sábado, 30 de março de 2013

Sob olhar da TV estatal, norte-coreanos prometem guerra aos EUA

Ásia

Sob olhar da TV estatal, norte-coreanos prometem guerra aos EUA

Militares e civis marcham em Pyongyang após ditador Kim Jong-un ordenar que mísseis fossem posicionados para atacar 'imperialistas'

Soldados norte-coreanos compareceram à praça Kim Il Sung, no centro de Pyongyang, nesta sexta-feira (14), para comemorar sucesso do lançamento do foguete Unha-3
Soldados norte-coreanos na praça Kim Il-sung, no centro de Pyongyang (Ng Han Guan/AP)
Dezenas de milhares de militares e civis norte-coreanos marcharam no centro de Pyongyang nesta sexta-feira em uma demonstração de apoio a um eventual ataque militar contra os Estados Unidos, afirmou a imprensa estatal. A magnitude da manifestação não pode ser confirmada por meios independentes, já que a censura no país é generalizada. O ato teria sido realizado na praça Kim Il-sung, e o ditador Kim Jong-un não estava presente.
Segundo a TV nacional, a manifestação foi organizada em apoio à decisão do Exército norte-coreano, tomada na terça-feira e ratificada por Kim Jong-un nesta sexta-feira, de ordenar o posicionamento de mísseis estratégicos para atacar o continente americano e as bases dos EUA no Pacífico. A medida é uma resposta aos treinamento de bombardeiros B-2 americanos sobre a Coreia do Sul no dia anterior.
Sob as imagens gigantes do pai de Kim Jong-un, Kim Jong-il, e de seu avô, Kim Il-sung, civis e soldados juraram obediência ao presidente. "A declaração foi um ultimato do Exército coreano contra os imperialistas americanos", declarou um porta-voz no início da manifestação. "Vamos pegar em armas e bombas por nosso respeitado líder Kim Jong-un."
Desde o início de março, quando a ONU adotou sanções contra a Coreia do Norte, o país vem aumentando sua retórica belicista. Embora especialistas duvidem que o país tenha capacidade para atingir a área continental dos EUA, afirmam que bases no Japão e na ilha americana de Guam estão no alcance das armas convencionais de Pyongyang. Washington, por sua vez, afirma que tem total condição de proteger seu território e o de seus aliados.
(Com agência France-Presse)

Papa Francisco preside sua primeira Sexta-Feira Santa

Igreja   VEJA

Papa Francisco preside sua primeira Sexta-Feira Santa

As celebrações de Páscoa neste ano devem contar com uma presença de fiéis maior do que a habitual - devido à curiosidade despertada pelo novo pontífice

Papa Francisco preside missa papal para a celebração da Paixão do Senhor no interior da Basílica de São Pedro, no Vaticano
Papa Francisco preside missa papal para a celebração da Paixão do Senhor no interior da Basílica de São Pedro, no Vaticano - Filippe Monteforte/AFP
O papa Francisco preside sua primeira Sexta-Feira Santa como sumo pontífice da Igreja católica, a começar pela recitação da Paixão de Cristo - as últimas horas da vida de Jesus - na Basílica de São Pedro, no Vaticano. Mais tarde, ele realizará a Via Sacra no Coliseu romano, simbolizando Jesus ao carregar uma cruz de madeira antes de sua crucificação. As celebrações de Páscoa deste ano devem contar com uma presença de fiéis maior do que a habitual, devido à curiosidade despertada pelo novo sumo pontífice.
Acredita-se que a mensagem de Francisco se centrará na defesa da vida, ameaçada por guerras, intolerância, opressão e também, segundo a Igreja, por leis que não defendem o direito dos cristãos - a favor do aborto e da eutanásia, por exemplo. No fim do ano passado, Bento XVI destacou os dramas vividos no Oriente Médio, como a guerra na Síria, as disputas entre muçulmanos e cristãos, o crescimento do Islã radical e a fuga de muitos cristãos da região diante da perseguição que sofrem, especialmente no Egito.


