quinta-feira, 4 de abril de 2013

Chuvas torrenciais deixam dezenas de mortos na Argentina

América Latina

VEJA

Chuvas torrenciais deixam dezenas de mortos na Argentina

Autoridades de La Plata - cerca de 60 quilômetros ao sul da cidade de Buenos Aires - consideram este um desastre climático único na história da cidade

Homem usa prancha para tentar se locomover em avenida alagada. Cinco pessoas morreram como consequência da forte chuva que atingiu Buenos Aires no início da madrugada desta terça-feira (2)
Homem usa prancha para tentar se locomover em avenida alagada. Ao menos cinco pessoas morreram como consequência da forte chuva que atingiu Buenos Aires no início da madrugada desta terça-feira (2) - Fernando Sturla/AFP
Dezenas de pessoas morreram na Argentina depois das chuvas torrenciais que deixaram centenas de desabrigados nos últimos dias. O temporal atingiu a capital Buenos Aires e depois se deslocou para o sul, chegando a La Plata, onde caíram 400 milímetros de água em duas horas.
Segundo a imprensa argentina, só em La Plata, localizada cerca de 60 quilômetros ao sul da cidade de Buenos Aires, o número de mortos já chega a 40. "É um desastre climático único na história de La Plata", disse a repórteres o ministro da Justiça e Segurança do distrito, Ricardo Casal. Mais de 2.000 pessoas tiveram de ser evacuadas e metade da cidade ficou inundada.Homem sobe em carro em área inundada em La Plata, na Argentina
“Agora vamos encontrando com a pior situação”, disse, pela manhã, o governador da província de Buenos Aires, Daniel Scioli, que não descartou a possibilidade de aumento no número de mortos. Há mais de 2.200 desabrigados e muitas pessoas aguardam resgate nas lajes de suas casas e em cima de carros. “Nunca vi coisa igual. Esta situação não tem precedentes”, acrescentou Scioli. Ele explicou que um grande volume de chuva caiu em poucas horas, e não houve tempo para os moradores escaparem.
Em La Plata, muitas pessoas tiveram de passar horas sobre os telhados de suas casas à espera de resgate, conforme a água arrastava todos os veículos em seu caminho. "A tarefa mais difícil foi à noite, quando a água atingiu níveis muito elevados na madrugada e não havia possibilidade de sobrevoar ou oferecer auxílio aéreo", explicou Casal, acrescentando que havia cerca de 1.500 desabrigados.
Em Buenos Aires, as chuvas deixaram pelo menos seis mortos. A inundação de ruas e casas atingiu com maior força os bairros da zona norte da capital, onde tem crescido nos últimos dez anos a construção de edifícios, sem a realização de obras de infraestrutura hídrica, segundo entidades ambientalistas.

Obama promete abrir mão de parte de seu salário anual

Estados UnidosVEJA

Obama promete abrir mão de parte de seu salário anual

Jornal 'The New York Times' publicou que presidente devolverá 5% de seu salário anual de 400.000 dólares em solidariedade a funcionários públicos atingidos por cortes de despesas

O presidente dos EUA, Barack Obama, durante entrevista à televisão israelense
O presidente dos EUA, Barack Obama, durante entrevista à televisão israelense (Reprodução)
O presidente americano Barack Obama vai abrir mão de 5% do seu salário em solidariedade aos funcionários públicos que devem ficar alguns dias sem trabalhar e sem receber, em decorrência do corte de gastos que entrou em vigor no mês passado. Como o salário anual de Obama é de 400.000 dólares, ele deverá devolver 20.000 dólares (cerca de 40.300 reais) ao Departamento do Tesouro americano, informou jornal The New York Times, citando um funcionário da Casa Branca, que não foi identificado.

