sexta-feira, 5 de abril de 2013

A imprensa brasileira



A imprensa brasileira, com medo da regulação e assediada por patrulhas internas e externas, está se tornando uma agente da ditadura do falso consenso: emburrece o debate, sataniza a divergência e lincha pessoas por delito de opinião. Ou: Beijo na boca não pode ser a outra forma do escarro

Ontem você encararam com galhardia um texto longo. Aí eu me animo, né? Mais um do mesmo porte. Quem me detesta já desiste; quem gosta faz a festa.
*
Um deputado que não pensa segundo os cânones de certa militância política assume uma comissão da Câmara. Tem início uma campanha para esmagá-lo, à qual adere quase toda a imprensa, ao arrepio de qualquer fundamento que orienta a boa prática jornalística. O secretário particular de um governador de estado emitiu, antes ainda de ocupar a atual função, opiniões políticas distintas daquelas consideradas “progressistas”. Um colunista de jornal se sente no direito de cobrar desculpas desse governador, e o veículo no qual ele trabalha dá início a uma campanha de desmoralização do funcionário. Um senador, possível candidato à Presidência da República, chama o, digamos, “evento” de 1964 de “revolução”, e tem início uma patrulha agressiva porque, sustenta-se, o certo seria chamar de “golpe”. Pessoas e forças políticas que se oponham às posições consideradas “corretas”, quando não ignoradas, são impiedosamente ridicularizadas, tratadas como idiotas, vistas como expressões do atraso. A democracia brasileira está doente, e o nome dessa doença é intolerância. A imprensa, que deveria denunciá-la, transformou-se em agente do linchamento da divergência. Com medo a regulação, assediada por patrulhas internas e externas, torna-se, a cada dia, mais refém dos grupos de pressão e das militâncias organizadas. Quando não é ativamente fascitoide, é de uma pusilanimidade espantosa. Fecho este parágrafo assim: não existe esta sociedade de um lado só em nenhum lugar do mundo — ou, para ser mais preciso, em nenhuma democracia do mundo. Sociedade de massa de um lado só é fascismo.
Se um dia o PT conseguir emplacar o “controle social da mídia” (algum controle virá, fiquem certos; lembro que o projeto defendido pelo partido numa resolução do Diretório Nacional prevê controle de conteúdo), não terá tanto trabalho assim. Restará uma cidadela ou outra a colonizar, a domesticar, a domar, a dominar, a esmagar. O que Hugo Chávez conseguiu na Venezuela por meio da violência está sendo paulatinamente conquistado pelos petistas no Brasil por meio da cooptação e da ocupação das redações por uma forma de militância política que já dispensa a carteirinha de filiação. A fantasmagoria imaginada por Gramsci (que ele achava ser a redenção da humanidade, o tarado!) começa a se materializar. O teórico comunista italiano afirmava que o “Príncipe” moderno não era mais, obviamente, aquele de Maquiavel. O “Moderno Príncipe” era o partido político. E ele sintetizou, então, como seria a sociedade sob o comando dessa força — eu não resisto à provocação — verdadeiramente satânica:
“O Moderno Príncipe, desenvolvendo-se, subverte todo o sistema de relações intelectuais e morais, uma vez que seu desenvolvimento significa, de fato, que todo ato é concebido como útil ou prejudicial, como virtuoso ou criminoso, somente na medida em que tem como ponto de referência o próprio Moderno Príncipe e serve ou para aumentar o seu poder ou para opor-se a ele. O Moderno Príncipe toma o lugar, nas consciências, da divindade ou do imperativo categórico, torna-se a base de um laicismo moderno e de uma completa laicização de toda a vida e de todas as relações de costume”.
Bingo! É a definição do totalitarismo perfeito. Na sociedade antevista por Gramsci, é impossível pensar fora dos limites do que estabelece, então, esse “Moderno Príncipe”. Desaparecem as noções de crime e de virtude. Esse ente de razão dirá quando cada ato é o quê, de sorte que, sob certas circunstâncias, pode-se tomar o crime por virtude e a virtude por crime. A verdade desse coletivo passa a ser o imperativo categórico.
Naquele longo texto de ontem, em que afirmei que a causa gay está sendo usada como ponta de lança de uma ação maior contra a democracia representativa, comentei um texto de Vladimir Safatle (aquele humanista que toma um nascituro por uma lombriga). Ele chama a ação fascitoide contra Feliciano (e não! Eu não concordo com o deputado) de “o primeiro embate”. Segundo Safatle, as ações contra o parlamentar representam uma “profunda discussão” sobre “a sociedade que queremos”. Por alguma estranha razão, o seu “nós” — ele se refere aos brasileiros — não inclui o “eles”. O seu “nós”, de uma sociedade que chama “radicalmente igualitária”, exclui os que pensam de forma diferente porque seriam apenas manifestações do atraso. Trata-se da reiteração do pior lixo produzido pelas esquerdas em sua história. Foi com essa visão de mundo que o comunismo se tornou a maior máquina de matar que a civilização conheceu. Subjacente a esse pensamento está a convicção de que a humanidade tem um sentido e uma direção — no artigo, ele sugere que até a história tem uma moral intrínseca — e caminha segundo alguma lei da evolução. E, é evidente, a esquerda estaria no comando desse processo; estaria aí para acelerar a história. Como bom esquerdista, Safatle nem aprendeu nada nem esqueceu nada.