Telefonema - O porta-voz do Vaticano, Federico Lombardi, informou que o papa Francisco e o papa emérito Bento XVI tiveram após a Missa Crismal da Quinta-Feira Santa, na basílica de São Pedro, uma "longa e intensa" conversa por telefone. Segundo Lombardia, a conversa - a terceira dos dois por telefone - mostra a “união” entre o atual pontífice e seu antecessor.

Francisco e Bento XVI, de 85 anos, se reuniram no último dia 23 em Castel Gandolfo, onde vive o papa emérito, conversaram a sós durante 45 minutos e almoçaram juntos. Essa foi a única vez que eles se encontraram pessoalmente desde que o cardeal argentino Jorge Mario Bergoglio, de 76 anos, foi eleito papa, no último dia 13.

O atual papa também ligou para Bento XVI logo após ser eleito sumo pontífice pelos cardeais no conclave e também no último dia 19, na festa de São José, que inaugurou oficialmente seu papado. Bento XVI, cujo nome de batismo é José (Joseph Ratzinger), está em Castel Gandolfo à espera do fim das obras de preparação do mosteiro onde viverá daqui para frente.


Terra Santa - A procissão da Sexta-Feira Santa pela Via Dolorosa de Jerusalém foi palco de um momento de tensão entre cristãos palestinos e policiais israelenses, com direito a troca de socos e empurrões a poucos metros do Santo Sepulcro. O confronto ocorreu perto da entrada principal da basílica, na região da Nona Estação, onde Jesus caiu com a cruz pela terceira vez.

Um grupo de palestinos ligado ao Patriarcado Latino de Jerusalém e que participava dos atos de procissão aguardava sua vez de entrar no santuário diante de dez policiais israelenses que formavam um cordão que regulava a entrada de peregrinos. Após muitos minutos de espera, os ânimos se exaltaram entre os fiéis, muitos deles jovens, que começaram distúrbios.

A procissão desta sexta é considerada a mais importante da semana pascal na Terra Santa. Ao longo do dia há outros ritos que marcam a Sexta-Feira Santa como a abertura do Santo Sepulcro, quando o patriarca latino oficia uma missa em lembrança da Paixão de Cristo, ou uma procissão funeral liderada pelo custódio no fim da tarde.


Missão - Na quinta-feira, o sumo pontífice rezou a Missa Crismal diante de 1.600 religiosos, para os quais ressaltou a missão dos sacerdotes em favor dos pobres e excluídos e disse que os padres não podem se acomodar com a posição de “gestores” da Igreja. A missa deu início aos quatro dias de celebrações da Páscoa. Suas palavras se encaixam em seu posicionamento de tornar a Igreja mais humilde adotado no início de seu papado.

Francisco também fugiu da tradição quando realizou a cerimônia do lava-pés. A repetição do gesto de lavar e beijar os pés dos apóstolos por Jesus na véspera de sua morte costumava ser sempre feita em uma das basílicas de Roma. O novo pontífice, no entanto, resolveu realizá-la no centro de detenção Casal del Marmo, próximo à capital italiana. Além disso, incluiu duas meninas entre os 12 menores infratores participantes da cerimônia, uma delas muçulmana.

Primeiro jesuíta que chega ao trono de Pedro, Francisco ainda deixou claro que deseja realizar algumas mudanças na estrutura da instituição milenar, cuja imagem foi manchada nos últimos anos por lutas internas de poder, abusos sexuais de menores por sacerdotes ou pela atividade econômica nebulosa do banco do Vaticano. No entanto, os analistas preveem que não será fácil alcançar seus objetivos, devido à resistência dos que preferem manter o status quo.


