8 elétrons, M=18 elétrons, N=19 elétrons, O=8 elétrons e P=2 elétrons.

Para um átomo de cloro, por exemplo, a distribuição é 17, porém para o ânion cloreto passa a ser de 18 elétrons por que ele ganha 1 elétron:
17Cl:
1s2
2s2 2p6
3s2 3p5 ou  1s2 2s2 2p6 3s2 3p5
K=2, L=8 e M=7 elétrons

17Cl-1:
1s2
2s2 2p6
3s2 3p6 ou  1s2 2s2 2p6 3s2 3p6
K=2, L=8 e M=8 elétrons

É importante salientar que no texto acima existem reticências demonstrando a continuação das camadas, níveis, subníveis etc. Simplesmente por que Pauling seguiu o raciocínio de Mendeleyev, sabendo que novos elementos ainda serão descobertos e ocuparão, por exemplo, a camada R nível 8 e subníveis s,p,d,f,g,h,i, j e assim por diante.

Bibliografia:
Russel, J. B. Química geral. São Paulo: Makron Books, 2004.
SHRIVER, DUWARD; ATKINS, PETER. Química inorgânica - 4ª edição. Porto Alegre, Bookman, 2008.
James Brady, Humiston Gerard E. QUÍMICA GERAL - VOL. 2 - 2ª EDIÇÃO.
Origem da Imagem: http://elproyectomatriz.wordpress.com

Princípio da Exclusão de Pauli





Por André Luis Silva da Silva
De acordo com a Química Quântica, para cada elétron em um átomo poderá ser associado um conjunto de valores referente aos quatro números quânticos, que determinarão a posição ocupada pelo elétron, incluindo o orbital, assim como a orientação em que executa seu movimento de rotação. “Existe uma restrição, todavia, quanto aos valores que esses números podem ter. Esta restrição é o Princípio de Exclusão de Pauli, que estabelece que dois elétrons em um átomo não podem ter todos os quatro números quânticos iguais. Isto significa que, se escolhermos um conjunto particular de valores para n, l e ml correspondente a um orbital particular (por exemplo, n=1, l=0, ml=0; o orbital 1s), poderemos ter apenas dois elétrons com valores diferentes do número quântico de spin, ms (isto é, s= +1/2 ou s= -1/2). Com efeito, isso limita a dois o número de elétrons em um dado orbital, também requer que os spins destes dois elétrons estejam em direções opostas”1.
Portanto, os valores dos quatro números quânticos podem ser atribuídos para cada elétron em um átomo, de acordo com as regras precedentes e o Princípio da Exclusão de Pauli. Uma maneira objetiva de prever a localização provável de um elétron no interior de um átomo (sua camada, subcamada e orbital) é através de um conjunto matemático de valores denominado números quânticos.
a) NÚMERO QUÂNTICO PRINCIPAL (n)
Representa a camada atômica em que o elétron se encontra. Seus valores são números inteiros positivos, sendo experimentalmente determinado com variação de 1 a 7. Representa a distância média do elétron em relação ao núcleo do átomo, sendo assim, quanto maior for o valor de n mais afastado este elétron estará.
b) NÚMERO QUÂNTICO AZIMUTAL (l)
Representa a subcamada, assim, a forma do orbital. Pode apresentar valores inteiros de zero até n-1. Quando l=0, tem-se a subcamada s e forma simetricamente esférica para o orbital, l=1 designa uma subcamada p e um orbital apresentando uma forma típica de dois lobos de um orbital p. De forma idêntica, l=2 representa uma subcamada d e l=3 uma subcamada f.
c) NÚMERO QUÂNTICO MAGNÉTICO (ml)
“O termo magnético é relativo ao fato de que os orbitais de uma dada subcamada possuem diferentes energias quantizadas, na presença de um campo magnético”2. O valor deste número quântico oferece informações a respeito da orientação de um orbital no espaço. Para a subcamada s apresenta valor zero, para a subcamada p pode assumir valores inteiros no intervalo de –1 a +1, para a subcamada d valores de –2 a +2 e para a subcamada f valores de –3 a +3.
c) NÚMERO QUÂNTICO SPIN (ms)
O quarto número quântico, denominado muitas vezes apenas de spin, representa o eixo de rotação do elétron no orbital. Possui valor de +1/2 e –1/2, “sendo atribuido o primeiro a uma rotação em sentido anti-horário e o segundo em sentido horário”3.
Na Tabela 1 há um sumário referente aos valores para os quatro números quânticos obtidos por algumas informações.
Nome Símbolo Característica especificada Informação fornecida Valores possíveis
Principal n Camada Distância média do núcleo 1, 2, 3, 4,...
Azimutal l Subcamada Forma do orbital 0, 1, 2,...(n-1)
Magnético ml Orbital Orientação do orbital -l, (-l+1),...0,... (l-1), l
Spin ms Spin Spin -1/2, -1/2
Referências:
1. HUMISTON, Gerard E.; BRADY, James E.; Química Geral, Ed. LTC, Rio de Janeiro/RJ – 2000.
2. RUSSELL, John B.; Química Geral vol.1, São Paulo: Pearson Education do Brasil, Makron Books, 1994.
3. ATKINS, Peter; JONES, Loreta; Princípios de Química: questionando a vida moderna e o meio ambiente, Porto Alegre: Bookman, 2001.
O modelo de Bohr do átomo é um modelo planetário em que os elétrons orbitam ao redor do núcleo atômico.
JabberWok, Wikipedia Commons
O Modelo de Bohr tem um átomo consistindo de um núcleo pequeno e carregado positivamente orbitado por electrões de carga negativa. Aqui está uma olhada no modelo de Bohr, que é às vezes chamado de modelo de Rutherford-Bohr.
Visão geral do modelo de Bohr ""
Niels Bohr propôs o modelo de Bohr do átomo em 1915. Porque o modelo de Bohr é uma modificação do modelo de Rutherford antes, algumas pessoas chamam de modelo de Bohr O modelo de Rutherford-Bohr. O modelo moderno do átomo é baseada na mecânica quântica. O Modelo de Bohr contém alguns erros, mas é importante porque descreve a maioria das características aceitáveis ​​de teoria atómica sem toda a matemática de alto nível da versão moderna. Ao contrário dos modelos anteriores, o modelo de Bohr explica a fórmula de Rydberg para as linhas de emissão espectral de hidrogênio atômico.

