segunda-feira, 8 de abril de 2013

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Super Carros antigos 3


Gol faz venda antecipada de milhas Smiles

Aviação


Acordo envolve venda antecipada de milhas no valor de R$ 400 milhões com os bancos Bradesco, Banco do Brasil e Santander

Aeronave da Gol no Aeroporto de Congonhas, São Paulo
Smiles, subsidiária da Gol, pode levantar R$ 1,346 bilhão com IPO (Reinaldo Canato)
A Gol Linhas Aéreas anunciou nesta segunda-feira que sua subsidiária Smiles concluiu um acordo de venda de milhas antecipadas com os bancos Bradesco, Banco do Brasil e Santander em cerca de 400 milhões de reais. Esse valor, segundo comunicado enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), deverá ser recebido pela Smiles em 30 de abril.

Nesta segunda-feira também a companhia anunciou detalhes da oferta inicial de ações (IPO na sigla em inglês) do Smiles e um acordo com a firma de investimentos e private equity General Atlantic Service Company também no valor de 400 milhões de reais por meio de fundo de investimento de participações (FIP). O acordo foi realizado numa negociação privada, mas será liquidado no processo de oferta de ações. A General Atlantic não participará do procedimento de coleta de intenções de investimento (bookbuilding).

A Smiles S.A. fará oferta pública de distribuição primária de 38.647.343 ações ordinárias, que pode ser aumentada em 15% em lote suplementar e 20% em adicional, caso haja maior demanda do que a oferta inicialmente colocada, totalizando 52.173.913 papéis.

A faixa de preço sugerida por ação é de 20,70 reais a 25,80 reais. Considerando que as ações sejam precificadas no teto deste intervalo de preços e que todos os lotes (inclusive os extras) sejam vendidos, o IPO da Smiles poderá alcançar 1,346 bilhão de reais. O período de reserva começa em 15 de abril e vai até 24 de abril. As apresentações a potenciais investidores (roadshow) e o procedimento de bookbuilding vão desta segunda-feira até 25 de abril, quando será fixado o preço por ação. Os coordenadores da oferta são os bancos Credit Suisse (líder), Itaú BBA, Bradesco BBI, Morgan Stanley, Deutsche Bank, Santander e BB Investimentos.

Abertura de capital - A companhia aérea dividiu no fim do ano passado suas operações do programa de relacionamento Smiles das atividades da Gol. Assim, uam nova empresa foi criada sob o nome Smiles S.A. - o primeiro passo para a abertura de seu capital. Até então, as atividades do programa de relacionamento eram conduzidas por sua controlada VRG.

A separação entre o programa de milhagens Smiles e a empresa aérea já havia sido adiantada ao longo do ano passado, quando o presidente da empresa, Paulo Kakinoff, afirmou que haveria uma reestruturação e uma possível estreia da Smiles na bolsa de valores.


(com Estadão Conteúdo)

Corte aceita apelo de Mubarak, que terá novo julgamento

Egito


Mubarak e o ex-ministro Habib al-Adli foram condenados à prisão perpétua em junho do ano passado pelas mortes de manifestantes para sufocar revolta

Hosni Mubarak em 19/10/2010
Juízes poderão considerar saúde de Mubarak ao emitir um veredicto (Amr Abdallah Dalsh/Reuters)
Um tribunal egípcio aceitou neste domingo o recurso do ex-presidente deposto Hosni Mubarak e de seu ex-ministro do Interior permitindo um novo julgamento sobre os assassinatos de manifestantes no levante de 2011.
Mubarak e o ex-ministro Habib al-Adli foram condenados à prisão perpétua em junho do ano passado pelas mortes de manifestantes por forças de segurança que tentaram sufocar a revolta.
"O tribunal decidiu aceitar o recurso interposto pelos réus e ordena um novo julgamento", informou o juiz Ahmed Ali Abdel Rahman.

