sábado, 30 de março de 2013

Nova proposta de Hollande para taxar ricos irrita empresários

França

Nova proposta de Hollande para taxar ricos irrita empresários

Na quinta-feira à noite, o presidente francês apresentou uma nova versão de seu plano para taxar os mais ricos. Agora a proposta é que as empresas paguem os tributos e não as pessoas

Hollande: peço às Nações Unidas que forneçam imediatamente ao povo sírio todo o apoio que ele nos solicita e proteja as zonas libertadas
  François Hollande, presidente francês, quer que ricos ajudem a França a sair da crise Hollande: peço às Nações Unidas que forneçam imediatamente ao povo sírio todo o apoio que ele nos solicita e proteja as zonas libertadas (Eduardo Munoz / Reuters)
Na noite de quinta-feira o presidente socialista da França, François Hollande, ressuscitou a proposta de um superimposto de 75% sobre os salários milionários do país. Contudo, seu plano de transferir o ônus dos indivíduos para as empresas causou pouco entusiasmo dos parlamentares, inclusive os de esquerda, e desagradou fortemente os líderes empresariais. A diferença desta nova proposta para a anterior, que foi barrada pelo Conselho Constitucional do país, é que a alíquota tributária de 75% sobre rendimentos superiores a 1 milhão de euros por ano agora afete as empresas, não os indivíduos.

Com o novo plano ele quer obrigar os mais ricos a ajudarem a tirar a França da crise. Mas, além de o imposto reforçar a impressão de que Hollande é contra as empresas, a nova versão da proposta ainda projeta a geração de menos receita ao governo do que na versão anterior, que arrecadaria cerca de 200 milhões de euros (260 milhões de dólares) ao ano de cerca de 1.500 milionários franceses. "Não entendo o pensamento do presidente", disse Laurence Parisot, diretor da entidade empresarial Medef, qualificando a nova versão do superimposto como "um golpe ao setor empresarial."
Leia mais: Por que é ineficaz tributar pesadamente os mais ricos
Em 29 de dezembro do ano passado, o Conselho Constitucional francês, principal instância do Judiciário, anulou o imposto de 75% para os rendimentos superiores a um milhão de euros por dois anos, aprovado pelo governo de esquerda de Hollande. Isso aconteceu logo depois de o ator francês Gérard Depardieu se mudar para a Bélgica para pagar menos impostos. Na ocasião, o primeiro-ministro do país, Jean-Marc Ayrault, anunciara que o governo ia propor um novo dispositivo para poder aplicar o imposto.

Durante o Fórum Econômico de Davos, onde se reuniu com a elite empresarial do mundo em fevereiro, o ministro francês das Finanças, Pierre Moscovici, apresentou novamente a ideia do "super imposto", explicando os objetivos desta tributação "excepcional" e enfatizando sua natureza transitória.

Argentina volta aos anos 80 e congela preços

Internacional    VEJA

Argentina volta aos anos 80 e congela preços

Governo Cristina Kirchner obriga supermercados a manter valores inalterados por 60 dias; FMI questionou nos últimos dias a veracidade de dados como a inflação e o PIB do país

