domingo, 31 de março de 2013

Permissão de pequenos canivetes em voos nos EUA traz de volta o fantasma de 11 de setembro

Estados Unidos    VEJA

Permissão de pequenos canivetes em voos nos EUA traz de volta o fantasma de 11 de setembro

Novas regras da agência que cuida da segurança dos transportes aéreos nos Estados Unidos começam a valer em 25 de abril

Agente da TSA espera para passar bagagens no raio-x, no aeroporto internacional de Los Angeles
Agente da TSA espera para passar bagagens no raio-x, no aeroporto internacional de Los Angeles (REUTERS/Mario Anzuoni)
Banidas desde os ataques terroristas contra as Torres Gêmeas, pequenos canivetes voltarão a ser permitidos em voos nos Estados Unidos a partir do dia 25 de abril. A decisão da Transportation Security Administration (Administração de Segurança do Transporte, em português), anunciada em 5 de março, trouxe de volta o fantasma do atentado de 11 de setembro de 2001. A preocupação não é infundada. Em 2004, a comissão responsável pela investigação disse que a melhor hipótese que explica como os sequestradores tomaram os aviões era a utilização de estiletes e alicates multifunções, itens permitidos pelo regulamento da época e que continuam vetados. .
A nova política da TSA permite facas com lâminas de até 6 centímetros de comprimento e 1,3 centímetro de largura (ver foto abaixo), desde que elas não possuam travas ou lâminas fixas nem cabos moldados. Equipamentos de esporte também serão liberados, como tacos de bilhar, bastões de esqui, tacos de golfe e bastões de beisebol menores que 61 centímetros e mais leves que 700 gramas. A proibição foi mantida para estiletes, giletes, alicates multifunções.
Reprodução TSA
Facas permitidas pela Transportation Security Administration
Facas permitidas pela Transportation Security Administration
Debate - As críticas foram muitas - e o assunto virou debate nacional. As companhias aéreas e organizações ligadas a comissários de bordo, pilotos e funcionários públicos questionaram a medida. Para eles, a TSA se preocupa com a manutenção da aeronave no ar, sem pensar na possibilidade de tripulação e passageiros serem vítimas de atos agressivos. O presidente da Associação de Comissários de Bordo do Sudoeste, Stacy K. Martin, disse que, enquanto os objetos oferecem pouco risco aos pilotos trancados em sua cabine, a decisão deixa a tripulação vulnerável a ataques. “Essa política foi formulada para facilitar a vida dos funcionários da TSA, mas não para tornar os voos mais seguros”, disse Martin. A opinião foi endossada pela Delta Airlines, que acredita que a permissão adiciona pouco valor para processo de segurança dos clientes em um voo em relação ao risco que adiciona sobre a tripulação e os passageiros.
O senador democrata Charles Schumer, de Nova York, enviou uma carga a John Pistole, chefe da TSA, dizendo que, em um ambiente confinado, qualquer objeto vira uma ameaça. “Os ataques de 11 de setembro mostraram que até uma pequena lâmina nas mãos de um terrorista pode levar ao desastre”, escreveu.

Schumer também questionou o fato de ser liberada a possibilidade de alguém portar uma pequena faca, mas não ser permitido levar uma embalagem grande de shampoo e ter de tirar os sapatos para passar pela segurança. A razão para isso, de acordo com a TSA, é o fato de existir explosivos líquidos e dispositivos não metálicos de detonação que podem ser escondidos nos sapatos. Durante uma audiência no Congresso na última semana, Pistole citou o exemplo de cartuchos de impressoras com materiais explosivos enviados do Iêmen a Chicago, em 2010.
O administrador da TSA defendeu a posição do orgão com o argumento que as mesmas críticas apareceram quando passou a ser permitido entrar nas aeronaves com agulhas de tricô, tesouras e chaves de fenda, em 2005. “Ainda não vimos um único incidente em que um passageiro foi ferido usando uma agulha de tricô ou tesouras. Pequenas facas são permitidas na Europa já há um tempo e não ficamos sabendo de nenhum incidente”, publicou no blog da agência. O antecessor do dirigente no cargo, Kip Hawley, o defendeu. “Você não pode prevenir agressões na aeronave, mas essa não é a missão da TSA. O objetivo da agência é prevenir um bem sucedido e catastrófico ataque terrorista e isso não é possível com uma pequena faca ou com um pequeno taco.”

