sexta-feira, 29 de março de 2013

Irã não faz arma nuclear em menos de 1 ano, diz Obama

Diplomacia

Irã não faz arma nuclear em menos de 1 ano, diz Obama

À TV israelense, presidente dos EUA prometeu evitar bomba atômica iraniana e reforçou o compromisso de seu governo com a segurança do país aliado

O presidente dos EUA, Barack Obama, durante entrevista à televisão israelense
O presidente dos EUA, Barack Obama, durante entrevista à televisão israelense (Reprodução)
O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, disse nesta quinta-feira em entrevista à emissora israelense Channel 2 que considera que o Irã não tem capacidade de produzir uma arma nuclear em menos de um ano, mas garantiu que esgotará todas os esforços para impedir isso. "Neste momento, nós achamos que seria necessário um ano ou mais para o Irã realmente desenvolver uma arma nuclear", afirmou Obama. "Mas, obviamente, não queremos chegar muito perto (desse prazo). O que vamos fazer é continuar a nos empenhar em nível internacional com o Irã", explicou.


O presidente americano, porém, ressaltou que os serviços de inteligência dos EUA não acreditam que o Irã tenha decidido fabricar a bomba mesmo diante de sinais de evolução do controverso programa nuclear da república islâmica – o regime dos aiatolás sempre negou esse propósito, alegando que o programa tem finalidades medicinais.
Gravada em Washington, a entrevista foi concedida a menos de uma semana de Obama viajar a Israel para se encontrar com o premiê Benjamin Netanyahu. Questionado sobre a cobrança de Netanyahu para os EUA estabelecerem uma "linha vermelha" para tomar providências mais efetivas para evitar que o Irã construa uma bomba atômica, Obama disse que há limites definidos, mas a "janela diplomática" ainda não fechou. "Eu tenho sido absolutamente claro a respeito da minha posição sobre o Irã possuir uma arma nuclear. Isso é uma linha vermelha para nós. Eu também disse que há uma janela – não um período de tempo infinito, mas uma janela de tempo – em que podemos resolver isso diplomaticamente".
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Obama reforçou que sempre disse ao primeiro-ministro Netanyahu que a solução diplomática "é a mais duradoura", mas não descartou outras ações, inclusive a via militar. "Eu mantenho todas as opções sobre a mesa", declarou. Além disso, Obama indicou que, em caso de uma ação militar, a decisão será sua. "Uma das coisas que se aprende quando se é presidente é que você recebe muitos conselhos, mas no final a decisão é sua".
O presidente americano também assegurou que tanto seu secretário de Defesa, Chuck Hagel, como o de Estado, John Kerry, compartilham a opinião de que um Irã com armamentos nucleares é um assunto que afeta a segurança nacional dos EUA e de Israel. "Eles também compartilham a minha visão de que nosso compromisso com a segurança de Israel é inquebrantável", afirmou.
(Com agência EFE)

EUA vão aumentar defesa antimíssil por causa da Coreia do Norte

Conflito   VEJA

EUA vão aumentar defesa antimíssil por causa da Coreia do Norte

Chefe do Pentágono anunciou instalação de catorze novos interceptores na Costa do Pacífico até 2017 em resposta às "provocações" norte-coreanas

O ex-senador republicano Chuck Hagel
O secretário de Defesa dos EUA, Chuck Hagel (Kevin Lamarque / Reuters)
Os Estados Unidos vão deslocar mais interceptores de mísseis balísticos para a Costa do Pacífico com o objetivo de aumentar a habilidade do Pentágono de responder a um potencial ataque da Coreia do Norte. Os novos interceptores devem ser instalados até 2017, a um custo estimado em cerca de 1 bilhão de dólares.
Com a decisão, o Pentágono aumentará número de interceptores. Serão  44, contra os trinta já posicionados no complexo militar de Fort Greely, no Alasca, e em uma base da Força Aérea de Vandenberg, na Califórnia. O anúncio foi feito nesta sexta-feira pelo novo secretário de Defesa, Chuck Hagel.
Saiba mais: Coreia do Norte já fala em 'batalha final' contra Seul e EUA
Ao fazer o anúncio, o chefe do Pentágono citou os recentes testes nuclear e de mísseis de longo alcance realizados pela Coreia do Norte e as “irresponsáveis e negligentes provocações" feitas por Pyongyang. Ele também mencionou a instalção de mais um radar no Japão, para melhorar o alerta antecipado e o acompanhamento de qualquer míssil lançado contra os EUA ou o Japão. Além da Coreia do Norte, também citou as ameaças do Irã.