Cristina Kirchner, presidente da Argentina
A presidente Cristina Kirchner tem utilizado de artificialismos para conduzir a economia da Argentina (Lorenzo Tarditti/EFE)
O governo argentino tomou uma medida populista e característica dos anos 80: obrigou os supermercados a congelar os preços pelos próximos 60 dias. Os consumidores vem reclamando dos altos preços dos produtos de primeira necessidade. A intervenção é mais um dos artificialismos econômicos criados pela presidente Cristina Kirchner. Nos últimos dias, o Fundo Monetário Internacional (FMI) criticou a manipulação dos dados oficiais do país, como o Produto Interno Bruto (PIB) e a inflação, que para o governo foi de 10,8% no ano passado e para institutos independentes de pesquisa ficou acima de 25%.
Os supermercados argentinos, que incluem grandes redes internacionais como a francesa Carrefour e a americana Walmart, se comprometeram a congelar os preços dos produtos a pedido da Secretaria de Comércio Interior. O ministro Guillermo Moreno ameaçou quem não cumprisse a ordem com punições. O acordo entre o governo e a associação dos supermercados do país vai até 1° de abril. Juan Vasco Martinez, presidente da Associação de Supermercados Unidos, confirmou que "todos os produtos dos supermercados" continuarão com os mesmos preços de 1º de fevereiro.
Segundo o jornal Clarín, o governo erra mais uma vez ao tentar frear a inflação com o congelamento de preços que começou nessa segunda-feira. O jornal é o principal opositor e alvo de constantes ataques do governo Kirchner. O periódico informa que o acordo pode ser ampliado para os fabricantes. Mas, por enquanto, a medida só comprometeu as grandes redes varejistas.
A cidade de Santa Fé, por exemplo, negou que tenha recebido qualquer comunicado do governo sobre o congelamento dos preços e, por isso, não acatará a medida por enquanto, segundo informou o jornal La Nación, de Buenos Aires. O diretor da secretaria de comércio da província argentina informou ao periódico que ficou sabendo da medida pela imprensa, apesar de haver na região algumas das redes de supermercados que teriam sido informadas, como Carrefour, Walmart e Coto.
A medida também sofreu duras críticas do líder dos caminhoneiros Hugo Moyano, chefe da Central Geral dos Trabalhadores (CGT) e grande opositor do governo. Para o sindicalista, ações unilaterais feitas pela presidente reduzem a possibilidade de discussão e podem trazer conflito. Moyano acrescentou em seu discurso que, ao congelar os preços, o governo evitaria um aumento nos salários.

Argentina apresenta oferta a credores em Nova York e dissipa temores de calote

Dívida       VEJA

Argentina apresenta oferta a credores em Nova York e dissipa temores de calote

País chegou a dizer, em fevereiro, que não acataria decisão de juíz americano de pagar US$ 1,3 bilhão a credores de um fundo que não aceitaram negociar a dívida soberana de 2001

Cristina Kirchner em dezembro de 2012
Argentina chegou a dizer que decisão de pagamento extra a credores "viola a soberania do país e expõe sua economia a uma nova crise financeira" (Alejandro Pagni/AFP)
A Argentina apresentou nesta sexta-feira a um tribunal de apelações de Nova York (EUA) uma oferta para reabrir a negociação com os credores que rejeitaram suas propostas iniciais de reestruturação de uma dívida soberana em 2001 (dívida do governo com credores internacionais). O documento foi protocolado no prazo-limite de meia-noite desta sexta-feira, conforme determinado pelo Tribunal de Apelações do Segundo Circuito. A proposta é de emissão de bônus pelo valor original e outros com desconto, sendo estes equiparáveis aos dos bônus repassados aos credores que aceitaram a reestruturação da dívida.
"(A Argentina) oferece aos litigantes pagamentos na forma de dinheiro e bônus, que compensam os valores passados, que lhes atualiza em suas obrigações e pagamentos da dívida no futuro", assegura o documento apresentado pelo escritório de advocacia Cleary Gotlieb, Steen & Hamilton, representante do país.


Contexto — Em 13 de dezembro, o governo argentino havia anunciado o pagamento de 3,5 bilhões de dólares correspondentes a títulos de dívida pública, que foi reestruturada após a moratória de 2001. "Apesar de todas as previsões pessimistas, a Argentina novamente cumpre seus compromissos, e vamos continuar cumprindo", assegurou o ministro da Economia na época, Hernán Lorenzino, na época, fazendo referência às especulações de que a Argentina poderia declarar nova moratória.
Contudo, o juiz americano Thomas Griesa, do Tribunal Distrital de Nova York, decidiu, em 21 de novembro, que o país teria de desembolsar um adicional de 1,3 bilhão de dólares aos credores de um fundo que não aceitaram negociar a dívida nacional de 2001. Também determinou que a parcela relativa aos credores que aceitaram a reestruturação da dívida não poderia ser paga isoladamente. Em outra palavras, ou Buenos Aires pagava a todos – o que implicaria um desembolso de quase 5 bilhões de dólares – ou não pagava ninguém.
No fim de fevereiro, o país latino advertiu seus credores que poderia não pagar o montante de 1,3 bilhão de dólares. Os argumentos da defesa, conforme divulgou a agência de notícias Bloomberg na ocasião, baseiam-se na justificativa de que a ordem dada pelo juiz americano Thomas Griesa em novembro “viola a soberania do país, expõe sua economia a uma nova crise financeira e representa uma ameaça a países que fazem esforços para reestruturar suas dívidas”, disse Jonathan Blackman, advogado do governo argentino.
O bilionário fundo de hedge (um tipo de operação financeira) gerenciado pelo economista Paul Singer lidera o grupo de investidores que está pressionando a Argentina a pagar integralmente os bônus vencidos. “Se o que a Corte procura é confronto com essas imposições, isto é decisão da Corte”, disse Blackman. “Nós estamos representando o governo, e os governantes não receberão orientações de fazer o que, fundamentalmente, viola seus princípios”, completou.

