Banco Central VEJA
Mercado aposta em crescimento de 3,01% e juros a 8,5%
Economistas mantiveram também sua expectativa para a inflação em 5,71%
Aumento de preços ao consumidor esperado pelo mercado está em linha com o do BC
(Reinaldo Canato)
Analistas do mercado financeiro elevaram levemente a projeção para o
crescimento da economia em 2013, segundo pesquisa Focus divulgada nesta
segunda-feira. A previsão de alta do Produto Interno Bruto (PIB) passou
de 3% para 3,01%, de acordo com o Banco Central. Contudo, a projeção
ainda está abaixo da esperada há quatro semanas, de 3,09%. Para 2014, a
expectativa se manteve em 3,5%.
Já a previsão para os juros manteve-se inalterada, após três semanas de
alta consecutivas. Os especialistas apostam em uma Selic a 8,5% no
final deste ano. A projeção de inflação medida pelo Índice Nacional de
Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) para 2013 foi mantida em 5,71%
Há quatro semanas, a estimativa estava em 5,70%. Para 2014, a projeção
subiu pela terceira semana consecutiva, passando de 5,60% para 5,68%.
Há quatro semanas, estava em 5,50%. A projeção de alta da inflação para
os próximos 12 meses subiu de 5,42% para 5,43%, conforme a projeção
suavizada para o IPCA. Há quatro semanas, estava em 5,62%.
Nas estimativas do grupo dos analistas consultados que mais acertam as
projeções, o chamado Top 5 da pesquisa Focus, a previsão para o IPCA em
2013 no cenário de médio prazo subiu de 5,72% para 5,79%. Para 2014, a
previsão dos cinco analistas segue em 6,05%. Há um mês, o grupo apostava
em altas de 5,57% e de 6,20% para cada ano, respectivamente. Entre
todos os analistas ouvidos pelo BC, a mediana das estimativas para o
IPCA em março de 2013 segue em 0,50%, acima do 0,43% previsto há quatro
semanas. Para abril de 2013, segue em 0,40%. Há quatro semanas, estava
em 0,51%.
Para a produção industrial e o dólar, as estimativas dos analistas
estão em 3,12% (ante 3% na semana anterior) e 2 reais. No ano que vem, a
expectativa é que finalizem o ano em 3,95% e 2,05 reais.
Preços ao consumidor - Apesar
de a estimativa para o IPCA ter sido mantida nesta semana, os preços ao
consumidor ainda preocupam o governo, ainda mais depois de o relatório
trimestral de inflação mostrar que o índice vai estourar o teto da meta
de 6,5% e finalizar o ano distante do centro da meta (4,5%), a 5,7% -
condizente com a projeção do mercado).
Na quinta-feira passada, um discurso mal interpretado da presidente
Dilma Rousseff causou um alvoroço no mercado. Dilma declarou, ainda na
África do Sul, quando participava da reunião dos Briscs, que não tomaria
quaisquer medidas de
combate à inflação
que possam desacelerar o crescimento da economia brasileira. Ao
explicar, horas depois, que havia sido um mal entendido, a presidente
chamou a
imprensa de manipuladora.
Nem mesmo a declaração posterior do presidente do Banco Central,
Alexandre Tombini, de que a instituição está acompanhando de perto a
evolução da inflação acalmou os mercados e os títulos atrelados à
inflação de longo prazo subiram.
(com agências
Reuters e Estadão Conteúdo)