(Com agências France-Presse e EFE)

Inchaço do primeiro escalão é medida do atraso

Governo

Inchaço do primeiro escalão é medida do atraso

O tamanho de ministérios e gabinetes é um indicador poderoso de governança e desenvolvimento. Um modelo matemático ajuda a explicar por que a capacidade de tomar decisões despenca conforme o número de colaboradores ultrapasse certo 'coeficiente de ineficiência'

Daniel Jelin
Reunião ministerial de janeiro de 2012: o retrato da paralisia
Reunião ministerial de janeiro de 2012: o retrato da paralisia (Roberto Stuckert Filho)
O inchaço do primeiro escalão é um marcador poderoso de atraso. Quanto maior o ministério, menos eficiente é a gestão. Mais instável o governo. Mais baixo o desenvolvimento humano. Mais corrupto o país. Essa é uma constatação estatística, e o Brasil – 39 ministérios, 85º lugar no ranking de IDH – não é um ponto fora da curva.
Os pesquisadores Peter Klimek, Rudolf Hanel e Stefan Thurner, em um estudo publicado em 2008, cruzaram dados da máquina administrativa de 197 países com diversos indicadores de desempenho e governança. Para um país que acaba de ganhar mais uma pasta (a Secretaria da Micro e Pequena Empresa), o resultado é desolador: hiperministérios são tanto a marca de países subdesenvolvidos, como um fator considerável de paralisia gerencial.
O limite da eficiência – Ministérios tendem a inchar em resposta às pressões, mais ou menos legítimas, de grupos que querem ver seus interesses representados no centro do poder. Isso ocorre, como se pode intuir, às custas da coesão administrativa. A hipótese testada pelos cientistas é a de que a capacidade de um governo tomar (boas) decisões se reduz drasticamente conforme o número de ministérios ultrapasse um certo patamar crítico. Desde um seminal e bem humorado estudo do historiador britânico Cyril Northcote Parkinson, nos anos 1950, este 'coeficiente da ineficiência' tem sido suposto próximo de 20 ministros.
Para enfrentar a questão, a primeira tarefa de Klimek e cia. foi sistematizar o número de ministros mundo afora, tomando por base a compilação de 'líderes mundiais' feita mês a mês pela agência de inteligência americana (CIA) para cada país, limando redundâncias de pessoa (um mesmo ministro para duas ou mais pastas) ou cargo (assessorias com status ministerial).
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A seguir, a equipe comparou estes números com dados do Banco Mundial e Nações Unidas para desenvolvimento humano (IDH) e governança (estabilidade política, transparência e eficiência) e pode assim verificar que a tendência há muito intuída nos estudos da administração pública tem validade estatística: quanto mais enxuto o primeiro escalão, maior a vitalidade do país.
Com dados de todo o mundo em mãos, os pesquisadores observaram também uma curiosa concentração de gabinetes e ministérios formados por aproximadamente 20 pessoas, no limite do 'coeficiente de ineficiência'. Esta faixa parecia separar países mais e menos afortunados. O passo seguinte da pesquisa foi descobrir por quê.

O ministério do coco


O Sri Lanka apareceu com o maior número de ministros nas contas de Klimek: 54. Entre os postos de primeiro escalão que a CIA atualmente lista estão os ministérios da Água, da Terra, do Açúcar, do Coco, dos Correios, Estradas, Jardins Botânicos, Assuntos Religiosos, Patrimônio Nacional, Línguas Nacionais, Criança, Mulher, Jovem, entre vários outros.
Coalizões e rachas – Aqui Peter Klimek alerta para o fato de que sua abordagem tem caráter estatístico. Isso significa que a correlação entre os indicadores não autoriza deduzir que um seja a causa do outro.
Klimek tem formação em física teórica e integra um grupo da Universidade de Medicina de Viena, na Áustria, dedicado ao estudo de sistemas complexos. Aplicando ferramentas das ciências exatas, Klimek propõe abordagens bastante originais para a análise dos mais variados assuntos. Recentemente, propôs um modelo estatístico para detecção de fraude eleitoral e o aplicou, com sucesso, às últimas eleições na Rússia.
Atrás de uma explicação para o ‘coeficiente de ineficiência’, os pesquisadores montaram um modelo probabilístico para tomada coletiva de decisão. Este esquema atribui a cada integrante de um grupo hipotético um estado aleatório inicial 0 ou 1, que representa sua opinião sobre um assunto qualquer. Todos os integrantes deste ‘ministério’ estão sujeitos à influência uns dos outros, que varia conforme a proximidade entre eles. Sob a pressão dos pares mais próximos, um certo ‘ministro’ pode mudar de opinião, o que será testado por meio de sucessivas operações matemáticas. Ao final de um sem-número de simulações, ou o grupo chega a um consenso (com todos os ‘ministros’ convencidos da mesma opinião 0 ou 1) ou racha (com a formação de ‘coalizões’ fortes o suficiente para resistir a influência dos demais ministros).