O advogado argentino havia dito que a Argentina queria convencer a Justiça americana a mudar sua decisão para algo mais 'factível' e que um confronto está descartado. No entanto, ele foi enfático ao afirmar que a Argentina não cumpriria voluntariamente a decisão se a Corte acatar a resolução do juiz Thomas Griesa.

(com agência EFE)

Líbia prende dois acusados de estuprar ativistas britânicas

Líbia           VEJA

Líbia prende dois acusados de estuprar ativistas britânicas

As mulheres de origem paquistanesa foram sequestradas na última quarta-feira, em Benghazi, segunda maior cidade do país

Um membro do exército da Líbia no complexo de óleo e gás de Millitah
Um membro do exército da Líbia no complexo de óleo e gás de Millitah (REUTERS/Ismail Zitouny)
Dois soldados líbios acusados de sequestrar e estuprar três ativistas britânicas de origem paquistanesa na última quarta-feira, em Benghazi, foram presos nesta sexta. O porta-voz do Ministério de Defesa da Líbia, Abdul Salam Barghathi, disse à BBC britânica escreveu o ato como “individual e isolado”. O governo da Líbia pediu desculpas pelo ocorrido.

As mulheres faziam parte de um comboio de ajuda humanitária que se dirigia do Marrocos à Faixa de Gaza. Quando chegaram à fronteira do Egito, agentes migratórios negaram a permissão para passar. Cinco membros do comboio, incluindo as mulheres, pegaram um táxi para o aeroporto de Benghazi, com a intenção de voltar para a Grã-Bretanha. Quando foram paradas em um posto de controle, foram raptadas por cinco militares. Elas foram mantidas presas por horas, durante as quais dizem ter sido estupradas.
O embaixador Michael Aron disse à rede britânica que o incidente foi horrível e que as autoridades líbias estão investigando. Três outros suspeitos ainda estão foragidos. O grupo espera no consulado da Turquia e espera o retorno para a Grã-Bretanha.

Niks'

niks' filmes e Series online

Filme


Fogo destrói loja em região de comércio popular do Rio

Rio de Janeiro

Fogo destrói loja em região de comércio popular do Rio

Incêndio no Saara começou na papelaria Caçula e atingiu prédios vizinhos

Chamas destruíram completamente papelaria na região do Saara, no Rio
Chamas destruíram completamente papelaria na região do Saara, no Rio (Reprodução/Twitter)
Parte de um quarteirão no Saara, região de comércio popular no centro do Rio de Janeiro, foi atingida na noite desta sexta-feira por um incêndio de grandes proporções. O fogo começou por volta das 23 horas no prédio da papelaria Caçula, na Rua Buenos Aires, e afetou ao menos seis casarões vizinhos.
Por causa da grande quantidade de material inflamável no local, o Corpo de Bombeiros teve dificuldade para controlar as chamas, o que só ocorreu no meio da madrugada deste sábado. Durante o incêndio, a fachada do prédio da papelaria caiu, destruindo completamente a loja.
Os bombeiros fecharam ruas na região, conhecida pelo comércio a céu aberto entre as ruas dos Andradas, Buenos Aires, Alfândega e a Praça da República. Não há informações sobre as causas do incêndio nem sobre vítimas. Por causa do feriado da Paixão de Cristo, a papelaria e lojas vizinhas não tiveram expediente nesta sexta-feira.
Representantes e funcionários da Caçula acompanharam o trabalho dos bombeiros no local. Eles acreditam que todo o material da loja, armazenado no prédio principal da papelaria e nos casarões vizinhos, foi destruído. 