Sou, no entanto, realista e reconheço que eles estão avançando. Safatle mesmo só se tornou colunista fixo de jornal depois de ter tido a ousadia de especular, num artigo, sobre as virtudes da ação terrorista como um campo pouco explorado de um humanismo alternativo. Ele resenhava o livro de um delinquente intelectual chamado Slavoj Zizek. E, o que não me surpreendeu, conseguiu piorar o original. Vejo o noticiário de TV, leio jornais, revistas, sites… Escolhas políticas, valores ideológicos de grupos, patrulhas as mais odientas, tudo aparece como se estivéssemos diante de verdades universais. Nos dias de hoje, também o “Moderno Príncipe” de Gramsci passou por um aggiornamento. As minorias formam as células, que se organizam na rede, que é o partido. Aquilo que Marina gostaria de fazer, o PT já fez. Faz sentido. Ela é de lá. É que tem mais ambições do que o permitido… 
Poder-se-ia, ao menos, constatar, ainda que isso não mudasse o caráter autoritário do que está em curso: “Pô, Reinaldo, vivemos nesse mundo sem contraditório, mas reconheça que o Brasil está uma maravilha; estamos no caminho certo!” Pois é. Não estamos! Um país que não debate, que vive da reiteração das mesmas verdades, que sataniza o conflito de ideias, que busca eliminar a divergência, vai dar em quê?
Voltando ao começo
O governador Geraldo Alckmin indicou para seu secretário particular um jovem advogado chamado Ricardo Salles. Não sei a idade, mas deve estar na casa do 30, 30 e pouquinhos. Não participou, portanto, do golpe militar de 1964. Antes de ser indicado para a função, integrou um grupo chamado “Endireita Brasil” — que era público, não clandestino. Ainda que pareça exótico aos ignorantes convictos, existe uma direita democrática. Já houve um tempo em que jornalistas sabiam quem era Churchill e ignoravam a Beyoncé da época, seja lá quem for essa… Frases ditas por Salles num debate no Clube Militar foram escandalosamente retiradas do contexto e lhe atribuíram o que não disse: ele teria negado a existência de tortura durante o regime militar. Não negou. Também se noticia em tom de escândalo o fato de que criticou os rumos tomados pela Comissão da Verdade. Mais: em algum momento, ele teria chamado a presidente Dilma de terrorista — o que ele nega. Não se reproduziu texto nenhum seu com essa afirmação.
Marcelo Rubens Paiva, colunista do Estadão e filho do deputado Rubens Paiva — que desapareceu em janeiro de 1971, sequestrado pela ditadura — passou a pedir a cabeça de Salles, campanha endossada de maneira mais do que indiscreta pelo Estadão, por meio de reportagens. Marcelo foi além e exigiu, imaginem só!, uma “retratação” de Alckmin. De súbito, parecia que o governador e seu secretário eram, sei lá, dois agentes da ditadura.
Marcelo já andou me criticando por aí. Respondi com bom humor. Ele pode achar que não tenho o direito de pensar o que penso, mas defendo o direito que ele tem de pensar o que pensa. Na minha República, haveria pessoas como ele; na sua, desconfio que eu seria banido. Ele pode achar que assim seria porque é melhor do que eu. Prefiro achar que assim seria porque sou mais tolerante do que ele, ainda que eventualmente ele possa ser melhor do que eu.
Acho absolutamente compreensível que ele tenha uma percepção especialmente aguda, dura mesmo, daquele período. Certamente não foi fácil para ele e para sua família. Eu defendo a Lei da Anistia e acho um absurdo que a Comissão da Verdade esteja forçando a mão para ir além do que estabelece essa lei e a que criou a própria comissão. Mas me coloco na situação de Marcelo e me pergunto se eu também, vivendo o que ele viveu, não pensaria algo parecido. Tivessem sequestrado meu pai, seu corpo não tivesse aparecido até hoje, com a memória do sofrimento da família… Talvez eu quisesse revanche. Faço essa observação para deixar claro que não arbitro sobre questões e dores pessoais.
“Não é questão só pessoal; é também política!”, poderia objetar um indignado apressado. Sim, eu sei. Mas nem a dor de Marcelo o autoriza a cassar de alguém o direito à opinião. Tampouco o autoriza a cobrar do governador uma retratação. Por quê? Com base em quê? E, se é de política que estamos falando, indago: o filho de Rubens Paiva cobrou, alguma vez, retratação de Lula por sua proximidade com alguns próceres do regime militar, incluindo signatários do AI-5? Exigiu retratação de Fernando Haddad por ter se abraçado a Paulo Maluf na eleição para a Prefeitura de São Paulo — ou também Marcelo, a exemplo de Marilena Chaui, acha que, agora, “Dr. Paulo” deixou de ser um homem da ditadura para ser apenas um engenheiro? Salles não tem uma fatia do governo do Estado. Maluf tem um fatia da Prefeitura. Salles tem apenas uma opinião. Maluf é poder.
Sem jamais relativizar os fortes motivos que tem Marcelo, eu me pergunto em que medida o passado está sendo usado para cuidar de demandas que dizem respeito ao presente. Estou tratando de matéria de fato, não de opinião: em 2013 (e desde 2003), é o PT que está próximo de fiéis servidores da ditadura, não Alckmin ou o PSDB. O governador não participou do golpe, tampouco seu secretário, que talvez tenha nascido já na década de 80.
Comissão da Verdade