De acordo com o site CNN, especialistas dizem que as melhorias na segurança desde os ataques, com portas reforçadas das cabines dos pilotos e passageiros mais atentos a movimentos suspeitos, fizeram com que a proibição de pequenas facas seja desnecessária. “Concordo com essa avaliação: um pequeno canivete não vai resultar em uma falha catastrófica de uma aeronave”, disse Pistole. Segundo o administrador da TSA as novas regras estão de acordo com os padrões internacionais e permitirão aos agentes “focar seus esforços em achar itens mais perigosos, como explosivos”. Para o presidente da House Homeland Security Committee, Michael McCaul, a prioridade da agência é proteger as aeronaves comerciais de ameaças e armas que possam derrubá-las.
A ameaça são as pessoas – O especialista em segurança Rafi Ron, presidente da New Age Security Solutions (Soluções de Segurança da Nova Era, em português) afirma que o foco central das preocupações com segurança deve estar nas pessoas e não nos objetos. “Risco não é mensurado por item, independente de ser uma faca ou uma arma. Ele é mensurado pela pessoa que o segura. Uma pessoa má com um canivete suíço ainda pode causar muito estrago para a tripulação e para os passageiros antes de o avião pousar”, disse.

O parto normal em extinção no Brasil

Maternidade VEJA

O parto normal em extinção no Brasil

Ministério da Saúde prepara ação para reduzir em 10% os partos cirúrgicos e alerta: há uma epidemia de cesarianas antecipadas sem necessidade no país