Hagel informou que estão realizando estudos de impacto ambiental sobre possíveis lugares onde poderiam ser instalados mais interceptores terrestres em território americano. Segundo o secretário, mesmo sem planos imediatos para o posicionamento de mais interceptores, além dos mencionados, os estudos ambientais reduzem o prazo de instalação, caso seja tomada uma decisão nesse sentido.
Questionado sobre a capacidade duvidosa demostrada pelos interceptores em testes, Hagel disse que testes mais detalhados serão realizados este ano. “Nós temos confiança em nosso sistema”, ressaltou o secretário, acrescentando que o Pentágono só dará sequência aos planos de posicionar mais 14 interceptores quando houver certeza de que há “a total confiança necessária”.
Embora o limitado sistema de defesa antimísseis não ofereça uma garantia total contra um ataque norte-coreano, as armas enviam um “sinal de dissuasão para o limitado arsenal de mísseis balísticos intercontinentais da Coreia do Norte”, ressalta o jornal The New York Times.
(Com agência EFE)

Coreia do Norte 'explode' Capitólio em vídeo de propaganda

Ásia     VEJA

Coreia do Norte 'explode' Capitólio em vídeo de propaganda

Clipe de quatro minutos também mostra a Casa Branca sob a mira de um míssil

Explosão atinge domo do Capitólio, em Washington, no vídeo de propaganda da Coreia do Norte
Explosão atinge domo do Capitólio, em Washington, no vídeo de propaganda da Coreia do Norte (Reprodução)
A Casa Branca sob a mira de um míssil. O domo do Capitólio – sede do Congresso americano – destruído por uma grande explosão. Cenas como estas, dignas dos filmes-catástrofe de Hollywood, ilustram um vídeo de propaganda divulgado por um canal semioficial norte-coreano – e fazem parte da mais nova provocação de Pyongyang aos Estados Unidos.



O vídeo de quatro minutos foi postado no perfil do YouTube da Uriminzokkiri, agência que divulga notícias favoráveis ao governo comunista e reproduz peças de propaganda do regime.

Com edição e efeitos toscos, o clipe traz imagens de tropas do exército norte-coreano, desfiles militares e disparos de artilharia. Um pouco antes da marca de três minutos, a Casa Branca aparece sob a mira do que seria um míssil teleguiado. Em seguida, o Capitólio é mostrado sendo atingido por uma explosão. O mesmo website divulgou, no início de fevereiro, um vídeo exibindo uma cidade parecida com Nova York em chamas.

Escalada de tensão - Ainda que de forma mal-acabada, a peça de propaganda repercute as mais recentes ameaças proferidas pela Coreia do Norte contra os Estados Unidos, principal aliado da Coreia do Sul, vizinha e rival de Pyongyang.

Descontente com a ampliação das sanções na ONU contra o seu programa de armas e com os exercícios militares entre Washington e Seul na península, o regime comunista prometeu realizar um "ataque nuclear preventivo" aos EUA. Em resposta, a porta-voz do Departamento de Estado americano, Victoria Nuland, disse que Washington tem total capacidade de defender não apenas o seu território dos mísseis balísticos da Coreia do Norte, mas também os de todos os seus aliados. Na semana passada, o Pentágono anunciou que, por causa das provocações de Pyongyang, os EUA vão ampliar sua defesa antimíssil.