O ex-líder de 84 anos de idade foi transferido da prisão para um hospital militar no final de dezembro depois de quebrar costelas em uma queda.
"O novo julgamento será baseado na mesma evidência usada no julgamento anterior. Nenhuma evidência nova será adicionada ao caso", disse Mohamed Abdel Razek, um dos advogados de Mubarak
Ele acrescentou que o novo painel de juízes poderia considerar a saúde de Mubarak ao emitir um veredicto. O tribunal também ordenou um novo julgamento dos assessores de al-Adli.
(com Reuters)

'Gênesis' é tributo de Sebastião Salgado à Terra virgem

Fotografia


Fotógrafo brasileiro lança, neste mês, o livro que resultou de seu último grande projeto, que envolveu sete anos de trabalho e viagens ao redor do mundo

Foto que integra o projeto Gênesis, do fotógrafo Sebastião Salgado
Foto que integra o projeto Gênesis, do fotógrafo Sebastião Salgado (Sebastião Salgado/EFE)
Após oito anos e mais de 30 viagens buscando a natureza em estado original, nasceu Gênesis, o último grande projeto do fotógrafo Sebastião Salgado, um livro de mais de 500 páginas de aterradoras imagens com toda as tonalidades possíveis do preto e branco, que será lançado neste mês.
Após trabalhos mundialmente conhecidos como Trabalhadores e Êxodos, Gênesis é a homenagem de Salgado a uma porção do planeta Terra que permanece virgem, driblando de forma quase milagrosa o desenvolvimento e a incursão da sociedade moderna. O projeto, realizado entre 2004 e 2012, é composto por 520 páginas, divididas nos capítulos Extremo Sul do Planeta, Extremo Norte do Planeta, África, Amazônia/Pantanal e Santuários do Planeta.
O livro não traz só imagens de paisagens naturais, inclui também retratos de pessoas que vivem em equilíbrio natural com seu ecossistema, como a tribo dos Zo'e, isolada na Floresta Amazônica, os criadores de gado nômades Dinka no Sudão e a etnia Korowai de Papua Nova Guiné.
Como parte do último grande projeto de Salgado, o cineasta Win Wenders (Asas do Desejo) fará um filme em parceria com o fotógrafo. Haverá, ainda, uma exposição que percorrerá a partir do dia 11 cidades como Londres, Rio de Janeiro, Roma, Toronto, Paris e Lausanne, na Suíça.
Nascido em 8 de fevereiro de 1944 na cidade de Aimorés (MG), Salgado é considerado um dos fotógrafos mais importantes do Brasil. Em 1994, ele fundou em Paris sua agência, As Imagens da Amazônia. Ele, porém, já afirmou que, devido à idade avançada (67 anos), não voltará a fazer projetos como esse, que demandou sete anos de trabalho e viagens ao redor do mundo.
(VEJA Com agência EFE)

Um Marcos Valério no Paraná?

Contas públicas


Movimentação atípica de recursos leva o Tribunal de Contas da União a investigar uma pequena agência de publicidade paranaense

Marcos Valério
Marcos Valério (Reprodução)
O Tribunal de Contas da União (TCU) vai investigar um fenômeno de atração de verbas publicitárias federais para uma minúscula agência paranaense. O volume de verbas e contas federais que essa agência está concentrando lembra em tudo o buraco negro cavado em torno do publicitário mineiro Marcos Valério. Deu no que deu. O TCU trabalha para evitar um novo desastre anunciado, com risco de repetição, no Paraná, do escândalo descoberto em Minas Gerais.
Os paranaenses de alto coturno em Brasília, os ministros Paulo Bernardo (Comunicações) e Gleise Hoffmann (Casa Civil), nada têm a ver com o fenômeno do Valério de Curitiba. O santo do milagre é do Paraná, mas ocupa cargo de menor importância. É deputado federal.

Marco Feliciano para presidente?