O paradoxo do ditador


Uma interpretação ligeira do modelo exposto por Klimek faria das ditaduras um ideal administrativo: com uma só pessoa tomando decisões, não há chance de impasse. Falso. Na verdade, as ditaduras provam a tendência geral observada: seus tradicionalmente baixos indicadores de desenvolvimento e governança também correspondem a um número grande de ministros e secretários, tenham ou não voz para influir na gestão do país. É o caso de Coreia do Norte - com mais de 90 cargos de primeiro escalão listados pela CIA -, Irã, Cuba e uma longa lista de países africanos.
É um modelo hipotético, claro, feito de contas complexas e variáveis sutis para definir as conexões entre os integrantes, a força da influência de uns sobre os outros, a resistência das coalizões etc. Ainda assim, Klimek e seus colegas são bastante assertivos em suas conclusões. A tendência para o dissenso aumenta com o tamanho do grupo porque a influência direta de cada integrante sobre os demais é diluída, o que facilita a formação de coalizões irredutíveis.
Inflação ministerial – Até o ‘coeficiente de ineficiência’ – 19 a 21 ‘ministros’ –, a resistência ao ingresso de novos elementos é marcante, dado o custo da perda de coesão e eficiência. A partir deste patamar, com a capacidade decisória do grupo já reduzida, a resistência à criação de novos ‘ministérios’ cai drasticamente. “Será que vocês estão experimentando algo similar no Brasil?”, pergunta Klimek. A resposta é sim, claro.
Klimek diz que os dados do Brasil confirmam a tendência geral observada em seu estudo, com um desempenho ligeiramente superior ao de países com o mesmo número de ministros e secretários – o que é outra forma de dizer que o Brasil tem um primeiro escalão ainda mais inchado que o de países na mesma faixa de desenvolvimento. Isso para os números coletados em novembro de 2007. Desde então, Lula e Dilma criaram uma série de novas pastas e elevaram antigas secretarias ao status de ministério: Direitos Humanos, Pesca, Igualdade Racial, Portos, Mulher, Assuntos Estratégicos, Aviação Civil, Comunicação (que havia perdido o status de ministério com o desgaste de Luiz Gushiken à época do mensalão) e a novíssima Secretaria da Micro e Pequena Empresa.
É tal o inchaço do ministério, que a presidente Dilma Rousseff nem o reúne mais. Em entrevista publicada pelo jornal Folha de S.Paulo nesta sexta-feira, o empresário e presidente da Câmara de Políticas de Gestão, Jorge Gerdau, disse que a criação de ministérios é uma contingência política, resultado do grande número de partidos. Ele defendeu uma gestão com "meia dúzia de ministros" e disse acreditar que "provavelmente" estamos no limite da "burrice ou loucura ou irresponsabilidade". Na verdade, o estudo de Klimek, Hanel e Thurner autoriza conclusão bem diferente. 39 pastas estão muito, muito além do limite. E o  reocupante: uma vez ultrapassado este limite, a resistência à "burrice ou loucura ou irresponsabilidade" é cada vez menor.