O desconto tem caráter retroativo a 1º de março, quando os cortes entraram em vigor, e será aplicado até o final do ano fiscal, em setembro. O "sequestro orçamentário" prevê cortes automáticos de gastos no montante de 85 bilhões de dólares de custos ao governo.
Para evitar a interrupção de serviços públicos, centenas de milhares de funcionários dos setores atingidos pelos cortes automáticos deverão ter folgas forçadas e não remuneradas durante vários dias por mês, dependendo do serviço que prestarem. A Casa Branca também reduziu compras de equipamentos e suprimentos e diminuiu o número de integrantes das delegações em viagens.
Com o anúncio, Obama se junta ao secretário de Defesa, Chuck Hagel, que anunciou na terça-feira que devolveria parte de seu salário anual ao governo, em razão dos cortes no Pentágono.
(Com agência Reuters)

Venezuela: oposição acusa governistas de violar processo eleitoral

América Latina

Venezuela: oposição acusa governistas de violar processo eleitoral

Chefe de campanha de Maduro classifica denúncia de "calúnia" e diz que opositores planejam abandonar disputa, 

Nicolás Maduro e Henrique Capriles, candidatos à presidência na Venezuela
Nicolás Maduro e Enrique Capriles, candidatos à presidência na Venezuela - Carlos Garcia Rawlins/Reuters
A oposição venezuelana acusou o partido governista de ter acesso privilegiado às urnas eletrônicas que serão utilizadas nas eleições presidenciais do próximo dia 14. O secretário da coalizão opositora Mesa da Unidade Democrática, Ramón Guillermo Aveledo, disse nesta quarta-feira que um técnico do PSUV, partido de Nicolás Maduro, tem um código de acesso aos equipamentos.
“Essa chave não pode estar nas mãos de organizações políticas e era completamente anormal que estivesse em mãos de um técnico do PSUV. O partido oficial violou áreas técnicas que são exclusivas do CNE e da empresa que coordena as máquinas”, disse Aveledo, ao explicar que o técnico ativou o sistema no último sábado, durante auditorias realizadas no Conselho Nacional Eleitoral.
O secretário disse que o acesso não coloca em risco o sistema de votação nem o sigilo do voto, que têm chaves de acesso de alta segurança. Ressaltou ainda que o risco é limitado, “a menos que ocorra uma sabotagem, por isso estamos denunciando”.



De acordo com Aveledo, a presidente do CNE, Tibisay Lucena, admitiu a irregularidade e assegurou que uma investigação será aberta para "determinar os responsáveis”. O representante da oposição solicitou a troca dos códigos e a aplicação de sanções administrativas aos culpados.

O chefe do comando de campanha “Hugo Chávez”, Jorge Rodríguez, classificou a denúncia de “calúnia” e disse que a acusação é parte de uma estratégia da oposição para desconhecer os resultados e abandonar as eleições. “Vocês não acreditam na democracia, só na desestabilização. Não sejam covardes, vamos nos medir com votos”.
Leia mais: 

Disputa - As eleições presidenciais na Venezuela serão realizadas no dia 14 de abril. Nesta terça-feira, a campanha eleitoral teve início oficialmente, apesar de os candidatos já estarem em busca de votos desde a morte de Hugo Chávez, anunciada no dia 5 de março. O início da campanha oficial foi marcado pela insistência de Maduro em invocar o fantasma de Chávez. Ao discursar em Sabaneta, no estado de Barinas, terra natal do coronel, Maduro disse que Chávez apareceu para ele na forma de um "passarinho"  enquanto rezava em uma pequena capela da cidade. “Eu o senti ali como se tivesse nos dando uma benção, dizendo: ‘hoje começa a batalha. Vamos para a vitória, você tem a nossa benção’. Eu senti isso em minha alma”.
Nesta quarta, foi a vez do candidato opositor Henrique Capriles fazer um comício na terra de Chávez. Ele se referiu às denúncias feitas por seu comando eleitoral dizendo que elas devem “significar para o povo de Barinas e para todos os venezuelanos mais força para lutar e derrotar este governo com votos”.