O modelo de Bohr é um modelo planetário em que os elétrons carregados negativamente órbita de um núcleo pequeno, com carga positiva semelhante aos planetas orbitando o Sol (exceto que as órbitas não são planas). A força gravitacional do sistema solar é matematicamente semelhante à força de Coulomb (elétrica) entre o núcleo carregado positivamente e os elétrons carregados negativamente.
Pontos principais do modelo de Bohr

     Elétrons orbitam o núcleo em órbitas que têm um tamanho definido e energia.
     A energia da órbita está relacionada com o seu tamanho. A energia mais baixa é encontrada na mais pequena órbita.
     A radiação é absorvida ou emitida quando um elétron passa de uma órbita para outra.

Bohr Model of the Atom

The Bohr Model of the atom is a planetary model in which the electrons orbit around the nucleus.
The Bohr Model of the atom is a planetary model in which the electrons orbit around the atomic nucleus.
JabberWok, Wikipedia Commons

The Bohr Model has an atom consisting of a small, positively-charged nucleus orbited by negatively-charged electrons. Here's a closer look at the Bohr Model, which is sometimes called the Rutherford-Bohr Model.

Overview of the Bohr Model

Niels Bohr proposed the Bohr Model of the Atom in 1915. Because the Bohr Model is a modification of the earlier Rutherford Model, some people call Bohr's Model the Rutherford-Bohr Model. The modern model of the atom is based on quantum mechanics. The Bohr Model contains some errors, but it is important because it describes most of the accepted features of atomic theory without all of the high-level math of the modern version. Unlike earlier models, the Bohr Model explains the Rydberg formula for the spectral emission lines of atomic hydrogen. The Bohr Model is a planetary model in which the negatively-charged electrons orbit a small, positively-charged nucleus similar to the planets orbiting the Sun (except that the orbits are not planar). The gravitational force of the solar system is mathematically akin to the Coulomb (electrical) force between the positively-charged nucleus and the negatively-charged electrons.

Main Points of the Bohr Model

  • Electrons orbit the nucleus in orbits that have a set size and energy.
  • The energy of the orbit is related to its size. The lowest energy is found in the smallest orbit.
  • Radiation is absorbed or emitted when an electron moves from one orbit to another. 

EM PORTUQUÊS O modelo de Bohr do átomo é um modelo planetário e...

O Efeito Fotoelétrico

O Efeito Fotoelétrico

Uma descrição

O Efeito Fotoelétrico ocorre quando luz de determinada frequência incide numa superfície de metal e faz com que elétrons sejam ejetados da superfície. Outra placa com maior energia potencial elétrica pode ser colocada na frente da primeira placa sem que seja iluminada para absorver os elétrons da primeira placa e para que se possa medir a corrente fotoelétrica.

A descoberta

O efeito foi observado pela primeira vez em 1887, de forma acidental por Frank Hertz, logo após ele ter demonstrado a natureza ondulatória da luz. Em 1899, J. J. thomsom demonstrou que as partículas ejetadas da placa de metal eram elétrons. O grande problema do efeito era que a energia dos elétrons ejetados não mudava com a intensidade da luz incidente, enquanto se esperava que a energia deles aumentasse quando expostos a um maior fluxo de energia eletromagnética.

Irônicamente, o efeito fotoelétrico exibe o aspecto de partícula da luz, que tem um aspecto dual e dependendo do experimento ela pode se manifestar ora como onda ora como partícula.