A fisioterapeuta carioca Cintia Porto, 42 anos, fez questão de fazer parto normal
A fisioterapeuta carioca Cintia Porto, 42 anos, fez questão de fazer parto normal - Marcelo Régua
“O acompanhamento de um parto normal é complicado, principalmente nas grandes cidades, onde a vida do médico é corrida e ele tem vários empregos. Uma cesariana leva uma ou duas horas. Um parto normal pode demorar mais de seis horas, e a remunieração feita pelos planos de saúde é muito próxima. Isso passou a ser uma comodidade”, admite Desiré Callegari, do Conselho Federal de Medicina
Desde fins do século XIX, quando a medicina conseguiu finalmente difundir as técnicas de anestesia e os procedimentos para evitar infecções, realizar os partos por meio de um procedimento cirúrgico é uma opção ao alcance das mulheres em grande parte do planeta. Descoberta quase por acidente, quando em 1500 um castrador de porcos suíço conseguiu autorização para abrir a barriga da mulher, que reclamava de fortes dores, as cesarianas progressivamente tornaram os partos mais seguros e menos sofridos, principalmente quando há risco para gestantes e bebês. No ranking da Organização Mundial de Saúde  (OMS), o Brasil aparece em segunda colocação entre os países com mais cesarianas em relação ao total de nascimentos. De 2000 a 2010, dos novos brasileiros que vieram ao mundo, 43,8% foram partos por cesariana, deixando o país atrás apenas do Chipre, que teve 50,9%.
O Ministério da Saúde passou a ver com preocupação esse índice, que ultrapassa em muito os 15% considerados adequados pela OMS. A concentração maior se dá na rede privada, que atualmente faz 80% dos partos por cesariana. Na rede pública, os partos por cirurgia são 40%. “Há uma epidemia de cesarianas no Brasil”, afirma Dário Pasche, diretor do Departamento de Ações Programáticas Estratégicas (DAPES), do Ministério da Saúde. Para ele, há um misto de comodismo e questões de mercado por parte dos médicos, que acabam evitando o parto normal. Estados Unidos, França e Argentina tiveram, entre os anos de 2000 a 2010,  taxas de 31,8%, 20,2% e 22,7% de cesarianas, respectivamente.
Nos próximos meses, o Ministério da Saúde vai lançar um conjunto de ações para estimular os partos normais e evitar o que chama de cesarianas desnecessárias ou antecipadas na rede pública e conveniada ao SUS – aqueles hospitais particulares onde as internações são pagas pela saúde pública. Uma resolução que aguarda a assinatura do ministro Alexandre Padilha estabelece meta de redução de 10% em cada unidade da rede pública. Outra medida nesse sentido é um edital de pesquisa internacional, cuja criação está sendo auxiliada pela Fundação Bill e Melinda Gates. O objetivo do estudo é encontrar caminhos para reduzir os casos de partos cirúrgicos desnecessários – algo que passa tanto pelas políticas de saúde pública quanto pela transformação da cultura entre as gestantes.
“A cesariana salva vidas. É uma técnica que fez a humanidade prosperar. Mas quando se abusa desse recurso, criamos um outro problema”, avalia Pasche. O risco, como explica, não está na cesariana isoladamente, mas no efeito que tem a opção em massa por esse tipo de parto. Com os agendamentos, a tendência é de se encurtar a gravidez. E o índice de nascimentos prematuros também é alto no Brasil, de 10%, quando o aceitável internacionalmente é de 3%. “A quantidade de bebês que nasce prematuramente no Brasil tem aumentado assustadoramente. Reduzir esse número é um dos maiores desafios no campo da saúde da criança”, diz Pasche.
Os primeiros dias de vida recebem, no momento, atenção especial do ministério. Entre 2000 e 2010, o país derrubou a mortalidade infantil (de idades entre 29 dias e 1 ano), indo de 26,6 para 16,2 casos por mil nascidos vivos. Mas o Brasil não teve o mesmo êxito na redução da mortalidade neonatal, que está diretamente ligada à proporção de nascimentos prematuros e de cesarianas antecipadas.
Pela OMS são considerados prematuros bebês que nascem antes de 37 semanas completas – o natural são até 42. Passou a ser usual o agendamento já a partir da 37ª semana - o que aproxima o parto da prematuridade. Responsável pelo setor de medicina fetal do Instituto Fernandes Figueira, ligado à Fiocruz e dedicado à saúde da mulher e da criança, Paulo Nassar vê na antecipação dos partos um risco para a saúde dos bebês. “A ultrassonografia tem margem de erro de uma semana. Uma mãe que agende a cesariana para a 37ª semana pode, na verdade, estar abreviando o nascimento para a 36ª”, alerta.
Nascer antes do tempo traz riscos principalmente para o sistema respiratório. Os pulmões do bebê se formam quando ocorre o estouro da bolsa, que representa o “sinal verde” do corpo para o nascimento. “Quando a mulher entra em trabalho de parto, há uma série de substâncias que amadurecem vários órgãos, principalmente o pulmão”, explica Nassar. Incapazes de respirar sozinhos, os recém-nascidos são afastados de suas mães e mantidos em UTIs neonatais. Por ano, cerca de 15 milhões de crianças no mundo são prematuras. Ou seja, mais de um a cada 10 bebês nasce antes da marca das 37 semanas – o que representa a principal causa da morte de recém-nascidos. A estimativa é de que um milhão de prematuros morram anualmente de complicações.
Mães e médicos – Dois fatores são decisivos para que as cesarianas sejam cada vez mais a forma de nascer dos brasileiros. Um deles vem das próprias gestantes. Uma pesquisa da Agência Nacional de Saúde Suplementar feita nos consultórios médicos mostrou que 70% das gestantes têm, inicialmente, vontade de dar à luz pelo parto normal. No último trimestre, só 30% se mantêm com o propósito de esperar as contrações e enfrentar o processo natural. “Alguma coisa acontece durante o pré-natal e faz com que as mulheres mudem de ideia. Temos observado também que, muitas vezes, essas indicações de cesariana são feitas no primeiro trimestre de gravidez, quando a mulher não tem nenhuma indicação para cesariana”, afirma Karla Coelho, gerente de regulação assistencial da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). “A comodidade do médico não é a única explicação. Muitas mulheres querem tecnologia, querem chegar e ter o bebê sem ficar horas em trabalho de parto. E, claro, também têm medo de sentir dor”, diz.
O segundo fator vem dos médicos. “O acompanhamento de um parto normal é complicado, principalmente nas grandes cidades, onde a vida do médico é corrida e ele tem vários empregos. Uma cesariana leva uma ou duas horas. Um parto normal pode demorar mais de seis horas, e a remuneração feita pelos planos de saúde é muito próxima. Isso passou a ser uma comodidade”, admite Desiré Callegari, primeiro secretário do Conselho Federal de Medicina (CFM).
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Em busca de um médico

Encontrar um médico disponível para realizar um parto normal, disposto a ser tirado de casa a qualquer hora para acompanhar o procedimento, vem se tornando algo mais difícil a cada ano. Moradora de São Paulo, Liliane Meira, de 34 anos, descobriu que estava grávida pela segunda vez há quatro anos. Percorreu dez médicos, recebeu dez respostas negativas. Parte deles alegava que Liliane tinha feito uma cesariana cinco anos antes da segunda gestação e, por isso, seria preciso usar o mesmo método no próximo parto. Outros três médicos argumentaram que a cesárea era mais segura e que trabalhavam exclusivamente com essa opção. “Falaram das probabilidades da falta de oxigenação e da fragilidade do parto normal”, relata Liliane, que já tinha passado por uma cesárea de gêmeos complicada, com inflamação e abertura dos pontos. Pela internet, Liliane encontrou uma equipe de médicos que fazia o que é chamado de parto humanizado – uma maneira de dar à luz com a menor intervenção médica possível, mas que leva em conta os recursos disponíveis em uma unidade hospitalar. “No dia em que a bolsa estourou, fiquei 20 horas no hospital em trabalho de parto para ter meu bebê da maneira mais natural possível, sem anestesias e intervenções que acelerassem o processo de contração”, conta Liliane. A experiência a empurrou para uma nova carreira: a de doula – profissional encarregada de acalmar a gestante, fazer massagens e orientar a respiração durante o trabalho de parto.