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Ônibus cai em ribanceira e mata duas pessoas em rodovia de SP

Estradas

Ônibus cai em ribanceira e mata duas pessoas em rodovia de SP

Acidente ocorreu no quilômetro 79 da Via Anhanguera, na região de Vinhedo

Um ônibus da viação Cometa, com 34 passageiros, que viajava de São Paulo para Campinas, no interior paulista, caiu em uma ribanceira no fim da tarde desta sexta-feira, na rodovia Anhanguera, no quilômetro 79, em Vinhedo. Segundo a Polícia Rodoviária Estadual, o acidente deixou 22 feridos, seis deles em estado grave. Dois morreram.  As vítimas foram encaminhadas a hospitais da região, em cidades como Campinas, Jundiaí e Valinhos.
O acidente ocorreu por voltar das 17 horas e o motorista teria perdido o controle do veículo. Os Bombeiros, o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), a Polícia Militar Rodoviária e equipes da concessionária ainda trabalham no local. O trânsito foi interrompido na faixa da direita e no acostamento. Há lentidão de pelo menos um quilômetro no trecho.
(Com Estadão Conteúdo)

Juventude interrompida

Juventude interrompida

A morte da adolescente Maria Candida Portinari no banheiro de sua casa, em São Conrado, chama atenção para os perigos e riscos de acidentes provocados por aquecedores a gás

por Sofia Cerqueira, Caio Barretto Briso e Letícia Pimenta | 03 de Abril de 2013
reprodução internet

A banheira instalada no 2º andar da residência da família Portinari, em São Conrado, sempre foi pouco utilizada. Seus moradores achavam pouco prático enchê-la e preferiam usar o chuveiro convencional, no banheiro da suíte principal, localizada no 3º andar. Na tarde de domingo (24), Maria Candida, de 16 anos, filha do professor universitário João Candido Portinari Filho e da advogada Maria Edina Portinari, resolveu quebrar a rotina. Ligou a torneira da água quente e, enquanto acertava a temperatura, conversou com a empregada da casa. Quando ela saiu, Maria Candida fez um pedido: "Por favor, feche a porta". Foi a última frase da jovem, uma linda garota de longos cabelos castanho-claros e impressionantes olhos azuis. O pai, filho único do pintor Candido Portinari (1903-1962), estranhando a demora do banho, bateu na porta e, sem receber resposta, entrou para ver o que acontecia. Encontrou a adolescente desacordada, submersa na água. Todas as tentativas de ressuscitá-la foram infrutíferas. "Ele me ligou dizendo que havia acontecido uma tragédia e que a Maria Candida estava morta. Disse ainda que havia sido o gás do banheiro", conta Sueli Avelar, amiga da família e uma das coordenadoras do Projeto Portinari, comandado por João Candido.

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A tragédia, ocorrida em um aprazível condomínio da Estrada das Canoas, destruiu aquilo que, sem sombra de dúvida, constituía uma família feliz. Maria Candida era a caçula de três filhos de João Candido, que tem 74 anos — Denise Berruezo Portinari e João Carlos Portinari, mais velhos, nasceram do primeiro casamento. Para realizar seus sonhos, o professor de matemática passava por cima de velhos preconceitos. No Carnaval, ele, a mulher e a jovem embarcaram para uma viagem a Orlando, nos Estados Unidos. "Estou gostando mais ou menos, mas compensa porque ela está amando", escreveu em uma mensagem enviada da Flórida pelo smartphone a uma amiga. Maria Candida se encantou particularmente com a visita ao parque temático do bruxinho Harry Potter, de quem era fã. "Ela ainda estava colocando as fotos da viagem no Facebook. Às 11 horas de domingo, por exemplo, publicou várias", diz a madrinha Christina Penna. Confiante e cheia de vida, a jovem fazia amigos com facilidade. Nas últimas semanas, estava entusiasmada com a nova escola, o Colégio Santo Inácio, em Botafogo, que frequentava desde o início do ano letivo. "Ela sonhava em ser engenheira civil ou veterinária, pois adorava animais. Tinha dois papagaios e dois cachorros. O mais novo deles era o Yoda, um pug que ganhou de presente no Natal", relata sua vizinha e melhor amiga, Ana Carolina Davies Café, 16 anos. Arrasado, Marcus Portella, o namorado, que esperava Maria Candida sair do banho para que fossem juntos ao cinema, simplesmente não se conformava com o que havia acontecido: "Ela foi minha primeira namorada. Nunca pensei que pudesse acabar assim", disse, emocionado.