Coreia do Norte fecha corredor militar para a Coreia do Sul

Ásia

Coreia do Norte fecha corredor militar para a Coreia do Sul

'Em uma situação na qual uma guerra pode explodir a qualquer momento, não há necessidade de manter comunicações militares', disse oficial norte-coreano

Soldado norte-coreano observa o sul enquanto patrulha a vila de Panmunjeom, na zona desmilitarizada da fronteira entre as Coreias, nesta terça-feira (19)
Soldado norte-coreano observa o sul enquanto patrulha a vila de Panmunjeom, na zona desmilitarizada da fronteira entre as Coreias, nesta terça-feira (19) - Lee Jae-Won/Reuters
Em mais uma manobra de sua recente campanha de ameaças contra a Coreia do Sul e os Estados Unidos, a Coreia do Norte anunciou nesta quarta-feira que fechará o corredor militar que liga o país à Coreia do Sul, a única via de contato restante entre as duas nações depois que Pyongyang suspendeu há duas semanas a comunicação na via civil. Desde o início do mês, após a ONU aumentar as sanções à Coreia do Norte em represália à realização de um novo teste nuclear, o regime comunista faz quase diariamente declarações hostis ao país vizinho e ameaça atacar os EUA, principal aliado sul-coreano.
Leia mais: EUA condenam ameaças feitas pela Coreia do Norte
"A partir de agora, serão cortadas as comunicações militares entre o Norte e o Sul", assegurou a agência estatal norte-coreana KCNA citando um oficial do Exército. Segundo a agência, esse alto funcionário militar explicou que "em uma situação na qual uma guerra pode explodir a qualquer momento, não há necessidade de manter as comunicações militares" entre as duas nações vizinhas – semana passada, o jornal do Comitê Central do Partido dos Trabalhadores da Coreia do Norte falou em uma "guerra iminente" na região.
O oficial especificou que a linha permanecerá fechada enquanto a Coreia do Sul "continuar com seus anacrônicos atos hostis", em uma aparente referência aos exercícios militares conjuntos das Forças Armadas sul-coreanas e americanas, realizados em território da Coreia do Sul. A via é usada principalmente para o trânsito de operários sul-coreanos que trabalham no complexo industrial da cidade de Kaesong, criado com apoio do governo de Seul.
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A tensão na península coreana aumentou após Pyongyang realizar um teste nuclear em fevereiro deste ano, o terceiro da história norte-coreana. A ONU ampliou as sanções contra o país, que passou a fazer ameaças a Washington e Seul. Desde então, o governo de Kim Jong-un ameaçou fazer um "ataque nuclear preventivo" aos EUA, considerou nulo o armistício que suspendeu a Guerra da Coreia (1950-1953), colocou mísseis em "posição de combate" e prometeu atacar alvos americanos na Ásia em resposta ao voo de bombardeiros B-52 próximo a seu espaço aéreo.
Especialistas duvidam que a Coreia do Norte tenha capacidade de atingir a área continental dos Estados Unidos, mas as bases americanas no Japão e na ilha de Guam, na Oceania, estão dentro da área de alcance das armas convencionais de Pyongyang. Diante do discurso norte-coreano, os EUA afirmaram recentemente que têm totais condições de proteger o seu território e o de seus aliados na Ásia e, nesta terça-feira, disseram estar prontos para responder a “qualquer contingência” militar. 

Bombardeiros americanos realizam manobras na Coreia do Sul

Diplomacia       VEJA

Bombardeiros americanos realizam manobras na Coreia do Sul

Treinamento militar deve provocar nova reação da Coreia do Norte, que vem ameaçando atacar vizinhos sul-coreanos e até territórios dos Estados Unidos

Militares americanos e sul-coreanos em manobra conjunta na península coreana em retaliação aos ataques da Coreia do Norte contra o país vizinho
Militares americanos e sul-coreanos em manobra conjunta na península coreana em retaliação aos ataques da Coreia do Norte contra o país vizinho (Lee Jong/Getty Images)
Dois bombardeiros furtivos B-2 Spirit americanos com capacidade nuclear realizaram uma missão de treinamento nesta quinta-feira sobre a Coreia do Sul, anunciou o Exército dos Estados Unidos. O exercício militar ocorre em meio a tensões crescentes entre, de um lado, os aliados americanos e sul-coreanos e, de outro, a Coréia do Norte. As duas aeronaves furtivas, que não podem ser detectados por radares, partiram da Base Whiteman da Força Aérea no Missouri (região central dos Estados Unidos) e lançaram munição artificial contra um alvo no território sul-coreano.
Segundo o comunicado das forças americanas estacionadas na Coreia do Sul, o voo, um dos vários exercícios conjuntos organizados anualmente entre as forças americanas e sul-coreanas, "demonstra a capacidade dos Estados Unidos de realizar ataques rápidos e a grandes distâncias".