A quantização da luz

A Hipótese Quântica formulada por Max PLanck para resolver o problema da radiação de corpo negro foi um conceito radical para a Física. Ele teorizou que as partículas da superfície de um oscilador eletromagnético somente absorvem e emitem energia múltiplos de hν:

Onde h é a constante de Planck e ν é a frequência do fóton. Albert Einstein então interpretou que a luz era o sistema discreto formado por estes pacotes de energia, como uma partícula. Os físicos da época resistiram à ideia porque ela contradizia a figura estabelecida da luz como uma onda. Então ele encontrou o efeito fotoelétrico, que poderia apoiar sua teoria e chamou de fótons estes pacotes de luz.

Aplicações no dia-a-dia

Atualmente, o efeito fotoelétrico é utilizado em toda sorte de situações que vivemos no nosso cotidiano. "Graças ao efeito fotoelétrico tornou-se possível o cinema falado, assim como a transmissão de imagens animadas (televisão). O emprego de aparelhos fotoelétricos permitiu construir maquinaria capaz de produzir peças sem intervenção alguma do homem. Os aparelhos cujo funcionamento assenta no aproveitamento do efeito fotoelétrico controlam o tamanho das peças melhor do que o pode fazer qualquer operário, permitem acender e desligar automaticamente a iluminação de ruas, abrir e fechar portas de lojas, etc.

Os aparelhos deste tipo tornam possível a prevenção de acidentes. Por exemplo, nas empresas industriais uma célula fotoelétrica faz parar quase instantaneamente uma prensa potente e de grande porte se, digamos, o braço dum operário se encontrar, por casualidade, na zona de perigo."

 

Dirceu ataca Fux, compromete Dilma gravemente e diz que vai recorrer a corte internacional contra julgamento, o que é pura fantasia para tentar melar o jogo. E ainda faz ameaça velada. Dilma está prestes a indicar novo ministro para o STF