A visibilidade que o PSC ganhou com o caso do deputado Marco Feliciano (SP) na presidência da Comissão de Direitos Humanos da Câmara fez o partido começar a sonhar com outra presidência: a da República.  Tradicional coadjuvante nas alianças capitaneadas pelo PMDB, seu maior aliado, o PSC já fala em lançar candidato próprio à sucessão da presidente Dilma Rousseff em 2014. A candidatura faz parte da estratégia do partido de ampliar as bancadas federais e eleger, pelo menos, um governador. Internamente, Feliciano e o vice-presidente e homem forte do PSC, pastor Everaldo Pereira, disputam a vaga de candidato.
“A decisão é que teremos candidatura própria à presidência da República”, afirma Everaldo. “Ser inteligente é fazer o que outros inteligentes fizeram. E o PT foi inteligente em fazer o Lula ser candidato à Presidência três vezes, antes de ganhar a eleição”, completa. Cauteloso, ele desconversa ao ser questionado sobre a própria candidatura: “Sou soldado do PSC, que é um partido democrático. Todos os que quiserem podem disputar”.
Embora o nome de Everaldo seja referendado pelas principais lideranças, Marco Feliciano também colocou seu nome à disposição do partido. Em uma reunião de presidentes de diretórios em Salvador no ano passado, ele declarou que conhece bem o Brasil, já que percorre todo o país em suas pregações a milhares de pessoas, o que lhe daria condições de impulsionar a candidatura. Recentemente, seus apoiadores passaram a estimular a ideia nas redes sociais. Mesmo assim, aliados e companheiros de partido defendem que o deputado aproveite o destaque e volte à Câmara com uma votação estrondosa. “Do jeito que conheço o meio evangélico, o Feliciano se elege com mais de um milhão de votos no ano que vem e traz com ele uns três deputados”, diz o líder do PMDB na Câmara, Eduardo Cunha (RJ).

Filme Panico no Deserto 2


Morre Margaret Thatcher, ícone de ferro do liberalismo

Memória veja

Morre Margaret Thatcher, ícone de ferro do liberalismo

Primeira-ministra da Grã-Bretanha por quase 12 anos, ela encolheu o governo e recuperou a prosperidade do país com uma receita admirada em todo o mundo

  • Margaret nomeada membro da Ordem da Jarreteira, a mais alta da cavalaria britânica, 1995
  • Margaret com o presidente americano Ronald Reagan, em 1984
  • Margaret após explosão de bomba do IRA durante uma conferência do Partido Conservador, em Brighton, 1984
  • Margaret Thatcher eleita primeira-ministra pela primeira vez, 1979
  • Margaret com os filhos Mark e Carol, e o marido Denis Thatcher, em 1976
Nelson Mandela é recebido pela então primeira-ministra britânica, Margaret Thatcher, em julho de 1990
Nelson Mandela é recebido pela então primeira-ministra britânica, Margaret Thatcher, em julho de 1990 - Reuters
Os soviéticos a apelidaram de “Dama de Ferro”. O ex-presidente americano Ronald Reagan a chamou de “o melhor homem da Inglaterra”. O socialista francês François Mitterand a definiu por seus “olhos de Calígula e lábios de Marilyn Monroe”. Na ficha de seleção para um emprego, ela foi rejeitada por ser “teimosa, obstinada e perigosamente dona de opiniões próprias”. Margaret Thatcher, primeira-ministra da Grã-Bretanha que mais tempo permaneceu no cargo no século passado, morreu nesta segunda-feira, aos 87 anos, deixando um papel bem definido na história: o de líder da revolução liberal que, na década de 1980, desmontou programas sociais deficitários, cortou impostos e gastos públicos, privatizou estatais perdulárias e tirou da paralisia a economia britânica para, depois, se espalhar pelo mundo.
A causa da morte da ex-premiê, segundo seu porta-voz, lorde Bell, foi um derrame cerebral. Ela já havia deixado a vida pública em 2002 por causa de um pequeno derrame, e sofreu vários outros depois deste. “É com grande tristeza que Mark e Carol Thatcher anunciaram que sua mãe, baronesa Thatcher, morreu em paz após um derrame nesta manhã. Um comunicado será anunciado mais tarde”, afirmou Bell.
Os pequenos derrames dos últimos anos lhe deixaram sequelas, como confusões ocasionais e perdas de memória. Seu estado de saúde estava se deteriorando desde então, e ela chegou a sofrer de demência. Segundo sua filha, Carol, em suas crises, Thatcher tinha dificuldades em terminar suas frases e esquecia que seu marido, Denis Thatcher, morreu em 2003. A morte de seu mais próximo confidente e companheiro por 50 anos intensificou seu isolamento do mundo. A última vez em que ela foi internada foi em dezembro de 2012, quando passou por uma cirurgia na bexiga.