Polícia vai barrar falsos estudantes no Rock in Rio

Música

Polícia vai barrar falsos estudantes no Rock in Rio

Compra de meia entrada só será possível com apresentação de comprovante

O público no último dia do Rock in Rio, em 02/10/2011
O público no último dia do Rock in Rio, em 02/10/2011 (Ricardo Fujii/Grudaemmim)
A organização do Rock in Rio 2013 firmou um convênio com a Polícia Civil para fechar o cerco em torno de quem compra meia-entrada de forma fraudulenta. A compra de ingressos para o festival - que começam a ser vendidos às 10h desta quinta-feira - será fiscalizada por meio das informações fornecidas pelos usuários.
Segundo o delegado Fernando Albuquerque, titular da Delegacia de Defraudações, o objetivo é alertar os "falsos estudantes" que eles podem responder por tentativa de estelionato, além de terem os ingressos invalidados. "No primeiro lote de ingressos da pré-venda já foram identificados indícios de fraude", informou a organização do evento, que entregou à polícia toda a base de dados dos compradores do Rock in Rio Card.
A partir da efetivação da compra do ingresso, será feito ainda um levantamento prévio em instituições de ensino, para comparar as informações. Caso seja comprovada a fraude, os suspeitos serão chamados a prestar esclarecimentos na delegacia. Ainda será exigida a apresentação da carteira de estudante na entrada do Rock in Rio, em cada dia de shows.
Vendas - O ingresso integral custa 260 reais, e a meia-entrada, 130 reais. Não é cobrada taxa de conveniência. A venda pela internet terá início às 10h desta quinta-feira, pelos sites www.rockinrio.com e www.ingresso.com. Cada pessoa tem o direito de adquirir até quatro entradas por dia de festival, mas só uma delas poderá ser meia.
Estudantes de ensino fundamental, médio ou superior, da rede pública ou particular, devem apresentar como comprovante documento de identificação estudantil (carteira de estudante ou comprovante de matrícula) expedido pelo estabelecimento de ensino e/ou pela associação estudantil e/ou agremiação estudantil, além de um documento de identidade com foto. Boleto bancário ou comprovante de mensalidade não são aceitos.
O festival acontece entre 13 e 22 de setembro no Rio de Janeiro. Entre as atrações já confirmadas estão a cantora Beyoncé, os músicos Justin TimberlakeBon JoviBruce Springsteen e John Mayer, e as bandas Florence and the Machine, 30 Seconds to MarsSlayerAlice in Chains, MuseMetallica e Iron Maiden, entre outros.

Na posse de Borges, Dilma afaga o PR de olho em 2014

Ministérios

Na posse de Borges, Dilma afaga o PR de olho em 2014

César Borges assume Transportes, pasta da qual, em 2011, seu correligionário Alfredo Nascimento foi demitido por esquema de corrupção