É estupendo!
Há muitos dias tenho tratado aqui com sarcasmo a absurda campanha que a imprensa, ou quase toda, move contra o deputado Marco Feliciano (PSC-SP). Campanha, sim, de caráter fascistoide! Os nossos luminares do teclado ainda não aprenderam que a democracia não proíbe ninguém de dizer besteira. Enquanto isso, a vergonha na cara fica por aí, esfaimando… José Dirceu, aquele condenado por corrupção ativa e formação de quadrilha — o chefe dela, segundo a Procuradoria-Geral da República —, concede uma entrevista à Folha e ao UOL em que, claro!, diz ser inocente. Repete  a acusação que gente ligada a ele já havia feito, segundo a qual o ministro Luiz Fux, antes ainda de ser nomeado, havia prometido inocentá-lo caso ganhasse uma vaga no Supremo. Em entrevista, Fux já admitiu o encontro, mas nega que tenha prometido um voto favorável. Dirceu diz também que vai recorrer à “Comissão Internacional de Direitos Humanos” (seja lá o que for isso) e, ora vejam!, faz uma ameaça nem tão velada assim caso Lula seja mesmo processado por alguns crimes do mensalão. O que o PT pretende fazer, não fica claro. Mas parece ser coisa grande. Será que vão botar os tanques na rua? Cercar o Supremo com os tontons-maCUTes? Não sei. Leiam trechos. Volto em seguida.
*
Folha/UOL – Como foi seu encontro com Luiz Fux?
José Dirceu - Eu não o conhecia, eu fui assediado moralmente por ele durante mais de seis meses para recebê-lo.
Como foi esse assédio?
Através de terceiros, que eu não vou nominar. Eu não queria [recebê-lo].
Quem são esses terceiros?
São advogados, não são lobistas. Eu o recebi, e, sem eu perguntar nada… Porque ele [hoje] dizer para a sociedade brasileira que não sabia [na época do encontro] que eu era réu do processo do mensalão é tragicômico. Soa ridículo, no mínimo, né? Como o ministro do STJ [cargo ocupado na época por Fux] não sabe que eu sou réu no processo? E ele tomou a iniciativa de dizer que ia me absolver. Textualmente.
(…)
Como é que o sr. se sentiu quando o ministro Fux votou pela sua condenação?
Depois dos 50 anos que eu tenho de experiência política, infelizmente eu já não consigo me surpreender. A única coisa que eu senti é a única coisa que me tira o sono. Nem a condenação me tira o sono porque tenho certeza que eu vou revertê-la.
(…)
A sua defesa vai apresentar recursos [para reverter a condenação]. O sr. tem esperança?
Vai apresentar. Depois do transitado em julgado, vamos para a revisão criminal. E vou bater à porta da Comissão Internacional de Direitos Humanos. Não é que fui condenado sem provas. Não houve crime, sou inocente; me considero um condenado político. Foi um julgamento de exceção, político.
(…)
Se o ex-presidente Lula não tem nada com isso, por que Marcos Valério é recebido por Paulo Okamotto, presidente do Instituto Lula e um de seus assessores mais próximos?
Boa pergunta para ser dirigida ao Paulo Okamotto. Eu nunca tive nenhum contato com Marcos Valério. Nem antes nem depois. E o Lula não tem nenhuma preocupação. Conheço os fatos, ele não tem nada a ver com isso. Absolutamente. A não ser que se queira, agora, dar um golpe que não conseguiram dar antes. Quer dizer, transformar o Lula em réu na Justiça brasileira. A não ser que se vá fazer esse tipo de provocação ao PT e ao país, à nação brasileira.
Voltei
O mais escandaloso na entrevista de José Dirceu é que ele deixa claro que a nomeação de Fux foi decidida no ambiente em que o então ministro do STJ prometeu inocentá-lo caso conseguisse a vaga no Supremo. Ele diz, claro!, não saber se tal promessa pesou na indicação. Ora… Então José Dirceu, um dos capas-pretas do PT, principal réu do mensalão, recebe um candidato ao Supremo que promete inocentá-lo, e esse homem é, de fato, indicado para o cargo, e devemos acreditar que uma coisa não tem nada a ver com a outra?
O ódio de Dirceu é tão grande que ele não se importa em confessar que a escolha de um ministro para o Supremo obedeceu aos mais baixos interesses. Não se pensava, então, no país, mas em livrar a cara de um poderoso chefão petista. A entrevista, é evidente, estoura na porta do gabinete de Fux, mas compromete ainda mais a presidente Dilma Rousseff. Trata-se de um verdadeiro escândalo.
Insônia
Fux que se cuide. Eu detestaria ser objeto da insônia de José Dirceu, e o ministro, segundo confessa o próprio condenado, povoa as noites maldormidas do chefão. Que ele não seja do tipo que perdoa, isso a gente já sabe…
Num país, digamos, razoável, tanto Fux como Dilma estariam obrigados a divulgar notas oficiais nesta quarta-feira. Ele tem de dizer se Dirceu mente ou fala a verdade quando sustenta que recebeu uma promessa de voto; ela tem de deixar claro que princípio orientou a escolha de Fux.
Fantasias de Dirceu
Dirceu decidiu enrolar o público com algumas fantasias. Não sei que diabo vem a ser “revisão criminal” nesse caso. Ele está se referindo aos embargos infringentes? Nem mesmo está claro se eles são cabíveis ou não no caso. Eu entendo que não. A Lei 8.038, vejam aí a íntegra, disciplina justamente os julgamentos nos tribunais superiores — também no STF. E não trata de “embargos infringentes” — vale dizer: da possibilidade de haver um reexame da decisão da maioria. Essa lei é de 1990. Na prática, ela tornou sem efeito o Artigo 333 do Regimento Interno do STF, que prevê os tais embargos. Os advogados de defesa até podem vir com essa história. Suponho que os ministros do Supremo, responsáveis que são, dirão o óbvio: um artigo de um regimento interno, mesmo do Supremo, não pode mais do que a lei. Vamos ver.
A “Comissão Internacional de Direitos Humanos”, de que ele fala, deve ser a Comissão Interamericana de Direitos Humanos — à qual ele já havia dito que não recorreria… Pelo visto, mudou de ideia. É pura conversa mole. Recorrer à comissão por quê? Ele teve, por acaso, cerceado seu direito de defesa? Ainda que recorresse e ainda que seu pleito fosse acolhido, é bom Dirceu ler a Constituição brasileira. A instância máxima da Justiça é o Supremo Tribunal Federal. E ponto! Esses petistas são mesmo curiosos. Quando a questão de Belo Monte foi parar na Comissão e depois na Corte Interamericana de Direitos Humanos, os petistas deram de ombros e ainda acharam uma ingerência indevida na política interna brasileira.
Melar o jogo
Os mensaleiros e alguns de seus advogados ainda não desistiram de tentar melar o jogo. Essa entrevista de José Dirceu vem coordenada com uma tentativa de Márcio Thomaz Bastos de impedir a publicação do acórdão do julgamento. São esforços para tentar colar em todo o processo a pecha de “julgamento de exceção”.
Lula e a ameaça
Vejam lá como Dirceu se refere à possibilidade de que Lula se torne réu num dos processos do mensalão. Diz que será uma “provocação ao PT, ao país, à nação brasileira”. Se Lula atropelar sem querer um gato, esse gato será atropelado pela nação brasileira. Quando mantinha relações especiais e ancilares com uma funcionária da Presidência da República, quem comparecia para os eventos era a “nação brasileira”. Assim, caso se torne réu, ré, então, será a nação brasileira. É uma besteira, mas também é uma ameaça. 
Tenho cá as minhas desconfianças se Dirceu, no fundo, não torce por isso. Caso Lula também se torne réu, ele se perfila ao lado do outro, um tantinho mais popular, e se diz também uma “vítima”.
Eis aí. Um quadro dirigente de um dos maiores partidos políticos do país, que está no poder há 10 anos, revela que ministro foi nomeado para o Supremo depois de lhe prometer um voto, força a mão para desmoralizar o tribunal e ainda faz ameaças veladas aos órgãos de investigação do estado. E os bananas ficam por aí perseguindo um deputado porque, no fim das contas, não gostam de suas opiniões.
LEMBREM-SE: DILMA ESTÁ PRESTES A INDICAR UM NOVO MINISTRO DO SUPREMO. Há dias, a presidente esteve com o tributarista Heleno Torres. Torres já afirmou sobre o julgamento do mensalão o que segue em vermelho:
“O Tratado do Pacto de San José proclama direito de recorrer da sentença a juiz ou tribunal superior. Por tudo isso, no final, a Corte Interamericana terá que anular esse julgamento, sob pena do seu absoluto descrédito”.