Primeira mulher a chefiar um governo parlamentar na história da Europa, Thatcher ficou onze anos e meio no poder, de 1979 a 1990, tempo mais do que suficiente para os princípios que defendia (menos governo, menos despesas e independência em relação à União Europeia) se fixarem profundamente no modo de vida britânico. Vinte anos depois do fim de seu governo, o “thatcherismo” continua tão atual na Grã-Bretanha quanto a monarquia, o peixe com batata frita e a cerveja quente dos pubs – mais do que uma convicção política, é uma instituição nacional.
Em três décadas de carreira política, ela lutou contra a intervenção do estado na economia e combateu a inflação. Eleita primeira-ministra em 1979, fez a taxa cair de um pico de 27% para 2,5% seis anos depois. Privatizou as indústrias estatais de petróleo e gás, aeroportos e companhias aéreas, telefone e energia elétrica, estimulando o crescimento econômico mesmo com o aumento do desemprego e criando um paradigma de competitividade até hoje seguido no planeta. Sua receita para recuperar a economia incluiu a crença de que sindicatos com muito poder político estrangulavam as empresas em nome de interesses eleitorais. Com isso em mente, Thatcher enfrentou líderes sindicais, retirou privilégios fiscais das organizações trabalhistas e enfrentou greves que duraram mais de um ano, até vencê-los.

Vencer, afinal, era sua especialidade. Na democracia mais antiga do planeta, ganhou três eleições consecutivas para a chefia do governo – algo até então inédito, repetido depois por Tony Blair. Seu primeiro triunfo nas urnas veio aos 33 anos, quando elegeu-se pela primeira vez para o Parlamento pelo Partido Conservador. Em 1970, quando o partido derrotou os trabalhistas e voltou ao poder com o premiê Edward Heath, foi nomeada ministra da Educação. Quatro anos depois tornou-se a primeira mulher a ganhar a liderança do partido, passo que a conduziu ao cargo de premiê após vencer as eleições gerais de 1979. A década seguinte trouxe seu primeiro desafio além das fronteiras da Grã-Bretanha: a invasão das Ilhas Malvinas pela Argentina do ditador Jorge Videla em 1982. Thatcher ouviu os chefes das Forças Armadas e não titubeou. No campo de batalha, os soldados britânicos arrasaram os argentinos e recuperaram a soberania sobre o arquipélago em dois meses e meio.

Nas relações exteriores, Thatcher cultivou uma estreita relação política e pessoal com o então presidente dos EUA, Ronald Reagan. A defesa do livre mercado era o princípio em comum e a luta contra comunismo selou a aliança. Curiosamente, foram os inimigos soviéticos que criaram a imagem de “mulher forte” que Thatcher incorporou. Ainda em 1976, três anos antes de ela se tornar primeira-ministra, o jornal Estrela Vermelha, publicado pelo Exército soviético, chamou-a de “Dama de Ferro” ao comentar um discurso de Thatcher sobre a Otan, a aliança militar do Atlântico Norte. Com ironia, ela acabou usando a seu favor o que era para ser uma afronta sexista: “Estou aqui diante de vocês com meu vestido de gala de seda vermelha, meu rosto levemente maquiado e meu cabelo gentilmente escovado, a Dama de Ferro do mundo ocidental. Uma guerreira da Guerra Fria”, disse em outro discurso. “Sou esse tipo de coisa? Sim, se é assim que querem interpretar minha defesa dos valores e liberdades fundamentais do nosso modo de vida”.
Getty Images
Margaret Thatcher em 1980: aclamada em convenção do Partido Conservador
Margaret Thatcher em 1980: aclamada em convenção do Partido Conservador
Dona de casa – Transformar o que muitos podiam ver como ponto fraco em argumentos a seu favor foi algo que Thatcher dominou desde o início de sua vida pública. Numa época em que a maioria das mulheres era destinada apenas a casar, criar uma família e cuidar de uma casa, ela jamais se apresentou como feminista nem rejeitou a ideia de que as mulheres deviam ser donas de casa. Pelo contrário, em toda campanha eleitoral, fazia questão de aparecer fazendo compras no supermercado e gostava de ser fotografada fazendo tarefas domésticas. “Qualquer mulher que entende os problemas de administrar uma casa estará próxima de entender os problemas de administrar um país”, declarou. Para seu biógrafo, Charles Moore, nesse ponto nada podia ser mais equivocado do que a famosa frase de Ronald Reagan – “Ela é o melhor homem da Inglaterra” – porque Thatcher considerava o sexo feminino superior. Não à toa, uma de suas frases mais conhecidas é: “Em política, se você quiser que algo seja dito, peça a um homem. Se quiser algo feito, peça a uma mulher”.