Sem estrutura, 21% dos parques estão fechados

Meio ambiente            VEJA

Sem estrutura, 21% dos parques estão fechados

Estudo realizado pelo Instituto Semeia apontou ainda que 58% dos parques do Brasil recebe menos de 50.000 visitas por ano

Foto panorâmica da vista do Parque Nacional da Tijuca, no Rio de Janeiro
Foto panorâmica da vista do Parque Nacional da Tijuca, no Rio de Janeiro (Alberto Peterson / Divulgação)
Um levantamento com quase cem parques nacionais, estaduais e municipais do País mostrou que 80% não têm receita gerada por visitação e 21% nem sequer recebem turistas. O estudo, realizado pelo Instituto Semeia, avaliou o uso público destas e de outras unidades de conservação (UCs) abertas ao turismo, a partir de questionários enviados a 443 gestores.
O relatório, em versão preliminar, mostrou ainda que mais da metade dos parques (58%) recebe menos de 50.000 visitas por ano. Em outros tipos de UCs abertos ao público, como Florestas Nacionais e Áreas de Proteção Ambiental, o aproveitamento é ainda menor: 88% não têm receita de turismo e 44% não recebem visitantes. "Não foi uma surpresa, esperávamos resultado semelhante", admite Ana Luisa Da Riva, diretora executiva do instituto. "Abrir os parques para o turismo significa gasto, então o governo prefere mantê-los fechados."
Segundo ela, uma das explicações para o baixo índice de visitação em UCs, especialmente nos parques, é a estrutura precária para receber o público. "O perfil do visitante atual é o ecoturista, que vai muito mais por aventura. Não há infraestrutura para receber famílias e pessoas comuns", afirma Ana Luisa. "Em muitos locais não há nem mesmo serviço para atender os visitantes. Ainda há o problema da falta de planejamento. No Parque Estadual de Ilhabela, por exemplo, não há plano de manejo, o que compromete o potencial de uso público."
O relatório aponta que dois terços dos gestores das 200 unidades de conservação analisadas se mostram abertos a parcerias para ajudar na conservação e fomentar o desenvolvimento econômico da região onde estão inseridas as UCs. "É fundamental engajar os gestores, que trabalham com poucos recursos e equipe reduzida para fazer a conservação. Eles enxergam a abertura dos parques como uma coisa positiva", diz Ana Luisa.
Entre as 1.649 unidades existentes no País, pouco mais de 1.000 pertencem a órgãos públicos. A proposta do Instituto Semeia é promover a integração do setor privado na gestão de UCs. "Os recursos públicos não serão capazes de cumprir as metas estabelecidas de conservação", diz. "O setor privado está de ouvido aberto, mas é um mercado muito novo. O conceito de parceria para conservação como fim principal, e não o turismo, ainda carece de garantias e regulamentações por parte do governo."
Nesta perspectiva, o governo serviria como regulador e operador das unidades de conservação, cabendo às empresas privadas apenas gerenciar os serviços. O modelo segue o que já ocorre em outros setores como saúde, educação e até mesmo administração de presídio. O turismo é apenas um dos aproveitamentos possíveis — um exemplo prático de uso alternativo ocorre na Costa Rica, onde existem centros universitários funcionando no interior de parques.
Crescimento — Dos 69 parques nacionais, 26 estão abertos ao turismo e são administrados pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), criado em 2007 para diversificar as atividades de ecoturismo e recreação locais.
Os exemplos de gestão compartilhada mais bem-sucedidos ocorrem no Parque Nacional do Iguaçu, no Paraná, e no Parque Nacional da Tijuca, no Rio, que autorizaram a diversas empresas a concessão de exploração de serviços e turismo. A estrutura adequada, aliada ao grande apelo de seus atrativos naturais, se traduz nos números. Com 1,5 milhão e 2,5 milhões de visitantes, respectivamente, Iguaçu e Tijuca foram responsáveis por cerca de 90% do total de visitações em parques nacionais no País em 2012.
(Com Estadão Conteúdo)