Espera-se que o anúncio dos exercícios militares provoque uma forte reação de Pyongyang, que recentemente ameaçou atacar o território continental americanao, além das ilhas de Guam e Havaí. A ameaça foi uma resposta aos recentes voos de treinamento dos B-52 sobre a Coreia do Sul.
Desde o início de março, quando a ONU adotou sanções contra a Coreia do Norte, o país vem aumentando sua retórica belicista. Embora especialistas duvidem que o país tenha capacidade para atingir a área continental dos Estados Unidos, eles afirmam que bases no Japão e na ilha americana de Guam estão no alcance das armas convencionais de Pyongyang. Washington, por sua vez, afirma que tem total condição de proteger o seu território e o de seus ali

FILME A proposta


Bancos do Chipre reabrem sob fortes restrições

Crise do Euro

Bancos do Chipre reabrem sob fortes restrições

Bolsa de valores do país informou que permanecerá fechada nesta quinta

Agência do banco Laiki em Nicósia, capital do Chipre
Agência do banco Laiki em Nicósia, capital do Chipre (Yorgos Karahalis/Reuters)
Os bancos cipriotas reabriram nesta quinta-feira sob fortes restrições, depois que o governo foi forçado a aceitar um pacote de resgate da União Europeia para evitar a falência do país. Os bancos estavam fechados havia 12 dias, conforme o governo negociava um pacote de resgate de 10 bilhões de euros, o primeiro no bloco monetário da Europa a impor perdas a correntistas.
Funcionários chegaram para o trabalho cedo em Nicósia, capital do país, conforme o dinheiro era entregue por carros blindados. Em uma agência do segundo maior banco, o Banco Popular do Chipre, os trabalhadores estavam recebendo instruções antes da abertura ao meio-dia (7 horas, no horário de Brasília). Os novos horários de abertura foram divulgados em um bilhete escrito à mão colocado na porta. A limitação de saque é de 300 euros (772 reais) por dia.
Leia também: Chipre foi caso único e não é modelo para UE, diz BCE
Autoridades dizem que as regras emergenciais adotadas para limitar saques e impedir uma corrida aos bancos será temporária, mas economistas afirmam que será difícil revogá-las enquanto a economia estiver em crise. Em Nicósia, havia algum alívio com a reabertura dos bancos, mas também alguma apreensão. "Finalmente o humor das pessoas vai melhorar", disse Yorgos Georgiou, proprietário de uma lavanderia. "Estou preocupado com os funcionários dos bancos, porque as pessoas podem mostrar sua irritação contra eles. Não dá para prever como as pessoas vão reagir depois de tantos dias", acrescentou.
A bolsa de valores do Chipre informou que permanecerá fechada nesta quinta-feira.
Leia mais: Insatisfeito com reestruturação, presidente do Banco do Chipre renuncia
O acordo feito com os credores internacionais - Fundo Monetário Internacional (FMI), Comissão Europeia (CE) e Banco Central Europeu (BCE) - na segunda-feira de madrugada é visto como positivo por líderes europeus, que acreditam ser possível evitar a falência do país e sua consequente saída da zona do euro.

Saiba mais: Infográfico explica por que o Chipre entrou em crise
Protestos - Apesar de ser menos agressivo do que a primeira proposta, rejeitada pelo Parlamento cipriota, que taxava todos os depósitos do país, o plano sofreu forte oposição porque confisca parte de todas as poupanças acima de 100.000 euros. Nesta semana milhares de cipriotas saíram às ruas de Nicósia, capital do Chipre, para protestar contra o acordo, temendo que as medidas agravem a crise econômica e o desemprego.
O acordo selado em Bruxelas também prevê o fechamento do Laiki Bank (segunda maior instituição financeira do país) e sua divisão. A parte saudável do banco, formada por todos os depósitos garantidos pelo acordo com os credores, ou seja, inferiores aos 100 mil euros, passará a fazer parte do Bank of Cyprus, a maior instituição financeira do Chipre e que será reestruturada.
(Com agência Reuters)

A novela PR na Esplanada: depois das pesquisas indicando alta popularidade de Dilma, Planalto endurece negociações da reforma ministerial

VEJA

A novela PR na Esplanada: depois das pesquisas indicando alta popularidade de Dilma, Planalto endurece negociações da reforma ministerial