Condutor elétrico


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Cabo de transmissão de energia
Condutores são utilizados na confecção de linhas de transmissão de energia elétrica.
Condutores, no contexto da física e da engenharia elétrica, são materiais nos quais as cargas elétricas se deslocam de maneira relativamente livre. Quando tais materiais são carregados em alguma região pequena, a carga distribui-se prontamente sobre toda a superfície do material.[1]
Nos sólidos que possuem elétrons livres, como os metais, é possível que a carga elétrica seja transportada através deles, por isso dizemos que são condutores de eletricidade.[2] Nesses materias, o movimento de cargas elétricas é composto por cargas negativas.[3] Materiais como o cobre, o alumínio e a prata são bons condutores.
Sais, quando dissolvidos ou fundidos, subdividem-se em partículas eletricamente carregadas que, agora livres, também permitem o movimento de cargas em seu interior.[4]
Isolantes não permitem o movimento de cargas elétricas em seu interior. Entretanto, se a tensão elétrica aplicada em suas extremidades for superior a sua rigidez dielétrica, tornar-se-á um condutor.[5]
Trabalhos realizados sobre uma nova classe de condutores, feitos a partir de polímeros, foi o motivo que concedeu o Nobel de Química de 2000 aos seus premiados.[6][7]

Propriedades

Resistência

Quando uma tensão elétrica é aplicada entre duas extremidades de um condutor, uma corrente elétrica é estabelecida, fluindo de uma extremidade até outra. A oposição que o condutor faz à passagem dessa corrente, numa determinada tensão, pode ser caracterizada pela relação:
R = {V \over I}
Onde V é o valor da tensão aplicada, medida em Volts e I é o valor da corrente fluindo pelo condutor, medida em Ampères. R é a resistência elétrica, medida em Ohms.[8][9]

Ôhmicos e não-ôhmicos

Gráfico mostrando resistência de condutores ohmicos e não-ohmicos
Em condutores ôhmicos, a relação tensão por corrente é linear, como a reta vermelha deste gráfico.
Condutores que apresentam sempre uma determinada corrente elétrica fluindo, em determinada tensão, consequentemente tem sempre a mesma resistência. Tais condutores são denominados ôhmicos, por obedecerem a lei de Ohm. Quaisquer outros condutores que não se comportem consistentemente com tal lei são denominados não-ôhmicos.[9][10]

NIKS'

Resistividade

A propriedade elétrica que determina se um material apresenta grande ou baixa resistência á passagem da corrente elétrica é a denominada: resistividade elétrica, típica de cada material e representada pela letra grega ρ.Esta é mensurada através da resistência(R), área de seção transversal(A) e distância entre os pontos de condução(l).Sua fórmula é:
ρ = R*A/l
E sua unidade de medida é o ohm-metro (Ω-m).

Condutividade

Mas para se determinar se um material é bom ou mau condutor usa-se outra grandeza elétrica: a condutividade,representada pela letra grega, σ (lê-se sigma) .Que nada mais é que o inverso da resistividade elétrica, ou seja:
σ = 1/ρ
Sua unidade de medida é o [(Ω-m)^-1].
Condutores: apresentam condutividade alta, em torno de 10^7 [(Ω-m)^-1].
Abaixo há uma tabela com os valores de condutividade elétrica para alguns metais e ligas:
Tabela de condutividade
Tabela de condutividade eletrica de diversos metais

Estrutura de banda de energia (sólidos)

A condutividade elétrica está ligada fortemente ao número de elétrons disponíveis para a condução e estes buscam preencher os estados de energia mais baixos (estabilidade) a não ser que sejam submetidos à ação de forças externas (campo elétrico, por exemplo). A banda de energia eletrônica (ou banda de valência) é formada por estados atômicos que se dividem em subestados, ou estados eletrônicos. Quanto mais externas as camadas eletrônicas mais estas contribuem para a formação da banda eletrônica que é formada pelos elétrons da camada de valência do átomo. A banda vazia (ou banda de condução), como seu nome diz, é onde ocorre a condução elétrica propriamente dita, o movimento ordenado de elétrons por meio de uma diferença de potencial (d.d.p.).Quanto mais distantes as bandas, menor a condutividade elétrica.[11] Existem apenas quatro tipos de estruturas de bandas a 0K (zero absoluto), e estão mostradas na figura abaixo:
Imagem das estruturas de banda
Estruturas de bandas a 0K.
a) Típica de metais que apresentam um elétron na camada s; b) Encontrada em outros metais, há superposição de bandas (vazia com preenchida); c) Típica de isolantes, apresenta grande espaçamento entre bandas (gap); d) Característica dos semicondutores, tem distância pequena (< 2 eV) entre as bandas.