Laryssa Borges, de Brasília
Presidente Dilma Rousseff durante cerimônia de posse do Ministro de Estado dos Transportes, César Borges
Borges é o novo ministro dos Transportes (Roberto Stuckert Filho/PR)
De olho nas eleições de 2014, a presidente Dilma Rousseff empossou nesta quarta-feira o ex-senador César Borges como novo ministro dos Transportes e, em um gesto de aproximação com o Partido da República (PR), ao qual Borges é filiado, elogiou a consolidação da legenda no primeiro escalão do governo federal.
O convite a Borges é mais um capítulo da reaproximação da presidente com políticos banidos do primeiro escalão após a alegada “faxina” na Esplanada dos Ministérios. Depois de revitalizar Carlos Lupi, que, mesmo defenestrado do Ministério do Trabalho diante de denúncias, emplacou seu braço direito, Manoel Dias, na pasta, a presidente devolve ao PR o cobiçado Ministério dos Transportes.
O titular dos Transportes no início do governo Dilma era o atual senador Alfredo Nascimento, demitido em julho de 2011, após VEJA ter revelado um amplo esquema de corrupção e troca de favores envolvendo o ministério e autarquias.
“Creio que a nomeação de César Borges (...) consolida a participação do PR na nossa coalização do governo, o que para nós também é muito importante, e o faz de forma extremamente qualificada”, disse a presidente na solenidade de posse. “O PR é o partido que está conosco desde o dia em que o grande brasileiro José Alencar concorreu à vice-presidência em dobradinha com o ex-presidente Lula, o que nos levou à vitória nas três eleições que seguiram”, afirmou.
Aliados – A escolha de Borges faz parte da estratégia para trazer de volta o PR à base aliada do governo e, com o afago, começar a sedimentar o apoio da legenda ao projeto de reeleição da presidente Dilma Rousseff. Embora tenha feito carreira política no extinto PFL, atual DEM, César Borges é uma solução considerada “mista” para o PR: o ex-senador tem perfil político e pode atender os pleitos mais imediatos do partido e também é um nome escolhido pessoalmente pela presidente.
Borges ocupava a vice-presidência de governo do Banco do Brasil e substituirá Paulo Sérgio Passos, indicado agora pela presidente para a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). Passos também é filiado ao PR, mas não tinha o apoio de deputados e senadores da legenda e era considerado da “cota pessoal” da presidente. Para ocupar a ANTT, o nome de Passos precisará ser sabatinado no Senado.
Na posse do novo ministro dos Transportes, a presidente Dilma Rousseff utilizou parte do discurso para criticar governos anteriores pela falta de investimento em logística e disse que o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) e a Valec, estatais do setor, estão agora com um “time mais afinado” do que em gestões anteriores. Conforme revelou VEJA, as duas empresas eram engrenagens fundamentais no esquema de corrupção coordenado pelo PR no Ministério dos Transportes.
A confirmação do nome de César Borges como ministro do PR nesta segunda-feira não agradou parte das lideranças do partido. O anúncio do nome do ex-senador baiano foi feito à bancada pelo homem forte da agremiação, Valdemar Costa Neto (PR-SP), condenado por participar do esquema do mensalão. O presidente nacional do PR, Alfredo Nascimento, contatou apenas parte dos deputados e senadores, enquanto a presidente Dilma Rousseff telefonou diretamente para o líder do partido na Câmara, Anthony Garotinho, para falar de Borges.

Motorista e agressor serão indiciados por acidente na Avenida Brasil

Rio de Janeiro VEJA

Motorista e agressor serão indiciados por acidente na Avenida Brasil

Briga entre eles teria levado à queda do ônibus, deixando sete pessoas mortas e outras nove feridas; ambos responderão por homicídio doloso (com intenção)

  • Ônibus cai de viaduto na Avenida Brasil no Rio de Janeiro
  • Ônibus cai de viaduto na Avenida Brasil no Rio de Janeiro