Coreia do Norte anuncia 'estado de guerra' com Sul

Extremo Oriente      VEJA

Coreia do Norte anuncia 'estado de guerra' com Sul

Pyongyang ameaça reagir a qualquer provocação militar na região fronteiriça

Soldado norte-coreano observa o sul enquanto patrulha a vila de Panmunjeom, na zona desmilitarizada da fronteira entre as Coreias, nesta terça-feira (19)
Soldado norte-coreano observa o sul enquanto patrulha a vila de Panmunjeom, na zona desmilitarizada da fronteira entre as Coreias, nesta terça-feira (19) - Lee Jae-Won/Reuters
A Coreia do Norte reforçou sua retórica beligerante e provocativa na manhã neste sábado, horário local. O governo de Kim Jong-un anunciou que o país entrou no que chamou de "estado de guerra" com a Coreia do Sul. Os dois países estão tecnicamente em guerra desde 1953 pois o conflito entre as duas nações foi encerrada por meio de um armistício e não de um tratado de paz. Há três semanas, o regime norte-coreano já havia anunciado que considerava nulo o cessar-fogo com o país vizinho.
"Qualquer provocação militar próxima às fronteiras terrestres e marítimas levará a um conflito em grande escala e a uma guerra nuclear", advertiu o comunicado oficial. "A partir de agora, todas as questões de estado entre as duas Coreias serão tratadas sob o protocolo de guerra. A situação que prevaleceu por muitos anos em que a península da Coreia não estava nem em paz nem em guerra acabou."


O anúncio norte-coreano, no entanto, não deve representar nenhuma mudança substancial no cenário regional. Na opinião de analistas e do próprio governo da Coreia do Sul, trata-se de mais uma manobra do regime de Pyongyang que segue a tendência observada nas últimas semanas de adotar um discurso belicista apostando em efeitos psicológicos, como ressaltou um representante do Ministério da Defesa sul-coreano. "Acreditamos que ao revelar (o "estado de guerra") à imprensa e divulgá-lo pelo mundo, a Coreia do Norte esteja jogando psicologicamente", afirmou o porta-voz do ministério, Kim Min-seok.
O mais provável, acreditam os Estados Unidos, é que o jovem ditador Kim Jong-un, que herdou o governo há pouco mais de um ano, busque com a guerra de palavras se firmar no comando do país e mostrar sua capacidade de liderança à cúpula das Forças Armadas. "Estamos convencidos de que Kim está solidificando sua posição junto a seu próprio povo e aos militares, que ainda não o conhecem", disse um alto funcionário do governo Barack  Obama ao jornal The New York Times. Segundo a fonte, cuja identidade não foi revelada, a Casa Branca está preocupada com o que virá pela frente, mas não com o que o governante norte-coreano ameaça fazer.
Os norte-coreanos elevaram ainda mais o tom das provocações nos últimos dois dias por causa dos exercícios militares realizados pelos Estados Unidos e Coreia do Sul em região fronteiriça, inclusive com uso dos bombardeiros americanos B-52, de capacidade nuclear. Na sexta-feira, Kim Jong-un ordenou que as plataformas de mísseis entrassem em estado de alerta e que os foguetes fossem posicionados contra alvos dos Estados Unidos na Coreia do Sul e no Pacífico. O disparo de míssies, como ameaça a Coreia do Norte, é considerado improvável pelas próprias consequências que isso teria para o país comunista. Mas ataques cibernéticos como o que atingiu bancos e TVs da Coreia do Sul na semana passada, e que ainda não foi totalmente esclarecido, estão no foco das atenções americanas.
Protesto – Na tarde de sexta-feira, dezenas de milhares de militares e civis norte-coreanos marcharam no centro de Pyongyang em uma demonstração de apoio ao governo, afirmou a imprensa estatal. A magnitude da manifestação não pode ser confirmada por meios independentes, já que a censura no país é generalizada. O ato teria sido realizado na praça Kim Il-sung, e o ditador Kim Jong-un não estava presente.
Sob as imagens gigantes do pai de Kim Jong-un, Kim Jong-il, e de seu avô, Kim Il-sung, civis e soldados juraram obediência ao presidente. "A declaração foi um ultimato do Exército coreano contra os imperialistas americanos", declarou um porta-voz no início da manifestação. "Vamos pegar em armas e bombas por nosso respeitado líder Kim Jong-un."
Desde o início de março, quando a ONU adotou sanções contra a Coreia do Norte por causa da realização de um novo teste nuclear no mês anterior, o governo norte-coreano vem aumentando sua retórica belicista. Embora especialistas duvidem que o país tenha capacidade para atingir a área continental dos EUA, afirmam que bases no Japão e na ilha americana de Guam estão no alcance das armas convencionais de Pyongyang. Washington afirma que tem total condição de proteger seu território e o de seus aliados.