Tenta-se fazer um escarcéu porque Salles seria “crítico” da Comissão da Verdade. Eu também sou. E daí? E fui perseguido pela ditadura, o que não é o caso de boa parte dos patrulheiros. Alguns tontos nem sabem do que estão falando. O grupo começou os trabalhos anunciando que ignoraria o próprio texto que o instituiu. Existe para apurar também os crimes de grupos terroristas. Já deixou claro que não vai fazê-lo. O respeito à Lei da Anistia é pressuposto de sua existência. Paulo Sérgio Pinheiro, o coordenador da comissão — e outros membros se manifestaram nesse sentido —, já evidenciou o seu inconformismo com esse limite. A questão não é só de gosto, mas também jurídica. A Lei da Anistia é parte do arcabouço legal que instituiu a Constituinte no país. Ademais, anistia — e já houve outas — quer dizer esquecimento (no quer tange às questões criminais e políticas), não absolvição.
Ora, então não se pode ser um crítico da Comissão da Verdade — ou mesmo se opor à sua existência na esfera da opinião (já que nada se pode fazer a respeito) — sem que isso transforme o indivíduo num agente da ditadura? Tenham paciência!
Terrorismo
Salles nega que tenha chamado a presidente Dilma de “terrorista”. Acredito nele. Também já me atribuíram tal coisa, e nunca ninguém encontrou o texto. O que escrevi, sim, e escrevo de novo agora, é que ela pertenceu a dois grupos terroristas. A presidente não é, obviamente, terrorista. A militante Dilma Rousseff foi. Não é matéria de gosto, mas de fato. Claro, claro, sempre se pode argumentar que o Colina e a VAR-Palmares, que lutavam por uma ditadura comunista e mataram inocentes em sua trajetória, só queriam democracia. Essa é certamente a conclusão a que a Comissão da Verdade já chegou — daí que não vá investigar os crimes de organizações do gênero. Mas essa é só uma das mentiras que vai contar essa comissão.
Qual é o problema do nosso jornalismo em encarar os fatos? Dilma tem orgulho de sua biografia. Já deixou isso claro mais de uma vez. É ilegítimo que pessoas possam ter uma abordagem crítica, negativa se for o caso, sobre o seu passado? Por quê? Porque Salles pensa o que pensa, isso faz dele um agente da ditadura, um homem conivente com a tortura, alguém impossibilidade de exercer a função que exerce?
Um jornalismo que se entrega a essas especulações há muito abandonou o sua missão. Está fazendo campanha eleitoral antecipada.
Golpe ou revolução?
Nesta quinta, foi a vez de o senador Aécio Neves (PSDB-MG) entrar na dança. Num evento do seu partido, num dado momento, referiu-se a 1964 como “revolução”. A patrulha imediatamente apareceu: “Ah, ele chamou golpe de revolução”; “revolução é como os militares chamaram o seu golpe”. Ora, até outro dia, os mesmos jornais que davam curso a essa questão ridícula referiam-se, em editoriais, àquele período como “Regime Militar”, e ao golpe como “Movimento Militar de 64”. E não era por imposição da censura nenhuma!
Era evidente que o senador não estava fazendo uma escolha política. Referiu-se àquele tempo por uma das expressões pelas quais ficou conhecido. Nada além disso. A conversa mole que se seguiu é só mais uma manifestação desses tempos estúpidos, de embotamento da inteligência. Sem contar que foi Tancredo Neves um dos protagonistas do fim do regime militar.
E não que essas coisas não devessem ser debatidas. Desafio qualquer historiador a provar, com dados objetivos e exposição de critérios do que seja uma coisa e outra, que 1930 tenha sido uma “revolução” e 1964 “um golpe”. Aí o tontinho patrulheiro se assanha: “Lá vai o Reinaldo tentar provar que os militares fizeram revolução”. Não, Zé Mané! Eu afirmo que 1930 também foi GOLPE, escancarado sete anos depois. Não existe revolução sem povo! De resto, povo por povo, havia muito mais em 1964 do que em 1930. A República brasileira, como sabe qualquer estudioso, foi inaugurada com uma quartelada.
Então por que 1930 é “revolução”, o ditador Getúlio Vargas é um herói, e 1964 é “golpe”, e os militares passam por esse processo de banditização? Por ideologia rasteira. Os nossos historiadores se debruçaram sobre 1930 e enxergaram ali o confronto entre progressistas e reacionários, entre o Brasil arcaico e o Brasil moderno. Como se chegou à conclusão — e nem contesto o mérito — de que houve um avanço, então é “revolução”. Já 1964 foi apenas “golpe” porque se entendeu que a nova ordem veio obstar a ascensão das camadas populares revolucionárias… As camadas populares revolucionárias não passavam de meia-dúzia de radicais, que não resistiram ao primeiro tiro. Aliás, não se disparou em 1964 tiro nenhum. Também a ambicionada “revolução socialista” não tinha… povo!
Um amante da objetividade é obrigado a indagar se os pobres brasileiros melhoraram ou pioraram de vida com o “golpe”. A pergunta pode ser feita ao metalúrgico Lula, depois sindicalista, que viveu a era do milagre e tinha, como já confessou em entrevista, o seu “carrinho”. Ia namorar de táxi, ele contou — um luxo a que o trabalhador brasileiro não se entrega ainda hoje.
O mesmo critério que chamou de “revolução” a ditadura inaugurada em 1930 — “é o moderno vencendo o arcaico” — poderia transformar em “revolução” também o movimento de 1964. Também nesse caso o “moderno vencia o arcaico”. Ah, mas, no regime militar, houve tortura e morte. E durante o Estado Novo? Ora…
Caminhando para a conclusão
O Brasil precisa é de mais debate, não de menos; o Brasil precisa é de mais divergência, não de menos; o Brasil precisa é de mais dissenso, não de menos. E precisa de mais respeito às regras do estado democrático e de direito, não de menos.
E olhem que isso tudo pode ser feito com muito beijo na boca.
Que as bocas se beijem como expressão da tolerância, não para ofender aquele de quem se discorda. Beijo na boca que ofende, modificando um pouco o que disse o poeta, é só a outra forma do escarro.
Por Reinaldo Azevedo