Esticando a corda
Se a vida já estava difícil para o PR, depois da divulgação das últimas pesquisas sobre a popularidade de Dilma Rousseff, o jogo deverá ficar ainda mais duro para Alfredo Nascimento e companhia reconquistarem espaço na Esplanada.
A cúpula do partido voltará a se reunir com Dilma na semana que vem para tratar da novela que virou a negociação de um nome, que agrade aos comandantes da sigla e, claro, ao governo. Cesar Borges é a bola da vez.
Se o PR voltar a torcer o nariz, a tendência é que acabe sem uma cadeira na segunda etapa da reforma ministerial. E tem mais, só Nascimento e seus amigos acham que o Ministério de Transporte está sendo guardado para eles.
Por Lauro Jardim

Entrevista 'A união homossexual não é normal', diz candidato à presidência da Comissão de Direitos Humanos da Câmara Além de afirmar que os africanos carregam uma maldição desde os tempos de Noé, pastor Marco Feliciano também tentou derrubar a decisão do STF que permite a união civil entre pessoas do mesmo sexo Laryssa Borges, de Brasília Deputado (Pastor) Marco Antônio Feliciano PSC/SP Deputado (Pastor) Marco Antônio Feliciano PSC/SP (Diógenis Santos/Agência Câmara ) Considerada uma das comissões que produzem os debates mais acalorados da Câmara, a Comissão de Direitos Humanos será palco de novo embate nesta terça-feira, quando o PSC (Partido Social Cristão) indicar o deputado Marco Feliciano, de 40 anos, para presidir o colegiado. Pastor da Assembleia de Deus, Feliciano não é um homem de meias palavras. Nos últimos tempos, provocou confusão ao afirmar que os africanos carregam uma maldição desde os tempos de Noé. Também ganhou a pecha de homofóbico ao apresentar um projeto para tentar derrubar a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que permite a união entre pessoas do mesmo sexo. É uma pena que um tema tão amplo e relevante quanto o dos direitos humanos possa se ver limitado à discussão – que tende a se tornar caricata e estéril – entre um prócer do PSC e integrantes do bloco de partidos de esquerda, que há tempos indicam o seu presidente. Porém, na partilha das comissões temáticas, coube ao PSC, que tem 16 deputados e apoia o governo Dilma Rousseff, o comando da comissão. O deputado conversou nesta segunda com o site de VEJA. Leia trechos da entrevista. O senhor disse em plenário viver um “tempo de caça às bruxas” sobre questões homossexuais. Acha que o Congresso representa todos os setores da sociedade brasileira? Não temos democracia aqui. A democracia só funciona para uma parte desse grupo que se diz minoria. Minoria, entretanto, é quem não tem vez, não tem voz, não tem acesso a trabalho, não consegue estudar. Onde o grupo LGBT (lésbicas, gays, bissexuais e transexuais) se encaixa nisso? Eles se escondem atrás de um rótulo de minoria, não para buscar direitos, mas privilégios. Mas eles não têm direito a defender as causas que considerem adequadas? Entre os projetos de lei que eles querem ver aprovados está a instituição de cotas dentro das universidades públicas. Se não começar a segurar um pouco esse tipo de iniciativa gay, em breve não haverá mais controle. Daqui a pouco vão criar dentro do Brasil uma nova raça, uma raça superior. O senhor já foi acusado de racismo. Houve uma polêmica com a cantora Preta Gil, que não fui eu que comecei [o deputado Jair Bolsonaro disse ao programa humorístico CQC que seus filhos não namorariam negros porque não haviam sido criados em um “ambiente de promiscuidade”]. Um ativista do movimento negro me provocou e perguntou o que eu achava. Disse que repousava sobre o continente africano, até na África do Sul, com população branca, uma maldição patriarcal. Mas repare no meu cabelo. Somos todos descendentes de negros. Não acha que suas posições religiosas comprometeriam suas funções na Comissão de Direitos Humanos? A comissão discute exatamente como garantir melhores condições para setores considerados excluídos. Existe um protecionismo exacerbado com o movimento LGBT. O medo deles é que eu comece a revirar a caixa de Pandora e ver onde as verbas foram investidas, se houve direcionamento. Não tenho problemas em discutir assuntos ligados à homossexualidade. Eles é que não dão direito ao contraditório. Não os xingo de nenhuma palavra. As palavras obscurantista, fundamentalista e desgraçado foram usadas por eles contra mim. O senhor não acha que os homossexuais sofrem perseguição? Quando homossexuais são feridos, mortos ou quando sofrem qualquer tipo de preconceito, aí é uma questão de direitos humanos. Mas também me preocupo, por exemplo, com os brasileiros presos no exterior por estarem ilegais. Ninguém pergunta pelos direitos deles. Mas o senhor fala em medo da causa gay? Nosso medo é só esse: união homossexual não é normal. O reto não foi feito para ser penetrado. Não haveria condição de dar sequência à nossa raça. Agora, o que se faz dentro de quatro paredes não me diz respeito. Medo de quê? Deveria haver posições menos radicais na comunidade LGBT. Os gays destroem qualquer pessoa que se levante contra eles. Por que o senhor apresentou um projeto para sustar a decisão do STF favorável à união civil de homossexuais? O casamento gay fere os direitos da Igreja. Apresentei uma proposta de plebiscito sobre a união civil. Pergunte se o grupo de direitos dos gays aceitou. Por que não posso defender o meu plebiscito? Falo por parábolas: certa vez havia animais correndo de um fogo na floresta e um beija-flor trazia uma gota d’água no bico e ia tentar apagar o fogo. Faço a minha parte. Nosso país é conservador.