As investigações sobre as circunstâncias da morte de Maria Candida ainda estão em andamento, e não se conhecem todos os detalhes do acidente. Até a quarta-feira passada, a polícia não trabalhava com outra hipótese além da asfixia por monóxido de carbono, subproduto tóxico da queima do gás presente em aquecedores domésticos. De acordo com o delegado Orlando Zaccone, da 15ª DP, na Gávea, responsável pelo caso, o corpo da moça tinha sinais compatíveis com essa possibilidade. Além disso, o condomínio onde ela residia não é servido pela rede de distribuição da Companhia Estadual de Gás (CEG), motivo de uma antiga reivindicação dos moradores. A banheira era abastecida por um aquecedor instalado internamente e o combustível vinha de botijões de 45 litros, semelhantes aos utilizados em restaurantes. Esse mesmo sistema é adotado no outro banheiro, que contava com seu próprio aquecedor, também instalado do lado de dentro. "Ninguém jamais imaginou que algo assim pudesse acontecer, mesmo porque o banheiro tinha uma janela. Eu mesma o usei algumas vezes, pois ficava junto ao quarto de hóspedes da casa", afirma Sueli Avelar.

A vida interrompida de uma adolescente com todo o futuro pela frente é uma situação devastadora, pois inverte o que consideramos a ordem natural das coisas. Nenhum pai ou mãe consegue se imaginar passando por tal provação. Por isso, mesmo sem conhecer a família, ninguém fica alheio à tragédia. No caso específico, a morte de Maria Candida provoca ainda uma reflexão sobre as armadilhas a que estamos sujeitos dentro de nosso próprio lar. "Sempre nos preocupamos com as más companhias, com as drogas e a violência no trânsito, achando que o único lugar onde o filho está protegido é ao nosso lado, dentro de casa. Na verdade, isso não passa de uma ilusão", desabafa a madrinha, Christina Penna. De fato, o que não falta são exemplos de quanto o ambiente doméstico, com todo o seu aconchego, pode ser perigoso (veja o quadro na pág. 28). Em uma cidade densamente povoada como o Rio, com apenas 800 000 domicílios abastecidos pela rede de gás encanado e outros 800 000 com botijões, o risco é uma realidade. Os acidentes mais frequentes, como se suspeita ter acontecido na casa dos Portinari, têm a ver com o processo de exaustão do monóxido de carbono, resultante da combustão. Se o ambiente onde o aquecedor estiver instalado não tiver circulação de ar suficiente, ou se a chaminé do aparelho estiver com algum problema, as pessoas poderão desmaiar em poucos minutos, sem nem perceber o que está acontecendo. "O vapor da água, na hora do banho, ajuda a camuflar a situação. É uma morte silenciosa", afirma o engenheiro Moacyr Duarte, professor da Coppe/UFRJ e especialista em análise de risco.


Dentro de nossa própria casa, as tubulações e os equipamentos de gás não são a única ameaça que costumamos negligenciar. As instalações elétricas são igualmente um foco de riscos, como comprovam recentes incêndios em apartamentos da cidade. É frequente proprietários e inquilinos dispensarem à pintura atenção maior do que a que dedicam à rede elétrica. Resultado: muitos prédios antigos, apesar da aparência bem conservada, escondem um verdadeiro cipoal de fios e cabos sem condições de suportar a atual demanda de energia dos moradores. Com poucas tomadas espalhadas pelos cômodos, conexões improvisadas por meio de extensões e filtros de linha tornaram-se rotina nos imóveis. "Temos a ilusão de que controlamos o que está na nossa casa. No caso dos sistemas inflamáveis, o rigor precisa ser absoluto", diz Agostinho Vieira, presidente do Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura (Crea).