ESPECIAL-Peru perfura Andes para irrigar deserto após sonho secular

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Por Mitra Taj
OLMOS, Peru, 4 Abr (Reuters) - O Vale dos Olmos, no Peru, pode ser um deserto agora, com chuvas raras e rios com vida por apenas alguns meses durante o ano, mas uma solução radical de engenharia para a escassez de água poderá em breve criar uma bonança agrícola no local.
A água doce, que agora corre a leste da Cordilheira dos Andes até a bacia amazônica e, eventualmente, o oceano Atlântico, irá, ao contrário, se mover para oeste através das montanhas para irrigar este pedaço de deserto na costa do Peru. Então, a água será drenada para o oceano Pacífico.
O projeto hercúleo para inverter o fluxo de água e realizar um sonho de um século é, em muitos aspectos, o mais importante de saneamento da história do Peru. E poderia servir como um modelo para projetos necessários para enfrentar o agravamento da escassez de água.
"Tudo isso vai ser verde", disse o engenheiro Giovanni Palacios, olhando para quilômetros de arbustos marrons em um canteiro de obras que ele supervisiona para a empresa brasileira Odebrecht.
Palacios é o diretor do Projeto de Irrigação Olmos, um ambicioso e não comprovado projeto até que seja iniciado em 2014. O custo do empreendimento é de 500 milhões de dólares.
O projeto inclui a perfuração de um túnel de 20 quilômetros através dos Andes para captar os fluxos de água abundantes no outro lado. Essa obra exige uma broca de 305 metros de comprimento, com objetivo de corrigir o problema de água mais emblemático do Peru.
A precipitação média na costa peruana é de 150 milímetros por ano e o projeto está vindo à medida em que as geleiras tropicais do Peru, uma fonte de água doce para milhões de pessoas, derretem diante das crescentes temperaturas globais.
"Isso tudo será cana de açúcar, abacate, maracujá, e pessoas em toda parte estarão trabalhando, plantando, colhendo", disse Palacios sobre um monte de areia, parte dos 2,5 milhões de metros cúbicos de terra que foram movidos até agora para abrir caminho para a água.
O projeto Olmos, que críticos dizem que beneficia principalmente grandes empresas agrícolas, em vez de pequenos agricultores, é o mais ambicioso de sete grandes obras de irrigação que estão transformando trechos de vales do deserto perto da costa do Peru em campos produtores e rentáveis.
Juntos, eles irão tornar cerca de 233 mil hectares de deserto em terras produtivas na próxima década.
A maioria dos projetos envolve rios alimentados por geleiras ao longo da Costa do Pacífico. O projeto de irrigação Olmos, no entanto, é o primeiro que envolve dois lados, ao desviar a água destinada à Amazônia para a costa a fim de alimentar as lavouras.
O projeto compartilha algumas semelhanças com as obras que levaram água potável através das montanhas para a capital, Lima, por anos. O Peru é um dos países mais expostos às mudanças climáticas, de acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU), e Lima é tão seca como Bagdá.
Fluxos de teste de água no túnel para o Vale do Olmos foram realizados no ano passado.
No próximo ano, a Odebrecht vai começar a injetar bilhões de litros de água em campos alugados por empresas agrícolas ao longo de uma área de 440 quilômetros quadrados de deserto na região de Lambayeque, no norte, conhecida por suas árvores com raízes de até 50 metros no subsolo para encontrar água.
"ÔNUS ESMAGADOR"
O Peru tem lutado muito para gerenciar um desequilíbrio de água natural que a mudança climática poderá em breve levar a outras nações: muita água em alguns lugares e não o suficiente em outros.
A região costeira a oeste da Cordilheira dos Andes, que abriga dois terços da população do Peru e representa 80 por cento da economia, recebe apenas 2 por cento da água doce do país.
A falta de água em regiões ao longo da costa já coloca um "ônus esmagador" sobre o Peru, economia da América do Sul de mais rápido crescimento, disse o diretor de conservação da Agência Nacional de Águas, Jorge Benites.
"Com a mudança climática e o rápido crescimento populacional e econômico, projetos transandinos como Olmos vão certamente se multiplicar", disse Benites.
A água tem definido a vida na costa do Peru desde a época pré-inca, com o poder acompanhando aqueles que a controlam.
Antes de condições meteorológicas extremas e secas marcarem seu colapso em 800 d.C., a antiga civilização Moche prosperou ao longo da costa norte do Peru por cerca de 700 anos, graças a um sistema de irrigação de superfície que usou rios sazonais para irrigar campos de milho, feijão e amendoim.
A irrigação em Olmos não mudou muito desde o tempo da civilização Moche para muitos agricultores locais. Enquanto alguns podem pagar para bombear água subterrânea para os seus campos durante a longa estação seca, outros esperam o rio Olmos encher com as chuvas breves durante o período úmido para então correr para cavar caminhos de irrigação com pás.