Entrevista

'A união homossexual não é normal', diz candidato à presidência da Comissão de Direitos Humanos da Câmara

Além de afirmar que os africanos carregam uma maldição desde os tempos de Noé, pastor Marco Feliciano também tentou derrubar a decisão do STF que permite a união civil entre pessoas do mesmo sexo

Laryssa Borges, de Brasília
Deputado (Pastor) Marco Antônio Feliciano PSC/SP
Deputado (Pastor) Marco Antônio Feliciano PSC/SP (Diógenis Santos/Agência Câmara )
Considerada uma das comissões que produzem os debates mais acalorados da Câmara, a Comissão de Direitos Humanos será palco de novo embate nesta terça-feira, quando o PSC (Partido Social Cristão) indicar o deputado Marco Feliciano, de 40 anos, para presidir o colegiado. Pastor da Assembleia de Deus, Feliciano não é um homem de meias palavras. Nos últimos tempos, provocou confusão ao afirmar que os africanos carregam uma maldição desde os tempos de Noé. Também ganhou a pecha de homofóbico ao apresentar um projeto para tentar derrubar a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que permite a união entre pessoas do mesmo sexo.

É uma pena que um tema tão amplo e relevante quanto o dos direitos humanos possa se ver limitado à discussão – que tende a se tornar caricata e estéril – entre um prócer do PSC e integrantes do bloco de partidos de esquerda, que há tempos indicam o seu presidente. Porém, na partilha das comissões temáticas, coube ao PSC, que tem 16 deputados e apoia o governo Dilma Rousseff, o comando da comissão. O deputado conversou nesta segunda com o site de VEJA. Leia trechos da entrevista.
O senhor disse em plenário viver um “tempo de caça às bruxas” sobre questões homossexuais. Acha que o Congresso representa todos os setores da sociedade brasileira? Não temos democracia aqui. A democracia só funciona para uma parte desse grupo que se diz minoria. Minoria, entretanto, é quem não tem vez, não tem voz, não tem acesso a trabalho, não consegue estudar. Onde o grupo LGBT (lésbicas, gays, bissexuais e transexuais) se encaixa nisso? Eles se escondem atrás de um rótulo de minoria, não para buscar direitos, mas privilégios.

Mas eles não têm direito a defender as causas que considerem adequadas? Entre os projetos de lei que eles querem ver aprovados está a instituição de cotas dentro das universidades públicas. Se não começar a segurar um pouco esse tipo de iniciativa gay, em breve não haverá mais controle. Daqui a pouco vão criar dentro do Brasil uma nova raça, uma raça superior.