Roo Panes, a nova estrela da Burberry

Música VEJA

Roo Panes, a nova estrela da Burberry

O músico inglês novato foi escolhido pela grife inglesa, que já revelou talentos do cinema, da moda e da música, para representá-la neste ano


O músico inglês Roo Panes é a nova aposta musical da Burberry
O músico inglês Roo Panes é a nova aposta musical da Burberry - Divulgação
Cabelos desgrenhados, barba por fazer e camisa milimetricamente aberta o suficiente para ser cool, mas sem mostrar demais. Assim é o visual de Roo Panes, 24 anos, músico inglês de folk contratado para ser o novo rosto da marca de luxo Burberry no mundo. O posto é cobiçado. A grife, famosa por seus impecáveis trench coats (casacos compridos de chuva), é conhecida também por apadrinhar artistas em início de carreira que acabam estourando depois. Só para citar alguns exemplos recentes de gente que estrelou campanhas da marca: a atriz Emma Watson (de Harry Potter), a modelo Rosie Huntington-Whiteley (uma das “angels” da Victoria’s Secret) e o ator Eddie Redmayne (de Sete Dias Com Marylin e Os Miseráveis).
O músico diz ter conquistado os diretores da Burberry enviando um e-mail com algumas fotos suas e elogiando um vídeo feito pela marca com outro artista, Johnny Flynn, de quem ele é fã. “Mas nunca pensei que eles fossem querer algo comigo. Eu sou baixinho, tenho 1,77m, e quando eles me chamaram para uma reunião, eu tinha acabado de voltar de uma turnê em Edimburgo, na Escócia. Estava até com os cabelos despenteados. Mas eles gostaram. Acharam ‘cool’”, conta Panes. E “cool”, certamente, ele é.

Roo é o apelido “fofo” que Panes, cujo nome verdadeiro é Andrew, ganhou quando ele ainda era criança. “Eu joguei um graveto dentro de um rio e caí junto com ele, exatamente igual ao personagem Guru faz em Ursinho Puff”, diz o músico, que cresceu na cidade de Dorset, no interior da Inglaterra, se referindo ao canguru do desenho animado, cujo nome na versão original, em inglês, é Roo. O apelido pegou, e o rapaz decidiu usá-lo quando se mudou para Londres (a 200km de sua cidade natal), cerca de dois anos atrás, para tentar a sorte na música.
“Sempre gostei de música, mas não sabia muito que caminho queria seguir. Aos 13 anos, comecei a tocar violão e compor minhas próprias músicas, mas meu estilo mudou muito desde então”, diz Panes, que cresceu ouvindo os discos de Bob Dylan de seu pai, os concertos da avó, que era pianista, e aprendeu a cantar na igreja. A paisagem bucólica litorânea de Dorset também foi parte do processo, segundo ele. “É uma paisagem muito propícia para pensar na vida”. O resultado são músicas delicadas, dedilhadas no violão, levemente orquestradas, e com letras românticas, que lembram o artista Bon Iver, vencedor do Grammy de artista revelação no ano passado. “Eu tirarei o peso do mundo dos seus ombros, garota”, canta ele em Weight of Your World, faixa que dá título ao seu último EP, lançado em dezembro – o disco, ainda sem título, deve vir em algum momento desse ano.
E, quando vier, tudo indica que Panes será um nome em ascensão na música. O lado bom de estar vinculado a uma marca grande é um “upgrade” instantâneo na carreira – o dele foi passar a ser agenciado por Raye Cosbert, ex-empresário de Amy Winehouse que levou a cantora à fama mundial. Quem sabe isso não aconteça com ele?
Olheiros – A julgar pelo empurrão que vários artistas ganharam após virarem garotos-propaganda da Burberry, a marca certamente tem um bom olho para achar novos talentos. Periodicamente, a grife escolhe um casal para ser o rosto da campanha. Panes faz par com a modelo e também novata Gabriella Wilde. Antes deles, foram Eddie Redmayne e Cara Delevingne – ele anda em alta no cinema, após estrelar os longas Sete Dias Com Marylin, ao lado de Michelle Williams, e Os Miseráveis, no qual fez par romântico com Amanda Seyfried. Já Cara, 20 anos, é hoje uma das modelos mais bem cotadas da indústria fashion, em 17º lugar no site models.com.
A marca também ajudou a mudar o rumo da carreira da atriz Emma Watson, que ficou famosa como a bruxinha Hermione nos filmes da franquia Harry Potter. Após estrelar uma campanha da grife, em 2010, então aos 20 anos, Emma se desvencilhou da imagem de garota: cortou os cabelos bem curtinhos para evitar o estigma dos cabelos longos da série infanto-juvenil, e passou a se vestir de forma mais “mulherão”. E, recentemente, vários músicos também se beneficiaram da parceria com a grife, entre eles, estão dois dos principais novos artistas do ano no Reino Unido: Jake Bugg (cujo disco de estreia, que leva seu nome, ficou entre os melhores de 2012 em listas do jornal The Guardian e a revista NME) e Tom Odell (que lança seu primeiro álbum neste ano; leia mais abaixo). Se tudo correr como planejado, no ano que vem será Panes.

