Negócios VEJA
Eike Batista vai faturar R$ 40 mi com concessão da Marina da Glória
Valor é quatro vezes
maior que o faturamento atual e deve ser atingido após reforma feita por
companhia controlada pelo empresário
Revitalização da marina deve ser concluída em 2015 e será feita por empresa de Eike
(Genilson Araújo/Agência O Globo)
O empresário Eike Batista pretende multiplicar por quatro o faturamento
da Marina da Glória, no Rio de Janeiro. O seu projeto de reforma prevê
arrecadação, por ano, de até R$ 40 milhões com a locação da área para
eventos, além de cobrança pelo uso de novas lojas, pelas vagas para
barcos e do estacionamento, que será ampliado de 200 para 600 vagas. A
cifra foi revelada na última terça-feira pelo representante da
concessionária REX, Marco Adnet, em audiência pública realizada na
Câmara Municipal do Rio para debater o projeto para a marina, no Parque
do Flamengo.
"Com o novo projeto, esperamos sair de um faturamento que gira entre R$
8 milhões e R$ 10 milhões para algo na ordem de R$ 30 milhões a R$ 40
milhões", disse Adnet. O projeto final de revitalização depende de
aprovação do conselho consultivo do Instituto do Patrimônio Histórico e
Artístico Nacional (Iphan). Adnet disse esperar uma decisão até o fim
deste mês. A obra, segundo ele, precisa ser iniciada neste ano para
ficar pronta até dezembro de 2015, quando o local deverá ser usado para a
realização de um teste para a Olimpíada de 2016. "Nossa intenção é
começar em agosto de 2013 para entregar até agosto de 2015, no máximo
setembro", afirmou. O processo de licenciamento ambiental, em geral
demorado, só começará após a aprovação do Iphan.
O representante do grupo de Eike acrescentou que negocia interferências
no projeto desde 2010 e que agora o Iphan tem em mãos todos os
elementos para a decisão final. "Com a aprovação neste mês, acredito que
até junho os órgãos municipais possam liberar suas licenças. Restará
ainda a validação do Ministério Público e do juízo, ao qual impetramos
recurso, para a liberação das obras. São prazos otimistas, mas
possíveis", disse. Único representante da prefeitura na audiência, o
presidente do Instituto Rio Patrimônio da Humanidade, Washington
Fajardo, defendeu o projeto de Eike. "Preliminarmente, tem qualidades
arquitetônicas que trazem melhorias em relação à situação que temos
hoje", afirmou Fajardo.
Críticas - O vereador Paulo Messina (PV) afirmou que as
contrapartidas oferecidas pela empresa, entre elas a recuperação da área
de piqueniques e do bosque, são obrigações. Segundo ele, o projeto
servirá apenas para dar lucro à REX, braço imobiliário de Eike. "Não sei
o que estão propondo de benefício para a população", disse Messina.
Adnet rebateu e afirmou que a exploração de eventos e de espaços
comerciais está prevista na concessão. O vereador Eliomar Coelho (PSOL)
criticou o fato de usuários da Marina da Glória não terem sido ouvidos
na audiência e questionou a criação de mais 400 vagas sem estudo de
impacto no trânsito. "O projeto precisa de viabilidade técnica e
econômica, mas acima de tudo social. A área é pública", afirmou Coelho.
Para Fajardo, há "preconceito" contra a empresa de Eike. "Feliz é a
cidade que tem grandes empresários. A Lota Macedo, que criou o Aterro, é
filha de um grande empresário da época. O que tem de ser levado em
consideração é o ponto de vista técnico, que o projeto se adeque bem à
área." José Marcondes, da associação de moradores da Glória, apoiou a
proposta e foi vaiado por ocupantes da galeria. Um representante dos
hotéis Windsor elogiou o projeto, dizendo que a localização "é perfeita"
para um centro de convenções.
Hoje, a REX é obrigada a destinar 8% do lucro com a marina para a
prefeitura. Segundo Adnet, está em discussão mudança na fórmula. "A
remuneração ocorreria por porcentual do faturamento, e não mais do
lucro", afirmou ele.