Coreia do Norte ameaça fechar complexo industrial binacional com o Sul

Extremo Oriente          VEJA

Coreia do Norte ameaça fechar complexo industrial binacional com o Sul

Localizado em território norte-coreano e a cerca de 10 quilômetros da fronteira, o complexo foi criado como um símbolo da cooperação entre os dois países

Soldados norte-coreanos compareceram à praça Kim Il Sung, no centro de Pyongyang, nesta sexta-feira (14), para comemorar sucesso do lançamento do foguete Unha-3
Soldados norte-coreanos compareceram à praça Kim Il Sung, no centro de Pyongyang, nesta sexta-feira (14), para comemorar sucesso do lançamento do foguete Unha-3 - Ng Han Guan/AP
A Coreia do Norte ameaçou neste sábado fechar um complexo industrial binacional com a Coreia do Sul situado na localidade de Kaesong, informou a agência oficial norte-coreana KCNA. O ato é um novo passo de Pyongyang na escalada de tensões entre os dois países. "Fecharemos o complexo industrial se a Coreia do Sul insistir em prejudicar nossa dignidade", disse o governo em uma nota reproduzida pela KCNA.
O complexo industrial binacional de Kaesong, situado em território norte-coreano e a cerca de 10 quilômetros da fronteira, foi criado em 2004 como um símbolo da cooperação entre os dois países. Desde então, constitui uma importante fonte de renda para a Coreia do Norte.
Leia também:
Coreia do Norte anuncia 'estado de guerra' com Sul
Sob olhar da TV estatal, norte-coreanos prometem guerra aos EUA
Coreia do Norte posiciona mísseis contra bases dos EUA

No entanto, a Coreia do Sul já expressou sua preocupação sobre o funcionamento do complexo depois que a Coreia do Norte anunciou a intenção de cortar uma linha telefônica de uso militar utilizada para controlar o trânsito de pessoas na região. Esta linha era utilizada para que as autoridades do Sul pudessem comunicar ao Norte os nomes dos trabalhadores que cruzam a fronteira para trabalhar no complexo industrial.
Mundo — O Ministério das Relações Exteriores da França expressou neste sábado sua 'preocupação' pela decisão da Coreia do Norte de se declarar em estado de guerra com o Sul e pediu ao regime de Pyongyang que evite uma "nova provocação". O país solicitou também ao país comunista que "cumpra suas obrigações internacionais, principalmente as referentes às resoluções pertinentes das Nações Unidas, e retome rapidamente o caminho do diálogo". "A França está profundamente preocupada pela situação na península coreana', disse nessa breve nota um porta-voz ministerial.
A Rússia também manifestou sua preocupação com o clima político da região. O país fez neste sábado um apelo à contenção e para se agir com responsabilidade perante a nova escalada de tensão provocada pela declaração de "estado de guerra", e está disposta a atacar interesses dos Estados Unidos e Coreia do Sul. "Acreditamos que todas as partes agirão com a máxima responsabilidade e que ninguém cruzará o ponto de não retorno", declarou o embaixador para missões especiais do Ministério de Relações Exteriores russo, Grigori Logvinov.
(Com agência Efe e France-Presse)