Lista põe 3 exposições no Brasil entre as mais vistas do mundo em 2012

Atualizado: 29/03/2013 09:20 | Por BBC, BBC Brasil

Lista põe 3 exposições no Brasil entre as mais vistas do mundo em 2012





"Pirâmide do Louvre (AP)"
O Brasil teve três exposiçõe entre as mais vistas em todo o mundo no ano passado, segundo um ranking publicado pela revista especializada The Art Newspaper.
De acordo com a publicação, a segunda mostra mais vista em 2012 em foi Amazônia: Ciclos de Modernidade, exibida no Centro Cultural Banco do Brasil, do Rio de Janeiro, entre maio e junho, que recebeu uma média de 7.928 visitantes diários.
A mostra brasileira ficou atrás apenas de Antigos Mestres Holandeses, a exposição mais popular do ano, que percorrerá diversos países, mas que foi inaugurada no Museu de Arte Metropolitana de Tóquio, com uma média de público diária de 10.573 pessoas.
O Brasil contou com outras duas exposições entre as 20 mais vistas do ano, segundo a lista. Antony Gormley: Corpos Presentes, na sétima posição, também exibida no CCBB carioca, entre agosto e setembro de 2012, foi vista por uma média de 6.909 visitantes/dia.
Lista põe 3 exposições no Brasil entre as mais vistas do mundo em 2012A 17ª mostra mais visitada também foi brasileira e, assim como as outras duas na lista, exibida no Centro Cultural Banco do Brasil, desta vez no de São Paulo: Impressionismo: Paris e a Modernidade, exibida entre agosto e outubro do ano passado, foi presitigiada por cerca de 5.660 pessoas por dia.
'O apetite dos brasileiros pelas exposições é extraordinário', diz reportagem da The Art Newspaper.
Brics e Louvre
Os demais países que compõem com o Brasil o bloco Brics (Rússia, Índia, China e África do Sul) também ocuparam algumas das primeiras posições na lista do The Art Newspaper.
A terceira exposição mais vista foi apresentada no Hermitage, de São Petersburgo, na Rússia. A China contou com duas exposições entre as 20 mais visitadas, na 14ª e na 16ª posições.
Curiosamente, as exibições que lideram o ranking não constam dos museus mundiais mais visitados em 2012. O museu internacional que mais recebeu visitantes em 2012 foi o parisiense Louvre, com um total de público de mais de 9,7 milhões de pessoas.
Desde que a Art Newspaper começou a divulgar a lista, em 2007, o Louvre comanda o ranking de museus mais visitados. O número de visitantes do museu teria sido impulsionado, recentemente, pela sua nova ala de arte islâmica.
Em segundo, ficou o Metropolitan, de Nova York, com mais de 6,1 milhões de visitantes, seguido do British Museum, em Londres, que teve um público superior a 5,7 milhões.
'Ordem mundial'
Segundo o editor de arte da BBC, Will Gompertz, há alguns anos o ranking de mostras mais visitadas era inteiramente dominado por exposições sediadas em instituições da Europa e dos Estados Unidos.
A novidade, afirma ele, ''é um reflexo das mudaças na ordem mundial, com o Brasil e a China aparecendo na relação das 20 mais visitadas''.
''Em breve, o Louvre e o Guggenheim abrirão filiais em Abu Dhabi; o México tem planos ambiciosos e a Índia vem se tornando uma potência emergente na cena de museus. Nos próximos anos, a relação de potências globais do circuito de exposições deverá mudar ainda mais'', comenta Gompertz.
Essa mudança, afirma ele, poderá se dar por meio de ''países que resolvam construir e/ou modernizar seus museus ou, cada vez mais, por corporações com um talento tanto para farejar arte como para promover suas próprias marcas''.
Esse, comenta, ''é o caso do CCBB, que está por trás de recentes exibições de sucesso na América do Sul, e empresa Samsung, que construiu um impressionante complexo de museus em Seul (Coreia do Sul)''.
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Hollywood quer criar dublês virtuais de atores

