EFE
Argentina vê milhares de desabrigados por temporal que deixou 57 mortos
Buenos
Aires, 4 abr (EFE).- As autoridades da Argentina e ONGs estão
trabalhando no apoio aos milhares de afetados pelo temporal de
terça-feira, que deixou 57 mortos, após a confirmação de que já não há
pessoas desaparecidas.
Do total de vítimas, todas já identificadas, 51 são de La Plata e seis de Buenos Aires, cidades separadas por cerca de 60 km.
O
ministro de Segurança da província de Buenos Aires, Ricardo Casal,
confirmou em entrevista coletiva o número de mortos em La Plata após a
busca em 5.940 domicílios com a colaboração das forças federais.
Casal
informou, além disso, que das 110 pessoas denunciadas como
desaparecidas, '106 foram encontradas com vida e outras quatro estavam
mortas', que já faziam parte das primeiras listas.
Explicou também que 'na lista do total de mortos, as idades variam entre um máximo de 96 anos e um mínimo de 20'.
Dois
dias depois da catástrofe, voluntários da Cruz Vermelha distribuíram
água potável, roupas, sapatos, fraldas e alimentos no bairro de Tolosa
em La Plata, o mais afetado pelas inundações.
Milhares de doações, recebidas pela ONG Rede Solidária, chegaram ao local e em outras áreas castigadas da cidade, como La Loma.
'Necessito
de água, há dois dias estou sem água, nos entregaram um recipiente com
dez litros, mas não é suficiente para nada', disse um morador de Tolosa,
que exigiu também que seja restabelecida a distribuição de energia
elétrica.
A água, que chegou a superar 1,70m em alguns locais, já
baixou neste bairro, onde nasceu a presidente argentina, Cristina
Kirchner, mas o panorama é ainda desolador e os pertences salvos pelos
moradores se acumulam nas ruas, entre árvores e postes de luz caídos.
As autoridades argentinas também distribuíram colchões e cobertores nos abrigos, nos quais permanecem cerca de mil pessoas.
Além
disso, foram habilitados quatro hospitais móveis para facilitar a
assistência médica e distribuir remédios, já que muitos centros de saúde
da cidade foram severamente afetados pela inundação.
'La Plata se
transformou em uma cidade de pós-guerra', disse o prefeito, Pablo
Bruera, que colocou como prioridade 'trabalhar para que as pessoas
possam retornar para suas casas e dar assistência às vítimas'.
Bruera
foi vaiado nesta quinta-feira por vários moradores depois que
qualificou como 'um erro' de sua equipe de comunicação o tweet no qual
assegurava que estava distribuindo ajuda humanitária, quando na
realidade ainda se encontrava de férias no Brasil.
O ministro do
Planejamento Federal, Julio de Vido, afirmou nesta quinta-feira que a
filial da Telefónica na Argentina 'vai sofrer uma forte multa' por não
ter previsto medidas para garantir o serviço de telefonia fixa e móvel
em La Plata e arredores após o temporal e ter permitido que seus
assinantes ficassem sem serviço durante 15 horas.
'Advertimos às
empresas de serviço telefônico que sob nenhum aspecto o serviço deveria
ser interrompido porque deveriam ter todos os 'back ups' elétricos e
geradores para manter o serviço tanto de telefonia celular como fixo',
afirmou De Vido à televisão local.
O serviço telefônico funcionava hoje com normalidade e o fornecimento de água foi restabelecido na maioria das residências.
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