Ônibus cai de viaduto na Avenida Brasil no Rio de Janeiro











Ônibus cai de viaduto na Avenida Brasil no Rio de Janeiro - Bruno de Lima/Frame
O delegado José Pedro Costa da Silva, da 21ª DP (Bonsucesso), vai indiciar tanto o motorista do ônibus, que despencou de um viaduto na Avenida Brasil na terça-feira, quanto o passageiro que o agrediu durante a briga que pode ter motivado o acidente. Ambos terão a prisão preventiva decretada e responderão por homicídio doloso (quando há intenção de matar). Os dois estão entre os nove feridos na queda, que matou sete pessoas.
O estudante de engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Rodrigo dos Santos Freire, de 25 anos, discutia com o motorista André Luiz da Silva Oliveira, de 33 anos, pouco antes do acidente com o veículo da linha 328 (Bananal-Castelo), da empresa Paranapuan. No viaduto Brigadeiro Trompowski, o ônibus rompeu a grade lateral de proteção e caiu de cabeça para baixo na pista lateral da via.
Leia: Motorista teria levado chute no rosto antes de acidente na Avenida Brasil
Passageiros ouvidos até o momento contam que Rodrigo pulou a catraca do veículo, bateu boca e deu um chute no rosto de André. "Algumas pessoas contam que o condutor parece ter desmaiado", revela o delegado. Duas testemunhas reconheceram o estudante como o agressor, por meio de fotos na delegacia, e também pessoalmente no hospital Miguel Couto, na Zona Sul, onde Rodrigo está internado. O jovem tem duas passagens pela polícia, ambas por lesão corporal.
"Após as provas testemunhais, não há dúvidas de que Rodrigo foi o agressor do motorista. E o condutor, ao dirigir em alta velocidade, discutir com o passageiro, a ponto de ser agredido, também contribuiu para o acidente. Por isso, serão indiciados por homicídio doloso", afirmou José Pedro Costa da Silva. "As testemunhas o reconheceram sem sombra de dúvida", acrescentou.
Leia: Ônibus cai de viaduto na Avenida Brasil e sete morrem
Interrogatórios - Em depoimento nesta tarde, Rodrigo disse não se lembrar de ter entrado no ônibus. Falou que só se recorda de ter saído de casa, na Ilha do Governador, para ir à aula, na Ilha do Fundão, e que ficou sabendo do acidente pela televisão que se encontra na enfermaria onde está internado. Ele fraturou a mandíbula no acidente.
De manhã, o delegado também tentou ouvir o motorista, que está no hospital Getúlio Vargas, mas ele ainda não está em condições de falar sobre o caso. "Ele está em estado de choque, não se recorda do que aconteceu. Sua memória recente está prejudicada", contou Silva, na saída da unidade de saúde. André teve fratura na perna e traumatismo craniano.
Leia também: Ônibus que caiu de viaduto tinha vistoria vencida e 47 multas
Vistorias - Independentemente dos relatos, uma perícia foi realizada no ônibus para verificar se a parte mecânica estava funcionando adequadamente. De acordo com o site do Detran-RJ, o último licenciamento do coletivo, placa KYI-0973, foi feito em 2011. Fabricado em 2007, o ônibus acumula 47 multas desde 2008, segundo a página da Secretaria Municipal de Transportes (SMTR) na internet - catorze delas por excesso de velocidade, e doze por avanço de sinal. Já a vistoria feita pela SMTR estava em dia: a última ocorreu em 3 de julho do ano passado, e tem validade de um ano.

FILME O patriota


TJ paulista afasta desembargador suspeito de pedir dinheiro a advogados

Justiça VEJa

TJ paulista afasta desembargador suspeito de pedir dinheiro a advogados

Magistrado com 30 anos de carreira é acusado de pedir 35 000 reais para escritório de advocacia que teria recurso julgado