Atualizado: 30/03/2013 07:37 | Por BBC, BBC Brasil

Hollywood quer criar dublês virtuais de atores




Hollywood quer criar dublês virtuais de atores
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Animações em 3D podem provocar grandes mudanças no modo de trabalho dos estúdios de Hollywood, graças à criação de versões digitais dos atores que vemos na tela - especialmente para fazer o papel de dublês em cenas de ação.
Para acertar nos detalhes faciais, os animadores precisam de centenas de fotos do rosto original, por diferentes ângulos, mas todas tiradas exatamente no mesmo momento.
Um palco de luz, com quase 7 mil lâmpadas LED, tem sete câmeras que fotografam o rosto do ator sob diversas luzes e com variadas expressões faciais.
Os animadores levam essas expressões a um computador e as combinam para criar um mapa digital facial, que serve de base para o modelo 3D.
Apesar de essa tecnologia ser focada no cinema, ela também tem espaço na nossa casa. Por exemplo, nos jogos de videogame, que em breve podem ter versões digitais de nós mesmos.
Essa tecnologia futurista também está nos conectando ao nosso passado. O palco de luz está sendo usado para coletar depoimentos de sobreviventes do Holocausto. O objetivo é criar um modelo holográfico interativo que possa ser levado a diferentes escolas e até mesmo responder às perguntas dos alunos.
Esses hologramas ainda não existem, mas estão sendo elaborados por pesquisadores.
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sábado, 30 de março de 2013

Pesquisadores criam formigas-robô que reproduzem comportamento de colônias

Tecnologia    VEJA

Pesquisadores criam formigas-robô que reproduzem comportamento de colônias

Os micro-robôs se deslocaram por um labirinto utilizando os mesmos mecanismos de orientações dos insetos

Alice
As formigas robóticas Alice: micro-robôs em forma de cubo de aproximadamente 21 milímetros (Divulgação)
Pesquisadores conseguiram reproduzir o comportamento de uma colônia de formigas utilizando robôs em miniatura em forma de cubos com cerca de 2 centímetros, batizados de Alice. O estudo, publicado no periódico PLoS Computational Biology, procurava entender como as formigas se orientam nos diversos túneis criados por elas, que formam verdadeiros labirintos que ligam o ninho até as fontes de alimento.

CONHEÇA A PESQUISA

Título original: Do Ants Need to Estimate the Geometrical Properties of Trail Bifurcations to Find an Efficient Route? A Swarm Robotics Test Bed

Onde foi divulgada: periódico Plos Computational Biology

Quem fez: Simon Garnier, Maud Combe, Christian Jost e Guy Theraulaz

Instituição: Universidade Paul Sabatier, na França

Resultado: Os robôs reproduziram a forma que as formigas se deslocam por seus túneis, se guiando por trilhas deixadas por outros robôs (que, no caso das formigas, são feromônios) e escolhendo o caminho mais curto em bifurcações.

Saiba mais

Como funciona a orientação pelos feromônios
Se existe, por exemplo, um caminho A, mais curto, e um caminho B, mais longo, ligando o ponto de partida até o alimento, as formigas que seguirem pelo caminho A vão conseguir ir e voltar mais rapidamente. Isso significa que a quantidade de feromônios acumulados nesse trajeto será maior do que no outro caminho, mais longo. Com isso, mais formigas vão escolher o caminho A, e vão progressivamente deixar mais feromônios nele, até que o caminho mais longo seja abandonado.
Os insetos utilizados como referência foram as formigas argentinas (Linepithema humile), que se guiam na natureza por trilhas de feromônios (substância química que permite o reconhecimento de animais da mesma espécie) deixadas por outros indivíduos. Esse comportamento foi reproduzido nos robôs por meio de uma trilha de luz emitida por eles e captada pelos outros “Alices” por meio de dois sensores de luz que mimetizam as antenas das formigas.
No início do experimento, como não havia nenhuma trilha de luz no labirinto criado para reproduzir os túneis das formigas, os robôs tendiam a escolher, a cada bifurcação, os caminhos que os desviavam menos da trajetória inicial. Mas ao detectar uma trilha de luz, eles passavam a segui-la. O mesmo é observado nas formigas: elas tendem a escolher, em bifurcações, o caminho que se desvia menos de onde elas estão vindo, por ser a opção que requer um esforço menor. Porém, quando há feromônios, elas passam a seguir a direção na qual a presença dessa substância é mais intensa.
“Em resumo, de um lado está o feromônio, que permite que as formigas escolham um caminho — frequentemente o mais curto —, e do outro lado está a geometria assimétrica das bifurcações, que reduz as chances de que as formigas escolham o caminho errado e se percam. A combinação dos dois fatores aumenta a habilidade da colônia de selecionar o caminho correto mesmo em ambientes complexos”, disse Bem Hinnant, um dos autores do estudo, ao site de VEJA.
Dessa forma, os pesquisadores descobriram que os robôs não precisavam estar programados para calcular a geometria das bifurcações, e conseguir, assim, se deslocar pelo labirinto numa reprodução do comportamento dos insetos. As formigas argentinas têm visão ruim e se movem rápido demais para poder fazer cálculos sobre suas decisões de caminhos. O fato de os robôs, que não foram programados para realizar cálculos, terem se comportado da mesma forma que as formigas mostra que um processo cognitivo complexo não é necessário para que os membros das colônias se movam de forma eficiente em seus complexos labirintos.
 