Trata-se de mais uma batalha em que o cidadão está sozinho. Recentemente, o Ministério Público Estadual tentou obrigar a CEG a inspecionar uma vez por ano as unidades comerciais e residenciais a que atende. Mesmo cobrando caro para fazer as adaptações, a empresa recorreu e conseguiu reverter a ação. Na Assembleia Legislativa tramita desde 2007 um projeto de lei com objetivo semelhante, mas não há perspectiva de que ele saia da gaveta nos próximos meses. Na ausência de uma estrutura eficiente de fiscalização, seja por parte das empresas concessionárias de serviços, seja pelo poder público, cabe a cada um zelar pelo que acontece entre as paredes de casa adotando condutas relativamente simples, como realizar revisões periódicas em aquecedores, instalações elétricas, registros e conexões de gás. É responsabilidade dos moradores informar-se sobre as recomendações das empresas distribuidoras de gás e energia ou procurar (e pagar) os serviços de técnicos especializados. Pode não ser justo, pode não ser agradável, mas a tranquilidade de uma vida livre de acidentes não tem preço.

Coreia do Norte anuncia 'estado de guerra' com Sul

Extremo Oriente

Coreia do Norte anuncia 'estado de guerra' com Sul

Pyongyang ameaça reagir a qualquer provocação militar na região fronteiriça

Soldados norte-coreanos compareceram à praça Kim Il Sung, no centro de Pyongyang, nesta sexta-feira (14), para comemorar sucesso do lançamento do foguete Unha-3
Soldados norte-coreanos compareceram à praça Kim Il Sung, no centro de Pyongyang, nesta sexta-feira (14), para comemorar sucesso do lançamento do foguete Unha-3 (Ng Han Guan/AP)
A Coreia do Norte reforçou sua retórica beligerante e provocativa na manhã neste sábado, horário local. O governo de Kim Jong-un anunciou que o país entrou em 'estado de guerra' com a Coreia do Sul. Os dois países estão tecnicamente em guerra desde 1953 pois o conflito entre as duas nações foi encerrada por meio de um armistício e não de um tratado de paz.
"Qualquer provocação militar próxima às fronteiras terrestres e marítimas levará a um conflito em grande escala e a uma guerra nuclear", advertiu o comunicado oficial. "A partir de agora, todas as questões de estado entre as duas Coreias serão tratadas sob o protocolo de guerra. A situação que prevaleceu por muitos anos em que a península da Coreia não estava nem em paz nem em guerra acabou."
Os norte-coreanos elevaram o tom nos últimos dois dias por causa das manobras militares realizadas pelos Estados Unidos e Coreia do Sul em região fronteiriça, inclusive com uso dos bombardeiros amercianos B-2, de capacidade nuclear. Na sexta-feira, Jong-Un ordenou que as plataformas de mísseis entrassem em estado de alerta e que os foguetes fossem posicionados contra alvos dos Estados Unidos na Coreia do Sul e no Pacífico.
Protesto - Na tarde de sexta-feira, dezenas de milhares de militares e civis norte-coreanos marcharam no centro de Pyongyang em uma demonstração de apoio ao governo, afirmou a imprensa estatal. A magnitude da manifestação não pode ser confirmada por meios independentes, já que a censura no país é generalizada. O ato teria sido realizado na praça Kim Il-sung, e o ditador Kim Jong-un não estava presente.
Sob as imagens gigantes do pai de Kim Jong-un, Kim Jong-il, e de seu avô, Kim Il-sung, civis e soldados juraram obediência ao presidente. "A declaração foi um ultimato do Exército coreano contra os imperialistas americanos", declarou um porta-voz no início da manifestação. "Vamos pegar em armas e bombas por nosso respeitado líder Kim Jong-un."
Desde o início de março, quando a ONU adotou sanções contra a Coreia do Norte, o país vem aumentando sua retórica belicista. Embora especialistas duvidem que o país tenha capacidade para atingir a área continental dos EUA, afirmam que bases no Japão e na ilha americana de Guam estão no alcance das armas convencionais de Pyongyang. Washington, por sua vez, afirma que tem total condição de proteger seu território e o de seus aliados.
(Com Agência France-Presse)