O senhor já foi acusado de racismo. Houve uma polêmica com a cantora Preta Gil, que não fui eu que comecei [o deputado Jair Bolsonaro disse ao programa humorístico CQC que seus filhos não namorariam negros porque não haviam sido criados em um “ambiente de promiscuidade”]. Um ativista do movimento negro me provocou e perguntou o que eu achava. Disse que repousava sobre o continente africano, até na África do Sul, com população branca, uma maldição patriarcal. Mas repare no meu cabelo. Somos todos descendentes de negros.

Não acha que suas posições religiosas comprometeriam suas funções na Comissão de Direitos Humanos? A comissão discute exatamente como garantir melhores condições para setores considerados excluídos. Existe um protecionismo exacerbado com o movimento LGBT. O medo deles é que eu comece a revirar a caixa de Pandora e ver onde as verbas foram investidas, se houve direcionamento. Não tenho problemas em discutir assuntos ligados à homossexualidade. Eles é que não dão direito ao contraditório. Não os xingo de nenhuma palavra. As palavras obscurantista, fundamentalista e desgraçado foram usadas por eles contra mim.
O senhor não acha que os homossexuais sofrem perseguição? Quando homossexuais são feridos, mortos ou quando sofrem qualquer tipo de preconceito, aí é uma questão de direitos humanos. Mas também me preocupo, por exemplo, com os brasileiros presos no exterior por estarem ilegais. Ninguém pergunta pelos direitos deles.

Mas o senhor fala em medo da causa gay? Nosso medo é só esse: união homossexual não é normal. O reto não foi feito para ser penetrado. Não haveria condição de dar sequência à nossa raça. Agora, o que se faz dentro de quatro paredes não me diz respeito.

Medo de quê? Deveria haver posições menos radicais na comunidade LGBT. Os gays destroem qualquer pessoa que se levante contra eles.

Por que o senhor apresentou um projeto para sustar a decisão do STF favorável à união civil de homossexuais? O casamento gay fere os direitos da Igreja. Apresentei uma proposta de plebiscito sobre a união civil. Pergunte se o grupo de direitos dos gays aceitou. Por que não posso defender o meu plebiscito? Falo por parábolas: certa vez havia animais correndo de um fogo na floresta e um beija-flor trazia uma gota d’água no bico e ia tentar apagar o fogo. Faço a minha parte. Nosso país é conservador.

Congresso

Atos contra Feliciano têm apoio de servidores da Câmara

VEJA

Assessores parlamentares de PT, PV e PSOL participam regularmente de protestos que atormentam o presidente da Comissão de Direitos Humanos, deputado Marco Feliciano (PSC-SP). E que agora terminam em violência

Gabriel Castro, de Brasília
Tiago Oliveira, da liderança do PV, e Rodrigo Cademartori, assessor da deputada Érica Kokay (PT), em protesto
Tiago Oliveira, assessor da liderança do PV e Rodrigo Cademartori, assessor de Érica Kokay em protesto contra o deputado Marco Feliciano  (Gabriel Castro)
Nas últimas quatro semanas, a presença do deputado Marco Feliciano, do PSC, no comando da Comissão de Direitos Humanos da Câmara tem provocado protestos de militantes do movimento LGBT (lésbicas, gays, bissexuais e transexuais), insuflados por parlamentares do PSOL e do PT. Nesta quarta-feira, durante o tumulto que terminou com uma pessoa detida pela Polícia Legislativa, um detalhe chamou a atenção: os crachás de funcionários da Câmara – alguns à mostra, outros escondidos – pendurados no pescoço dos manifestantes. Misturados ao grupo que tem promovido os protestos, são funcionários de gabinetes da Câmara, pagos com dinheiro público, em horário de expediente de trabalho.

Algumas caras são recorrentes nesses atos. Uma delas é Rodrigo Cademartori, conhecido como Rodrigo "Pilha", assessor da deputada Érica Kokay (PT-DF). Ligado ao PT, ele saltou direto do movimento estudantil para um confortável cargo de confiança - primeiramente na Câmara Legislativa do Distrito Federal, depois na Câmara dos Deputados. Para quebrar a monotonia do serviço público, ele costuma participar de protestos no horário de expediente. O rapaz, velho conhecido da segurança da Câmara, foi um dos baderneiros que tentaram calar a blogueira Yoani Sánchez aos berros, quando a cubana visitou o Congresso em fevereiro. Rodrigo "Pilha" recebe mensalmente cerca de 4 200 reais.