Jean-Philip Struck
Tribunal de Justiça de São Paulo
Sede do Tribunal de Justiça de São Paulo. Órgão especial determinou afastamento de desembargador (Gedeão Dias/TJSP)
O órgão especial do Tribunal de Justiça de São Paulo determinou, por unamidade, nesta quarta-feira o afastamento de um desembargador, presidente da 15ª Câmara de Direito Público, acusado de pedir 35 000 reais para um advogado que teria um recurso julgado pelo magistrado. Segundo a decisão que determinou o afastamento, o desembargador Arthur Del Guércio Filho, que está na magistratura há 30 anos, havia dito que precisava do dinheiro para “saldar um empréstimo para a reforma da residência”.
A denúncia foi feita no dia 18 de março, pelo juiz aposentado e ex-secretário da Administração Penitenciária de São Paulo Nagashi Furukawa, que hoje atua como advogado. Segundo a denúncia de Furukawa, o pedido do desembargador Del Guércio ocorreu no dia 19 de fevereiro.
 Na ocasião, segundo Furukawa, o desembargador ligou para seu escritório e conversou com sua sobrinha, Fabiane Furukawa, e pediu que ela fosse ao seu gabinete. No local, que fica em um prédio do TJ no centro de São Paulo, o desembargador lembrou para a sobrinha que o escritório de Furukawa teria um processo julgado em dois dias, e depois afirmou que estava enfrentando uma situação financeira muito complicada e que teria que fazer um pagamento para uma credora no dia seguinte.
“Ele pegou um lápis e anotou o valor em cima, no alto desse sulfite, de 35 000 reais e traçou uma linha de ponta a ponta da folha e virou para o meu lado: ‘esse é o valor que tenho que saldar até amanhã”, disse a sobrinha em depoimento para o órgão especial do TJ. Ela relatou ainda que o desembargador disse "não estou vinculando à decisão do processo, mas ficaria muito grato se puder me ajudar".
Depoimentos - Após a denúncia do advogado Furukawa, o relator do processo contra o desembargador, o presidente do TJ, Ivan Sartori, passou a ouvir outros advogados e desembargadores, que relataram histórias semelhantes envolvendo Del Guércio. Um outro desembargador afirmou ter ouvido de cinco grandes escritórios “que contavam, em resumo, que Del Guércio os procurava para simplesmente pedir dinheiro sob o pretexto de que estava em dificuldades financeiras, que não sabia o que fazer, que  agradecia isso e aquilo e acabava levando 20, 30 000 reais”, diz um trecho do depoimento.
Após colher os depoimentos, Sartori remeteu o processo ao órgão especial de TJ, que, acompanhando voto do presidente, decidiu por unanimidade afastar Del Guércio.
Gravidade - Na decisão, o presidente do TJ paulista, o desembargador Ivan Sartori disse que “o cenário que chegou ao conhecimento da presidência do Tribunal de Justiça possui contornos sensivelmente graves” e que eles “malferem os mais caros atributos da Magistratura e expõem a risco a imagem de toda a Instituição”.
Ainda segundo Sartori, “o quadro delineado nos autos, mais, não é sugestivo de um fato isolado, mas revelador de um verdadeiro padrão de comportamento desbordante da mais comezinha postura expectável de um magistrado”.
O afastamento do desembargador vai vigorar enquanto durar o processo administrativo contra ele. Del Guércio terá prazo de quinze dias para apresentar sua defesa prévia. A decisão foi comunicada ao Superior Tribunal de Justiça e à Corregedoria Nacional de Justiça.
Del Guércio não foi localizado para comentar as acusações. Ao jornal O Estado de São Paulo, o desembargador disse ter sido apanhando de “surpresa” pela decisão e negou que tenha solicitado vantagens indevidas de advogados. "Isso não tem o mínimo fundamento. Eu recebo todos os advogados em meu gabinete de forma rotineira. Não

Dirceu tenta adiar novamente publicação de acórdão

VEJA

Dirceu tenta adiar novamente publicação de acórdão

Condenado a dez anos e dez meses de prisão por formação de quadrilha e corrupção ativa, o ex-ministro-chefe da Casa Civil José Dirceu recorreu novamente ao Supremo Tribunal Federal (STF) para tentar ampliar o prazo que a defesa dos condenados tem para apresentar recursos. Embora o presidente da corte, ministro Joaquim Barbosa, já tenha negado mais prazo para as defesas apresentarem recursos – o prazo é de cinco dias após a publicação do acórdão –, Dirceu contesta a interpretação de que a íntegra dos votos dos ministros já é amplamente conhecida.
A defesa do petista argumenta que a transmissão das sessões de julgamento do mensalão pela TV Justiça por quatro meses não é garantia de que cada detalhe dos votos dos ministros tenha sido público. “Cada ministro apresentou sua decisão de maneira diferente, em sentidos diversos, provocando as mais variadas discussões. Muitos ministros improvisaram seus votos, outros mudaram de posicionamento ao longo das sessões”, diz o advogado José Luís de Oliveira Lima.
O pedido será analisado individualmente por Joaquim Barbosa e a tendência é que seja negado.
 (Laryssa Borges, de Brasília)