Esse traço de sua personalidade foi plantado por seu pai, Alfred Roberts, dono de duas mercearias na pequena cidade de Grantham, no leste da Inglaterra, onde Margaret Hilda Roberts – nome de batismo – nasceu em 13 de outubro de 1925. “Nunca deixe os outros dizerem o que você deve fazer”, era um dos conselhos paternos resgatados em suas memórias. O pensamento independente está na raiz de suas escolhas profissionais: após terminar o colegial, Thatcher foi estudar na Universidade de Oxford aos 17 anos. Era a primeira da família a entrar para o ensino superior e se formou em química, algo então pouco usual para uma mulher – anos depois, estudaria direito e se tornaria advogada. Com o diploma de cientista, mudou-se para Colchester, a cerca de 80 quilômetros de Londres, e foi trabalhar em uma indústria de plásticos, época em que iniciou sua carreira política ao entrar para a Associação Conservadora da cidade. Após se aproximar de lideranças locais do Partido Conservador e conquistá-las com sua capacidade de debate, candidatou-se a uma vaga no Parlamento, mas foi derrotada em suas duas primeiras tentativas. Suas atividades políticas levaram-na a conhecer o rico empresário Denis Thatcher, de quem adotou o sobrenome após o casamento, em 1951. Dois anos depois da união, ela deu à luz um casal de gêmeos, Carol e Mark, seus únicos filhos. Por 52 anos, viveu com Denis, de quem ficou viúva em 2003.

Troca da guarda – O fim da era Thatcher está diretamente ligado à ascensão da União Europeia, que dividiu o Partido Conservador, e ao desgaste de sua imagem perante a opinião pública britânica após mais de uma década de governo. Ainda assim, ela não perdeu nenhuma eleição antes de deixar a liderança dos conservadores. Preferiu renunciar em 1990, após vencer a disputa pela chefia do partido por uma margem estreita, que obrigava a realização de um segundo turno. Antes mesmo de colocar à prova o favoritismo dos trabalhistas na eleição seguinte, seu discurso separatista da União Europeia a derrubou do governo e ela foi sucedida por John Major. Em seu discurso de renúncia, caiu atirando contra os trabalhistas: "Eles querem uma Europa de subsídios, uma Europa de restrições socialistas, uma Europa de protecionismo".

Por quase dois anos, a Dama de Ferro continuou na Câmara dos Comuns, até ser nomeada para a Câmara dos Lordes com o título de baronesa. Durante algum tempo, continuou criticando os adversários e dando discursos, palestras e entrevistas pelo mundo – numa delas, defendeu suas ideias nas páginas de VEJA. Até que uma série de pequenos derrames e falhas de memória a afastaram da vida pública em 2002, por recomendação médica. Seis anos depois, a filha Carol revelou que a mãe sofria de demência. A doença havia sido diagnosticada em 2000 e se agravou pouco a pouco.

Seu biógrafo Charles Moore relata um encontro revelador entre a líder aposentada e um menino de sete anos – filho de Moore. Sentado em um sofá diante de Thatcher, o garoto pergunta: “Você gostou de ser primeira-ministra?”. Sem se mostrar surpresa, ela responde: “Bem, tivemos a chance de tomar decisões importantes e melhorar a vida do país, então, sim, gostamos muito”. O entrevistador não se dá por satisfeito: “Você fez alguma lei boa?”. Thatcher resume o próprio legado: “Sim, fizemos! Fizemos a Grã-Bretanha mais forte na defesa, reduzimos o poder dos sindicatos e cortamos impostos, de modo que as pessoas pudessem ficar com mais do que ganham. E se as pessoas ficam com uma parcela maior do que ganham, elas ganham mais”.