Cientistas exploram fundo do mar sul-africano em busca de peixe mítico

Exploração marítima

Cientistas exploram fundo do mar sul-africano em busca de peixe mítico

Equipe de mergulhadores fará buscas diárias às grutas de Jesser Canyon, localizadas na baía de Sodwana, no Oceano Índico sul-africano

Celacanto capturado por pescadores na costa do Quênia em abril de 2001
Celacanto capturado por pescadores na costa do Quênia em abril de 2001 (Simon Maina/AFP)
Uma equipe de mergulhadores e cientistas franceses e sul-africanos vai lançar, nas próximas semanas, uma expedição na África do Sul em busca do celacanto, peixe mítico das grandes profundezas considerado desaparecido há muito tempo. A expedição Gombessa, como o celacanto é chamado localmente, está prevista para se estender de 5 de abril a 15 de maio, informou nesta sexta-feira o Museu Nacional de História Natural (MNHN) de Paris.
A empreitada reunirá em torno do mergulhador e naturalista francês Laurent Ballesta uma equipe de mergulhadores especialmente treinados para alcançar grandes profundidades, cientistas do Instituto Sul-africano para a Biodiversidade Aquática (SAIAB) e seis cientistas do MNHN e do Centro Nacional de Pesquisas Científicas francês (CNRS). Um gigante pacífico com 2 metros de comprimento, o celacanto foi reencontrado em 1938, na costa leste da África do Sul. "Nós acreditávamos que ele tivesse desaparecido há 70 milhões de anos. O achado é considerado a grande descoberta zoológica do século XX", afirmou o museu em comunicado.
O celacanto "traz em si os traços da mudança dos peixes para os primeiros vertebrados terrestres de quatro patas": esboços de membros em quatro de suas nadadeiras e uma bolsa de ar que seria o vestígio de um pulmão primitivo. Ele é, segundo o museu, "a testemunha viva e inesperada da saída das águas há 370 milhões de anos". Entretanto, muito pouco se sabe hoje sobre o modo de vida deste animal raro que vivia a mais de 100 metros de profundidade, e do qual poucas observações diretas puderam ser feitas.
Para chegar até o peixe, Laurent Ballesta e sua equipe de mergulhadores deverão, diariamente, retornar às grutas de Jesser Canyon, na baía de Sodwana (Oceano Índico), a 120 metros de profundidade. Assim que tiverem feito contato com o animal, eles colocarão em andamento os protocolos científicos concebidos pela equipe de cientistas do MNHN e do CNRS, chefiada pelo paleontólogo Gael Clément, e os biólogos sul-africanos Kerry Sink e Angus Paterson. A expedição pode ser acompanhada pelo site www.coelacanthe-projet-gombessa.com.
(Com agência France-Presse)

Governo chinês abre guerra contra a Apple

Consumo

Governo chinês abre guerra contra a Apple 

Pequim ameaça ação regulatória se empresa não melhorar seu pós-venda no país

Criança na China utiliza o iPad
Criança na China utiliza o iPad (Andy Wong/AP)
O governo chinês intensificou uma campanha pública contra a Apple: os chineses chamaram a empresa americana de "desonesta", "gananciosa" e "incomparavelmente arrogante". Pequim ameaçou com uma ação regulatória caso a companhia não melhore seus serviços de pós-venda no país.
Leia também:

Segundo anúncio da Administração Estatal para Indústria e Comércio, realizado nesta quinta-feira na rádio nacional, a Apple sofrerá severas consequências, asseguradas por leis e regulamentações, se não alterar, por exemplo, a política de garantia de seus produtos.
A ação, de acordo com o governo chinês, é uma resposta às reclamações dos consumidores. Segundo uma reportagem veiculada na emissora estatal de televisão China Central, a Apple trata seus clientes de forma inadequada e com indiferença. Um dos descasos é a dificuldade que os consumidores do país têm encontrado para trocar os dispositivos com defeitos.
Para analistas, a estratégia do governo é comprometer a atuação da Apple no país. Atualmente, a China é o segundo maior mercado da Apple depois dos Estados Unidos. Tim Cook prevê que os asiáticos vão superar os americanos em volume de vendas. Essa é a razão pela qual especialistas chineses acreditam que a campanha é uma manobra estatal para beneficiar marcas locais de inovação, como a Lenovo, a Huawei e a ZTE.

Filme


Ataque sofrido pela web foi robusto, mas localizado

Internet

Ataque sofrido pela web foi robusto, mas localizado

Apesar de ter utilizado um tráfego gigantesco, com picos de 300 gigabytes por segundo, o episódio afetou apenas alguns países. O Brasil escapou

Rafael Sbarai
Hacker em um teclado luminoso
(Thinkstock)
Um conflito digital entre o grupo inglês Spamhaus, organização sem fins lucrativos que combate o spam na internet, e a companhia holandesa Cyberbunker, especializada na hospedagem de serviços on-line, estremeceu o mundo digital nas últimas semanas. De acordo com informações publicadas na rede britânica BBC desta quarta-feira, um conflito entre as partes provocou uma operação na rede conhecida como ataque de negação de serviço (DDoS) – conhecida por causar o engarrafamento de dados na rede – provocando lentidão no acesso à internet por milhões de usuários ao redor do planeta. A história, contudo, não teve esse desfecho. A operação em destaque foi vigorosa - a maior já registrada na história da rede -, mas restrita a alguns países. Brasileiros conectados, por exemplo, não foram afetados.


Segundo informações da rede britânica, a organização Spamhaus sofreu uma série de ataques crackers entre os dias 18 e 26 de março depois de adicionar os serviços da Cyberbunker a uma lista de bloqueio de spam, alegando que a companhia holandesa e seus clientes eram uma fonte de mensagens indesejadas e infectadas por vírus. Assim, os usuários não conseguiriam mais acessar sites hospedados no serviço.

A Cyberbunker, por sua vez, emitiu um comunicado oficial acusando a organização de abuso de poder por decidir quais dados poderiam ou não trafegar pela internet. Horas depois, foi iniciado um ataque para derrubar o Spamhaus ação que, segundo o grupo inglês, foi coordenada pelo o próprio Cyberbunker, com a ajuda de crackers. O objetivo era liberar serviços on-line indesejados que usem a internet para distribuir vírus aos usuários de internet.

De acordo com relatório divulgado pela CloudFare, empresa de proteção contra esses ataques – e contratada nos últimos dias pela própria Spamhouse para proteger as operações on-line da companhia –, o ataque apresentou um volume médio de tráfego de 75 gibabits por segundo (Gpbs) e atingiu um pico de 300 Gbps por segundo – em média esses ataques chegam a 50 Gbps por segundo. “Publicamente, é algo sem precedentes na história da internet”, explica Fabio Assolini, analista sênior de malware da Kaspersky Brasil, empresa que atua no desenvolvimento de soluções de segurança e de administração contra ameaças. “O volume corresponde a mais de 300.000 vezes uma conexão de 10 mbps, comum em residências e empresas”, garante.

Apesar da escala grandiosa do ataque, o problema não foi global – e não fez a internet parar. Segundo o CloudFare, apenas uma das mais de dez empresas que fazem parte do Tier 1 – companhias que mantém de fato a internet em funcionamento, como Telefonica, AT&T e Verizon – sofreram problemas de rede. “Esse fato já nos mostra que o problema foi localizado e não global”, explica Assolini. Relatório de monitoramento divulgado nesta semana pela Akamai, empresa americana que presta serviços de infraestrutura web, mostra que Reino Unido, Holanda, Alemanha e Estados Unidos foram os países mais afetados.

Aos usuários – maiores prejudicados nesses conflitos virtuais – há recomendações. “Eles devem se certificar a atualização dos sistemas operacionais de computadores e apresentar um serviço de antivírus para que a máquina não seja usada para esses ataques”, explica Satnam Narang, pesquisador da comunidade de segurança da Norton. "Além disso, evite clicar em links de e-mail com fontes desconhecidas", finaliza.