A Odebrecht estima que o projeto de irrigação Olmos vai criar cerca de 40 mil empregos diretos e outros 120 mil empregos indiretos, tantas vagas que uma equipe de arquitetos peruanos de empresas diferentes concebeu uma nova cidade para abrigar os recém-chegados.
"Esta experiência de Olmos é igual à feita pela civilização Moche milhares de anos atrás. Eles conquistaram o deserto através da irrigação e construíram centros urbanos", disse José Orrego, um arquiteto da empresa Metropolis, em Lima. "A ideia é muito sedutora."
VISÃO CENTENÁRIA
Engenheiros afirmam que Olmos é o projeto mais complexo e arriscado no qual trabalharam, com condições de calor no interior da montanha exigindo ar-condicionado e geologia instável do lado de fora que causou pelo menos dois deslizamentos.
A construção do túnel foi concluída no fim de 2011 e até 2015 água suficiente para encher 160 mil piscinas olímpicas (400 milhões de metros cúbicos) podem começar a correr anualmente através da montanha, alimentando uma pequena central hidrelétrica durante o processo.
O projeto tem sido um sonho dos engenheiros e políticos desde o fim do século 19, bem antes de preocupações surgirem sobre o aquecimento global, mas definhava sobre questões de financiamento até 2003, quando uma descentralização transferiu para o governo regional de Lambayeque a missão de resolver isso com o setor privado.
A Odebrecht finalmente ganhou o direito de erguer o projeto, que indiscutivelmente ganhou mais importância depois que cientistas advertiram que muitas das geleiras do Peru poderiam desaparecer.
"Lambayeque tem um futuro brilhante, mas para chegar lá precisamos de mais investimento, e o que vai trazer esse investimento é a água", disse o presidente do governo regional, Humberto Acuña.
A Odebrecht desempenha um papel relevante no Peru, construindo de estradas a instalações de mineração, e até mesmo a colocação de uma versão menor da famosa estátua do Cristo Redentor no país.
Para pagar a construção do projeto Olmos sem recursos do governo, a Odebrecht disse que pediu a investidores para apostarem que o futuro fluxo de água alimentará as plantações.
Terras públicas ociosas foram leiloadas a empresas agrícolas para financiar metade do empreendimento e a outra metade veio de emissão de dívida baseada em água que será vendida futuramente às mesmas companhias.
"Para isso ir adiante, as estrelas tinham que estar alinhadas", disse o diretor da Odebrecht no Peru, Jorge Barata. "A inovação na estrutura financeira criou algumas dúvidas no início."
TRANSFORMAR O DESERTO EM JARDIM DE TRABALHO?
Embora o plano seja manter corrente de água do leste dos Andes até a costa, a oeste, o apetite do governo peruano para fazê-lo com modelos de negócios como Olmos pode estar diminuindo.
O presidente do Peru, Ollanta Humala, tem elogiado as obras de irrigação para pequenos agricultores em vez de projetos industriais como o Olmos, que estava em andamento antes de sua posse e é financiado, em parte, por preços mais elevados da água.
Críticos dizem que o projeto Olmos marginaliza a agricultura familiar e deu recursos públicos, como terra e água, para empresas com foco em exportação.
A menor parcela individual dos 38 mil hectares leiloados foi de 250 hectares, propriedade que exige um investimento mínimo de cerca de 1 milhão de dólares.
"Foi uma boa ideia, mas, na realidade, o projeto tem favorecido a agroindústria e não os agricultores da região, que sonharam com isso por 100 anos", disse Fernando Eguren, da Cepes, um grupo de advogados que defende os interesses dos pequenos agricultores.
A Odebrecht afirmou que concordou em disponibilizar a água em uma área de 5.500 hectares para parcelas da comunidade e oferecê-la a uma taxa inferior àquela que os agricultores pagam agora para bombear águas subterrâneas.
No entanto, Juan Rodolfo Soto, presidente do grupo de agricultores em Olmos, disse que a Odebrecht deveria construir a mesma infraestrutura de irrigação que as empresas vão ter para as comunidades.
"Depois de tantos anos, muito de nossa esperança se transformou em decepção", disse Soto. "Mas acho que ainda vai beneficiar indiretamente, com postos de trabalho em hotéis ou trabalho para as grandes empresas."
Importante produtor de minérios, o Peru mais do que triplicou suas exportações agrícolas na última década, de acordo com o Ministério da Agricultura, usando o seu bom clima durante todo o ano e cerca de 19 acordos de livre comércio para atender à demanda global por produtos caros como o aspargo.
Ainda assim, irrigar as regiões costeiras do Peru para manter as crescentes exportações agrícolas tem seus riscos. O fenômeno El Niño, que periodicamente aquece o Pacífico e atiça chuvas destrutivas, tem o potencial de causar estragos.
"Transformar o deserto do Peru em um jardim soa muito bem, mas quão bem realmente funciona?", questionou o geógrafo Jeffrey Bury, que estuda questões da água no Peru.