Características

Nos metais há imperfeições na estrutura cristalina que os levam a alterar sua resistividade, e por consequência sua condução. Segue abaixo a representação equacional dos responsáveis pela resistividade dos metais:
ρtotal = ρt + ρi + ρd (regra de Matthiessen)
em que ρt, ρi e ρd, são, respectivamente, as contribuições das resistividades térmicas(vibrações), devido á impurezas, e da deformação (plástica).[12]
Para os condutores, o aumento da temperatura resulta diretamente num aumento de resistividade, por conta de haver mais choques entre elétrons o que dificulta seu movimento ordenado. Tal aumento é linear e demonstrado pela fórmula:
ρt = ρo + αT
sendo ρo e α, constantes para cada material específico.

Morre Robert Edwards, criador da fertilização in vitro

Memória


O britânico, ganhador do prêmio Nobel de Medicina de 2010 por seus estudos sobre infertilidade, é considerado o 'pai' do primeiro bebê de proveta do mundo

Robert Edwards posa para foto ao lado de Louise Brown e seu filho (à direita), e Lesley Brown (centro), mãe de Louise. A foto foi tirada no dia 12 de julho de 2008, às vésperas do trigésimo aniversário de Louise, primeiro bebê de proveta do mundo.
Robert Edwards ao lado de Louise Brown e seu filho (à direita), e Lesley Brown (centro), mãe de Louise. A foto foi tirada no dia 12 de julho de 2008, às vésperas do trigésimo aniversário de Louise, primeiro bebê de proveta do mundo (Bourn Hall Clinic/AFP)
Morreu nesta quarta-feira, aos 87 anos, o embriologista britânico Robert Edwards, ganhador do prêmio Nobel de Medicina de 2010 e criador do método de fertilização in vitro. Segundo comunicado da Universidade de Cambridge, da qual o cientista era professor, Edwards faleceu tranquilamente enquanto dormia “após uma longa doença”.
Robert Edwards é conhecido como o "pai" do primeiro bebê de proveta do mundo, a britânica Louise Brown, nascida em 1978. Suas pesquisas sobre fecundação começaram em meados da década de 1950, e a técnica desenvolvida por ele possibilitou o nascimento de mais de quatro milhões de pessoas.


"Bob Edwards era um homem notável, que mudou a vida de muitas pessoas. Ele não era apenas um visionário em sua ciência, mas também na sua comunicação com o público em geral sobre as questões científicas nas quais ele foi um grande pioneiro. A sua morte será muito sentida por seus colegas, alunos, família e todas as pessoas que ele ajudou a ter filhos”, disse, em comunicado, Martin Johnson, professor de ciência da reprodução da Universidade de Cambridge.
Biografia — O britânico, nascido em 1925 em Manchester, estudou biologia nas universidades de Gales e na de Edimburgo. A partir de 1958, começou a trabalhar no processo de reprodução humana. Em 1963, na cidade de Cambridge, fundou, junto com Patrick Steptoe (falecido em 1988), o primeiro centro de pesquisas para a fecundação in vitro.
Edwards foi agraciado com o Nobel de Medicina em 2010 pois conseguiu, com seus estudos, vencer "desafios monumentais" no campo da ciência, e seu êxito representou uma "revolução" no tratamento da infertilidade, segundo afirmou na época o Instituto Karolinska, responsável por escolher os vencedores do prêmio.

Seul eleva alerta para 'ameaça vital' ante ataque iminente

Ásia


Coreia do Sul e EUA elevam estado de vigilância das forças de defesa após inteligência americana indicar que lançamento norte-coreano está próximo

Coreia do Norte exibe míssil Nodong durante desfile militar
Coreia do Norte exibe míssil Nodong durante desfile militar - Reprodução
O comando conjunto das forças da Coreia do Sul e Estados Unidos na península coreana elevou nesta quarta-feira o estado de alerta de seu sistema de defesa para o nível de "ameaça vital". A decisão foi tomada após a coleta de indícios, pela inteligência americana, que apontam para a iminência de a Coreia do Norte realizar testes de mísseis balísticos. Segundo fontes da Casa Branca, o regime de Pyongyang terminou seus preparativos de lançamento.