Tiago Oliveira, assessor do PV, também resolveu usar o tempo de trabalho para protestar contra Feliciano. "Hoje não tenho nada na agenda", disse ele, candidamente, ao site de VEJA nesta quarta-feira. Sem esconder que usa o horário de trabalho para fazer militância, o assessor até aceita posar para foto. Ironicamente, o patrão de Tiago, o líder do PV, Sarney Filho (PV-MA), indicou um pastor evangélico para a comissão: Henrique Afonso (PV-AC), que ajudou a eleger Feliciano.

Os comissionados do PSOL são mais discretos: dão suporte aos manifestantes sem repetir as palavras de ordem gritadas pelos corredores da Câmara. Um deles, identificado como Alexandre, é assessor da liderança do partido na Câmara. Na última quarta, ele orientava os manifestantes sobre o melhor roteiro a ser percorrido dentro do Congresso. Indagado pelo site de VEJA, Alexandre disse apenas que estava lá para impedir abusos.

Outra assessora, apontada pelo próprio Alexandre como funcionária do deputado Jean Wyllys (PSOL-RJ), também auxilia os militantes - alguns deles, filiados ao PSOL. Também havia representantes do PSTU no movimento contrário a Feliciano. E nem sempre os representantes dos partidos envolvidos nos protestos se entendem: na última manifestação, quando uma manifestante ligada ao PSTU lançou críticas à presidente Dilma Rousseff, Rodrigo Cademartori, ou "Pilha", reagiu e chamou a jovem de "aparelhista" - seja lá o que isso significar.
O grupo de parlamentares de siglas de esquerda e militantes dos movimentos LGBT acusam o pastor de ter dado declarações racistas e homofóbicas. Desde então, Feliciano tem enfrentado transtornos nos corredores do Congresso, anda escoltado por seguranças e tem sido impedido de comandar as atividades da comissão. Ele também virou alvo de ataques nas redes sociais.
Pastor da Igreja Assembleia de Deus e deputado federal de primeiro mandato, Marco Feliciano enfrenta a resistência de partidos de esquerda que tradicionalmente reivindicam o comando da comissão, mas abriram mão do posto neste ano e agora não aceitam a indicação de um pastor evangélico para a cadeira. No caso do PT, o partido não pleiteou a presidência do colegiado para ter o direito de chefiar comissões consideradas mais nobres, como a de Constituição e Justiça (CCJ), que abriga os mensaleiros José Genoino (SP) e João Paulo Cunha (SP), ambos condenados pela Justiça. Ou seja, pelo acordo fechado previamente entre os partidos, a presidência da Comissão de Direitos Humanos é cota da bancada do PSC e cabe ao partido escolher seu representante, o que torna a indicação de Feliciano legítima.

Violência - Nesta quarta-feira, depois que Feliciano mudou o local da reunião e manteve os manifestantes do lado de fora, eles resolveram ir até o gabinete do deputado. Impedidos por seguranças, que formavam uma barreira em um corredor do anexo 4, os militantes tomaram a iniciativa; em vantagem numérica, deram empurrões nos funcionários da Câmara e geraram um grande tumulto. Um jovem foi detido: Allysson Prata, que é funcionário da Administração Regional de Ceilândia, uma espécie de subprefeitura mantida pelo governo do petista Agnelo Queiroz no Distrito Federal.

Prata é ligado à deputada distrital Luzia de Paula (PEN). Presença constante nos protestos contra Feliciano, o jovem chegou a ser detido pela Polícia Legislativa quando tentava invadir o gabinete de Marco Feliciano nesta quarta-feira. Allysson usa sua página no Facebook para convocar os militantes de esquerda para os protestos contra o presidente da Comissão de Direitos Humanos. Não se sabe em que momento ele bate ponto no trabalho.

Não só os funcionários do Legislativo fogem do trabalho para aderir à militância: Jandiara Machado é funcionária do Tribunal de Justiça do Distrito Federal, onde o expediente ocorre só durante a tarde. Mas, por volta das 15h desta quarta, ela estava na Câmara dos Deputados para protestar contra Feliciano. E se justificou: "Depois eu faço reposição de horário". Até agora, os militantes profissionais não anunciaram nenhum protesto contra funcionários públicos que se ausentam das funções durante o horário de trabalho.