Filme Bad Moon


Bolsa de Tóquio: Nikkei abre em alta de 1,95%

Atualizado: 04/04/2013 18:09 | Por EFE Brasil, EFE Multimedia

Bolsa de Tóquio: Nikkei abre em alta de 1,95%





Tóquio, 5 abr (EFE).- O índice Nikkei da Bolsa de Valores de Tóquio abriu nesta sexta-feira (local) em alta de 246,28 pontos (1,95%), aos 12.880,82.
O segundo indicador, o Topix, que reúne os valores da primeira seção, caiu 19,80 pontos (1,91%), para 1.057,56. EFE
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Coreia do Sul vê impacto prolongado no mercado de ameaça norte-coreana

Atualizado: 04/04/2013 18:34 | Por Reuters, Reuters

Coreia do Sul vê impacto prolongado no mercado de ameaça norte-coreana

SEUL, 4 Abr (Reuters) - O vice-ministro das Finanças sul-coreano, Choo Kyung-ho, advertiu na sexta-feira (horário local) que o impacto nos mercados da tensão com a Coreia do Norte poderá ser prolongado e prometeu tomar medidas rápidas e fortes para estabilizá-los, se necessário.
"No passado, (os mercados) se recuperaram rapidamente do impacto de qualquer evento relacionado à Coreia do Norte, mas as recentes ameaças da Coreia do Norte são mais fortes e o impacto pode, portanto, não desaparecer rapidamente", disse Kyung-ho.
Ele fez as declarações na abertura de uma reunião matinal com outros funcionários de agências relacionadas à economia para discutir possíveis medidas a fim de garantir a estabilidade dos mercados, que até agora se mantiveram relativamente calmos.
O principal índice da bolsa de Seul caiu 2,3 por cento até agora nesta semana, enquanto o won perdeu 1,1 por cento.
As tensões na península coreana aumentaram muito nas últimas semanas na medida em que a Coreia do Norte intensificou as ameaças de ataques contra bases militares dos Estados Unidos não só na Ásia, mas no continente americano.
As novas ameaças foram feitas após a imposição de novas sanções da Organização das Nações Unidas (ONU) em resposta ao terceiro teste nuclear da Coreia do Norte, em fevereiro.
Os Estados Unidos disseram nesta quinta-feira que enviarão em breve um sistema de defesa antimísseis para a ilha de Guam, seu território no oceano Pacífico, para defendê-la da Coreia do Norte, enquanto o Exército se prepara para o que o secretário de Defesa, Chuck Hagel, considerou de "perigo real e claro" de Pyongyang.
(Reportagem de Lim Seung-gyu)