Presidente sanciona criação de 39º ministério

Política

Presidente sanciona criação de 39º ministério

Criação da Secretaria da Micro e Pequena Empresa foi criticada pela oposição e pelo empresário Jorge Gerdau, um dos conselheiros mais próximos de Dilma

A presidente Dilma Rousseff reúne governadores e prefeitos para discutir investimentos do PAC em obras de pavimentação, mobilidade e saneamento
Dilma foi criticada por criar mais um ministério (Ueslei Marcelino/Reuters)
A presidente Dilma Rousseff sancionou a criação do 39º ministério do seu governo, o da Micro e Pequena Empresa. A sanção deve ser publicada na edição de segunda-feira do Diário Oficial da União, informou a Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República.
A Secretaria da Micro e Pequena Empresa, que terá status de ministério, deverá auxiliar na elaboração de políticas de estímulo ao microempreendedorismo. As competências do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior referentes à microempresa, à empresa de pequeno porte e ao artesanato serão transferidas para a recém-criada secretaria.
Nas contas do Palácio do Planalto, o 39º ministério representará um gasto anual de 7,9 milhões de reais aos cofres públicos. O projeto de lei aprovado no Congresso Nacional previa a criação dos cargos de ministro, secretário-executivo e outros 66 em comissão.
Críticas – A criação de mais um ministério foi alvo de críticas da oposição e de um dos conselheiros mais próximos da presidente, o empresário Jorge Gerdau, que afirmou em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo que "a burrice de abrir uma nova pasta está no limite".
No dia 15 de março, a presidente oficializou a troca de comando em três pastas – Secretaria de Aviação Civil, Trabalho, Agricultura –, em um esforço para aumentar o peso político do PMDB e amarrar o PDT ao seu projeto de reeleição.
(Com Estadão Conteúdo)

MP do Rio é acusado de avisar deputado Eduardo Cunha sobre inquérito que apurava sua ligação com quadrilha de sonegadores

Corrupção

MP do Rio é acusado de avisar deputado Eduardo Cunha sobre inquérito que apurava sua ligação com quadrilha de sonegadores

Reportagem de VEJA desta semana revela que relatório com denúncia será entregue ao procurador-geral da República. Filho do ministro de Minas e Energia, senador Edison Lobão Filho, também está envolvido no caso

Leslie Leitão e Thiago Prado
Fernando Rabelo/FolhaPress
AMIGÃO - O deputado federal Eduardo Cunha: até nove conversas por dia com Magro - sempre sobre os negócios
AMIGÃO - O deputado federal Eduardo Cunha: até nove conversas por dia com Magro - sempre sobre os negócios
Está para chegar às mãos do procurador-geral da República, Roberto Gurgel, um documento de 35 páginas que traz à luz uma história estarrecedora. Trata-se de um relatório secreto da Polícia Civil do Rio de Janeiro escrito dias depois da súbita interrupção das investigações que apuravam o tráfico de influência do deputado federal Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e do filho do ministro de Minas e Energia, senador Edison Lobão Filho (PMDB-MA), em prol de um esquema milionário de sonegação fiscal. Ele era operado, segundo a polícia, pelo empresário Ricardo Magro, dono da refinaria de Manguinhos, na Zona Norte carioca. O relatório, ao qual VEJA teve acesso, mostra que, por oito meses, a polícia seguiu, filmou e grampeou essas e outras dez pessoas na órbita de Magro. Os investigadores flagraram conversas comprometedoras e até encontros em viagens e shows, que não deixam dúvida sobre o estreito elo entre os dois políticos e o empresário. O material subsidiou um inquérito contra o grupo que está agora sob análise do Supremo Tribunal Federal. Tal investigação seguiu de vento em popa até 2009, quando de repente paralisou. Não havia mais como avançar. De uma hora para outra, os suspeitos não se falaram mais ao telefone. A polícia já sabe o motivo: o grupo foi alertado sobre o grampo pelo então procurador-geral do Ministério Público (MP) do Rio, Cláudio Lopes.

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