O estado de vigilância das tropas sul-coreanas e americanas foi elevado de "Watchcon 3" para "Watchcon 2", nível ativado quando se considera que existe uma grande ameaça. Na escala só existe um nível maior de alerta, que é ativado em ocasiões de guerra. O sistema "Watchcon" é semelhante ao "DEFCON" utilizado pelas Forças Armadas dos Estados Unidos para determinar o estado de prontidão das tropas diante de ameaças de segurança.
Segundo imagens obtidas por satélite nos últimos dias, acredita-se que a ditadura comandada por Kim Jong-un transferiu mísseis balísticos Musudan, de alcance médio, a seu litoral leste, e os montou em plataformas de lançamento. Estes projéteis, que aparentemente nunca foram testados pelo regime, têm um suposto alcance de 3.000 ou 4.000 quilômetros, o que em teoria permitiria atingir alvos no Japão ou nas bases americanas da ilha de Guam, no oceano Pacífico.


Representantes do governo sul-coreano e especialistas acreditam que o regime comunista pode realizar um ou vários lançamentos de teste nesta semana ou na próxima. Uma data especialmente considerada é 15 de abril, aniversário do fundador do país, Kim Il-sung, avô do atual ditador Kim Jong-un.
As imagens obtidas por satélite também revelaram a preparação na faixa leste do litoral norte-coreano de mais plataformas móveis de lançamento, aparentemente para mísseis Scud com alcances menores que o Musudan, o que segundo a inteligência sul-coreana indica que Pyongyang poderia realizar vários lançamentos simultâneos – o que aparentaria um ataque.
Diante de tais indícios, a Coreia do Sul preparou dois navios com sistemas para interceptar mísseis em suas costas do Mar Amarelo (Mar Ocidental) e do Mar do Leste (Mar do Japão). Seul também pôs em funcionamento o sistema de radar defensivo terra-ar Green Pine e o sistema de alarme antecipado Peace Eye, que consta de quatro aviões de vigilância Boeing 737 AEW&C.
Tensão – Para evitar que um eventual míssil atinja seu território, o governo japonês instalou nesta terça-feira baterias de mísseis Patriot Advanced Capability-3 (PAC-3) em Tóquio e seus arredores e enviou destróieres com sistemas Aegis ao Mar do Japão.


Já a Coreia do Norte elevou ainda mais a tensão regional ao recomendar oficialmente que os estrangeiros saiam da Coreia do Sul para não serem "afetados em caso de guerra". O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, disse nesta terça-feira que as tensões na península coreana podem escapar do controle, depois que a Coreia do Norte advertiu estrangeiros a deixarem a região para evitar serem pegos em uma "guerra de retaliação".
 
"O atual nível de tensão é muito perigoso. Um pequeno incidente causado por erro de cálculo ou erro de julgamento pode criar uma situação incontrolável", afirmou a jornalistas em Roma, onde se encontrou com o presidente italiano, Giorgio Napolitano, e com o papa Francisco. Ban disse que pediu às autoridades norte-coreanas que se abstenham da "retórica provocativa" e aos países vizinhos para tentarem exercer sua influência sobre Pyongyang.

Inflação acima da meta comprova descaso do governo

Consumo


O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu 0,47% em março, acumulando alta de 6,59% em 12 meses e ultrapassando o teto da meta do BC