Facebook lança nova tela inicial para o sistema operacional Android

Atualizado: 04/04/2013 18:34 | Por EFE Brasil, EFE Multimedia






Facebook lança nova tela inicial para o sistema operacional Android
Facebook lança nova tela inicial para o sistema operacional Android
Madri, 4 abr (EFE).- O Facebook apresentou nesta quinta-feira em sua sede na Califórnia a Home, nova plataforma para os celulares equipados com o sistema operacional Android, do Google, que se transforma em tela inicial.
A Home mostrará as novidades do Facebook logo após o usuário ligar o seu smartphone, sem necessidade de acessar o aplicativo da rede social, que se tornará a porta de entrada do dispositivo móvel.
O presidente-executivo da companhia, Mark Zuckerberg, foi o encarregado de mostrar ao mundo esta inovação tecnológica, em uma apresentação realizada em Menlo Park, na Califórnia, transmitida por streaming. 'Não criamos um telefone, nem um sistema operacional', disse o fundador do Facebook.
Zuckerberg ainda explicou que o objetivo da Home é transformar qualquer Android em um 'telefone do Facebook'. Segundo o empresário, os usuários passam três vezes mais tempo navegando na rede social do que em qualquer outro aplicativo, dedicando 20% do uso de seu smartphone a ela.
Em entrevista à Agência Efe, a representante do marketing de produtos da Facebook, Amy Bora, definiu o Home como um software, uma 'família' de aplicativos que reúne e faz trabalhar juntos o Facebook, o Messenger e a própria plataforma, que fará acessar o conteúdo da rede social de maneira mais simples.
A partir de 12 de abril o Facebook Home estará disponível para download nos Estados Unidos. Não há previsão de chegada ao Brasil.
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Possíveis corpos de vítimas do 11/9 são encontrados entre escombros do WTC

Atualizado: 04/04/2013 18:34 | Por EFE Brasil, EFE Multimedia





Nova York, 4 abr (EFE).- As autoridades encontraram possíveis restos mortais de vítimas dos atentados terroristas de 11 de setembro de 2001 entre os escombros do World Trade Center que estão sendo examinados pelo Instituto Médico Legal de Nova York.
Especialistas e legistas começaram esta semana a analisar 450 metros cúbicos de escombros procedentes das obras na área onde ocorreram os atentados contra as Torres Gêmeas e encontraram possíveis restos humanos, segundo a imprensa local.
Os responsáveis pela operação de busca e identificação comunicaram aos familiares das vítimas do 11/9 que continuarão realizando exames de DNA nos restos encontrados, tanto agora como no passado, em um procedimento que pode durar mais de três meses.
'Vamos continuar com as testes de DNA até que todos os restos encontrados sejam identificados', disse aos familiares o responsável de Operações da Prefeitura de Nova York, Caswell Holloway, detalhou o jornal 'Daily News'.
A análise dos escombros, sob supervisão do Instituto Médico Legal da cidade (OCME, sigla em inglês), vai acontecer em uma instalação municipal erguida perto do aterro sanitário de Fresh Kills, em Staten Island, e deve durar dez semanas.
A iniciativa não agradou às associações de familiares das vítimas, que na semana passada pediram, sem sucesso, que fosse paralisada até que fosse realizada uma melhor análise dos escombros já retirados e que a investigação estivesse a cargo de outras entidades.
O processo de busca de restos mortais foi acelerado em 2006, quando foram encontrados ossos em uma galeria de esgoto e, desde então, foram identificadas 34 novas vítimas. Também foram encontrados 2.435 fragmentos de vítimas já identificadas, segundo números oficiais.
Nos atentados de 11/9 morreram 2.750 pessoas e até agora só foram identificadas 1.634, o que significa que ainda faltam encontrar e identificar os restos mortais de mais de mil pessoas. EFE
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Coreia do Sul vê impacto prolongado no mercado de ameaça norte-coreana

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SEUL, 4 Abr (Reuters) - O vice-ministro das Finanças sul-coreano, Choo Kyung-ho, advertiu na sexta-feira (horário local) que o impacto nos mercados da tensão com a Coreia do Norte poderá ser prolongado e prometeu tomar medidas rápidas e fortes para estabilizá-los, se necessário.
"No passado, (os mercados) se recuperaram rapidamente do impacto de qualquer evento relacionado à Coreia do Norte, mas as recentes ameaças da Coreia do Norte são mais fortes e o impacto pode, portanto, não desaparecer rapidamente", disse Kyung-ho.
Ele fez as declarações na abertura de uma reunião matinal com outros funcionários de agências relacionadas à economia para discutir possíveis medidas a fim de garantir a estabilidade dos mercados, que até agora se mantiveram relativamente calmos.
O principal índice da bolsa de Seul caiu 2,3 por cento até agora nesta semana, enquanto o won perdeu 1,1 por cento.
As tensões na península coreana aumentaram muito nas últimas semanas na medida em que a Coreia do Norte intensificou as ameaças de ataques contra bases militares dos Estados Unidos não só na Ásia, mas no continente americano.
As novas ameaças foram feitas após a imposição de novas sanções da Organização das Nações Unidas (ONU) em resposta ao terceiro teste nuclear da Coreia do Norte, em fevereiro.
Os Estados Unidos disseram nesta quinta-feira que enviarão em breve um sistema de defesa antimísseis para a ilha de Guam, seu território no oceano Pacífico, para defendê-la da Coreia do Norte, enquanto o Exército se prepara para o que o secretário de Defesa, Chuck Hagel, considerou de "perigo real e claro" de Pyongyang.
(Reportagem de Lim Seung-gyu)