Comissão de Direitos Humanos veta manifestantes

Câmara

Comissão de Direitos Humanos veta manifestantes

Decisão foi tomada nesta quarta-feira e vale para as próximas reuniões; colegiado também aprovou moção de repúdio a vice de Hugo Chávez

Gabriel Castro e Marcela Mattos, de Brasília
Marco Feliciano durante reunião da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados
Feliciano proibiu que manifestantes entrem na sala da comissão (Andre Borges/Folhapress)
A Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados aprovou nesta quarta-feira um requerimento para que os manifestantes continuem impedidos de entrar no local das próximas reuniões. O acesso será restrito a funcionários da Casa e jornalistas. Como contrapartida, as sessões serão transmitidas em telões em outros pontos da Câmara. Além disso, os manifestantes serão procurados para decidir se aceitam enviar ao menos um representante às reuniões.
A decisão foi tomada por iniciativa do presidente da comissão, o deputado Marco Feliciano (PSC-SP), e teve o consentimento de todos os presentes. "Não há ninguém que lamente mais do que eu. Falo isso com o coração sangrando. Mas eu preciso trabalhar. A Casa tem cobrado dessa comissão trabalho", disse Feliciano, que tem sido alvo de protestos por declarações consideradas discriminatórias contra homossexuais e negros.
O deputado João Campos (PSDB-GO), presidente da Frente Parlamentar Evangélica, classificou os manifestantes de "baderneiros, anarquistas, desrespeitosos, intolerantes e preconceituosos". Ele também pediu que a Comissão solicitasse à Polícia Legislativa a identificação dos manifestantes, por causa da informação de que muitos funcionários da Câmara participam dos atos quando deveriam estar trabalhando.


Marco Feliciano disse que o levantamento já foi requerido e que alguns assessores já foram identificados. Na semana passada, VEJA mostrou como funcionários ligados ao PT, ao PSOL e ao PV fazem parte das manifestações.
Nas semanas anteriores, quando a presença dos militantes foi tolerada no plenário, a fala de parlamentares acabou interrompida diversas vezes pelos protestos. Nesta quarta-feira, pela primeira vez, os manifestantes foram barrados desde o início da sessão. Eles permaneceram do lado de fora, gritando palavras de ordem. Alguns evangélicos também compareceram, e o clima entre os dois grupos se acirrou por diversas vezes. Um apoiador de Feliciano chegou a ser detido pela Polícia Legislativa após tentar agredir um militante contrário ao deputado.
Repúdio - A Comissão de Direitos Humanos também aprovou nesta quarta uma moção de repúdio a Nicolás Maduro, presidente da Venezuela e autor de declarações consideradas preconceituosas.
A proposta havia sido apresentada pelo deputado João Campos. Maduro, que era vice de Hugo Chávez e agora disputa a eleição para permanecer no comando do país, costuma fazer insinuações sobre a sexualidade do adversário. A última delas ocorreu em março: "Eu, sim, tenho mulher, escutaram? Eu gosto de mulheres", afirmou o presidente.


A proposta de Campos, a primeira a ser votada nesta quarta, é uma espécie de provocação a parlamentares de PT e PSOL que, ao mesmo tempo em que defendem o chavista Maduro, acusam parlamentares evangélicos de homofobia. "Penso que essa comissão tem o dever de se manifestar repudiando esse comportamento preconceituoso e discriminatório", argumentou o tucano. A aprovação se deu de forma unânime, em votação simbólica.
Outros requerimentos foram aprovados; um deles trata de uma visita de integrantes do colegiado a Oruro, na Bolívia, para acompanhar a situação dos doze corintianos presos na cidade. Outro propunha a realização de um debate sobre a questão indígena.
Vices - Também nesta quarta-feira, a deputada Liliam Sá (PSD-RJ) foi eleita segunda vice-presidente da comissão. Anderson Ferreira (PR-PE) ficou como terceiro vice-presidente. Assim como Feliciano e a primeira vice-presidente, Antônia Lúcia (PSC-AC), eles são evangélicos.