Naiara Infante Bertão
Supermercado
Estouro da meta: inflação subiu 6,59% em 12 meses até março (Luciano Amarante)
A maior relevância do anúncio sobre o estouro da meta de inflação em março (em taxa anualizada) encerra, de uma vez por todas, a discussão sobre a leniência do governo em relação ao avanço dos preços. Os números - e apenas eles - confirmam tal descaso. O que disse a presidente Dilma Rousseff sobre a orientação do governo em relação à inflação, há algumas semanas, em Durban, na África do Sul, comprovou-se - ainda que ela tenha desmentido rapidamente o fato, para tentar conter o stress do mercado. Dilma havia afirmado que não era preciso sacrificar o crescimento econômico para combater a inflação. Diante da concretude de um IPCA acumulado em 6,59% em 12 meses, seria bom que o governo parasse com movimentos hipócritas e jogo de palavras. O fato é que, ao longo dos dois anos de governo Dilma, a retórica econômica ditada pela própria presidente serviu para combater os inimigos errados - e deixou sair ilesa a inflação.
O mandato da presidente Dilma Rousseff começou, em 2011, com a inflação aquecida – resultado, em parte, dos gastos exacerbados no fim do governo Lula e do ritmo acelerado de crescimento puxado pelo consumo do mercado interno. O IPCA de janeiro de 2011 ficou em 0,83%, maior taxa mensal desde abril de 2005 (0,87%). No acumulado em 12 meses, o índice estava em 5,99% e acima do verificado nos 12 meses terminados no mês anterior (5,91%).
Começo equivocado - Contudo, a equipe econômica era taxativa ao afirmar que o avanço inflacionário era causado pelo choque de preços no mercado internacional e que o Brasil estava "importando" esse movimento - ou seja, que não se tratava de um descontrole local. Diante de tal certeza, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, pilotou uma série de medidas para conter problemas que, em sua avaliação, eram mais graves que a inflação - como a chamada "guerra cambial".
Para sanar tal incômodo, o ministro lançou mão de sucessivos aumentos no Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) para frear a entrada de dólares no Brasil e, com isso, tentar desvalorizar o real - em julho de 2011, o dólar chegou a ser cotado a 1,57 real. Na avaliação do governo, a moeda brasileira estava muito apreciada e tal situação - que era reflexo dos fundamentos do país na época - prejudicaria as exportações de manufaturados e estimularia a entrada de importados no mercado brasileiro - algo visto como ruim para o PT, já que os importados concorrem e ganham da indústria local e podem comprometer a criação de empregos.
No final daquele mesmo ano, após sucessivos aumentos do IOF para coibir entrada de dólares por meio de investimentos de curto prazo no mercado financeiro, a moeda americana, enfim, atendeu aos anseios do Planalto e começou a se valorizar, chegando perto de 1,90 em outubro - movimento que impactou o avanço da inflação porque encareceu as importações, sobretudo de insumos agrícolas.
Ainda em 2011, mesmo lançando mão do IOF para combater o real forte, o Banco Central era adepto de alguma ortodoxia e utilizava a taxa básica de juros (a Selic) como forma de tentar conter a inflação acelerada - os juros subiram até o final do primeiro semestre, quando chegaram a 12,5%. Porém, num movimento inesperado e muito criticado, o BC passou a reduzir a Selic a partir da reunião de julho de 2011, antevendo um agravamento da crise do euro. Ao final daquele ano, a inflação tocou o teto da meta de 6,5% diante de uma Selic em franca desaceleração e um Produto Interno Bruto (PIB) decepcionante: a economia havia crescido apenas 2,7% em 2011. À época, a desculpa da economia superaquecida já não era justificativa para a inflação alta, como ocorreu em 2010.
A tendência de queda da Selic perdura, à revelia do mercado. Desde julho de 2011 a taxa básica de juros é mantida estável ou em queda, seja qual for o desempenho do IPCA. Ao longo de 2012, a autoridade monetária se negou a reconhecer a necessidade de aumentar a Selic como forma de combater a alta dos preços. Apenas na reunião de março deste ano houve uma leve mudança no comunicado que acompanhou a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), evidenciando a possibilidade de uma possível subida dos juros. Contudo, segundo economistas, tal movimento já deveria ter começado há muito tempo. "Nossa visão é de que, para fortalecer sua credibilidade e frear a deterioração da inflação, o Banco Central precisa agir logo. Não há razão para não subir o juros, diante do atual cenário", aponta o economista do banco Goldman Sachs, Alberto Ramos, em comunicado enviado a investidores após a divugação do IPCA na manhã desta quarta.
Política industrial - Além de tentar conduzir, artificialmente, a cotação do dólar, nos últimos dois anos, o governo também valeu-se de uma política industrial com viés protecionista com o objetivo de melhorar a situação da indústria brasileira. Ele acreditava que, ao reduzir o custo Brasil, poderia estimular o crescimento de investimentos no país. Para isso, criou uma política industrial baseada em desonerações para setores castigados pela concorrência externa, compras governamentais que dão preferência a fornecedores nacionais e uma série de estímulos para que a indústria brasileira conseguisse avançar, apesar das adversidades. Contudo, o plano - chamado de Brasil Maior - é uma colcha de retalhos desconexa e complexa até mesmo para a própria indústria que é alvo das benesses. E, até o momento, ele falha em conseguir reduzir o custo Brasil, ao mesmo tempo em que promove uma queda colossal na arrecadação do governo.
Os estímulos artificiais do estado exercem peso sobre os preços, assim como o dólar valorizado. A demanda, por sua vez, não cede - e é garantida pela expansão do setor de serviços, cujo PIB cresceu 4,4% no acumulado de 2011 e 2012, e vem ajudando a garantir os empregos que a indústria não consegue manter. "Ao pretender responder a todas as demandas do empresariado, dos consumidores e de quem mais bater à porta do governo, ele acaba produzindo um conjunto de medidas bem intencionadas, mas dotadas de baixa eficácia para promover os objetivos preconizados: expansão do investimento e do crescimento”, diz Felipe Salto, da Tendências Consultoria.
Optar por subir a Selic neste momento é uma alternativa que trará ônus político para a presidente Dilma - sobretudo quando se constata que a corrida eleitoral está a todo vapor. Porém, ela não só é necessária, como urgente. “Essas medidas (as desonerações) mostram certo desespero por parte do governo, que tenta combater a inflação com mecanismos de natureza popular, usados como instrumento político e eleitoral - e que não são os mais adequados”, afirma o professor do Insper, Otto Nogami.