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Justiça absolve suposto mentor de assassinato de extrativistas no Pará

Atualizado: 04/04/2013 19:45 | Por EFE Brasil, EFE Multimedia







Acusados de assassinar casal de extrativistas no Pará pegam mais de 40 anos de prisão
Acusados de assassinar casal de extrativistas no Pará pegam mais de 40 anos de prisão
Marabá (Pará), 4 abr (EFE).- O julgamento dos três acusados de matar um casal de extrativistas há dois anos no Pará nesta quinta-feira terminou com a absolvição do suposto mentor do crime, o agricultor José Rodrigues Moreira, e com duras penas para os assassinos.
O juiz Murilo Lemos Simão sentenciou hoje, na cidade de Marabá no Pará, Alberto Lopes Nascimento a 45 anos de prisão e Lindonjonson Silva Rocha a 42 anos e oito meses, como culpados pelo assassinato do casal de extrativistas José Claudio Ribeiro da Silva e Maria do Espírito Santo da Silva.
O casal, que se dedicava à produção sustentável de castanha na reserva ambiental Praialta-Piranheira, rica em madeira de lei, como o mogno, foi assassinada a tiros no dia 24 de maio de 2011 na cidade de Nova Ipixuna, próxima a Marabá, onde ontem e hoje foi realizado o julgamento que teve representantes de várias ONGs internacionais como observadores.
Como agravantes da condenação por homicídio, a condenação levou em conta a crueldade do crime, pois Lopes Nascimento cortou uma orelha de José Claudio quando este ainda estava vivo, o que aumentou sua pena, e o fato de que as vítimas não tiveram a menor chance de defesa.
A sentença também ressaltou a condição de líderes comunitários de José Claudio e Maria, 'que a sua maneira trabalhavam na prospecção de terras', segundo relatou o juiz, e o 'severo trauma' que o crime deixou em seus parentes e amigos.
No entanto, o terceiro acusado, José Rodrigues Moreira, que segundo a denúncia do Ministério Público do Pará foi quem organizou o assassinato do casal de extrativistas, foi absolvido pelo júri popular porque, segundo o juiz, 'não há provas suficientes para sua condenação'.
Representantes dos movimentos sociais que desde ontem estavam concentrados em frente ao Fórum de Marabá para exigir justiça, lançaram pedras contra o tribunal em protesto pela absolvição.
Enquanto o juiz continuava com a leitura da sentença, era possível ouvir os gritos dos manifestantes do lado de fora do tribunal que clamavam por justiça e bradavam frases como 'o povo unido jamais será vencido!' e 'Maria, José, a luta segue de pé!'.
Parentes do casal assassinado deixaram a sala do tribunal com lágrimas nos olhos e chamando José Rodrigues de assassino.
O Ministério Público anunciou, ao final da leitura da sentença, que vai recorrer contra a absolvição de José Rodrigues, porque acredita que ele é o principal responsável pelo duplo assassinato.
Representantes de movimentos sociais também anunciaram que apelarão contra a decisão e que o farão na capital Belém, onde 'as condições de objetividade são melhores', disse o promotor José Batista Gonçalves Afonso.
Após a sentença, um muro externo do tribunal foi pintado com os dizeres 'Assassino' e 'Um crime impune' com mãos vermelhas como se estivessem manchadas de sangue.
Após as alegações da acusação e da defesa, a sentença demorou mais de três horas para ser lida em uma sala repleta de familiares das vítimas, de meios de comunicação e ativistas dos movimentos sociais e dos direitos humanos.
O representante do movimento Terra de Direitos, o advogado Antônio Escrivão, qualificou o veredicto como 'terrível'.
'Condenaram os matadores de aluguel, mas o mandante, aquele que tem os motivos, foi absolvido', disse Escrivão à Agência Efe.
Além disso, criticou a 'criminalização dos movimentos sociais e das vítimas' que fez o juiz ao culpá-los por sua própria morte quando mencionou na sentença que 'o comportamento das vítimas', por sua defesa do meio ambiente, teve influência para que o crime fosse cometido.
'Estava cheio de provas que (as vítimas) procuraram as autoridades' para solucionar as ameaças que recebiam, exclamou Escrivão.
Para o ativista, este julgamento é importante porque é o primeiro dos cinco previstos neste ano, relacionados com crimes por violações dos direitos humanos.
Marianne Andersson, da organização sueca Right Livelihood Foundation, que faz um acompanhamento da situação nas áreas rurais do Pará, expressou seu desejo que a apelação funcione porque está 'convencida' que José Rodrigues é culpado. A sueca comemorou o fato de os dois assassinos terem sido condenados.
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