Economia
Dilma descarta medidas contra inflação com impacto no PIB
Em cúpula dos Brics,
presidente afirma que não acredita em ações para conter preços que
reduzam o crescimento do país. E afirma: inflação está controlada
Presidente do Brasil, Dilma Rousseff, durante reunião dos
Brics (Brasil, Índia, China e África do Sul) em Durban, na África do Sul
(Alexander Joe/AFP)
A presidente Dilma Rousseff falou à imprensa nesta quarta-feira durante
a 5ª cúpula dos Brics, na África do Sul e afirmou que não tomará
quaisquer medidas de combate à inflação que possam desacelerar o
crescimento da economia brasileira. Segundo ela, essa é uma questão
"datada". "Esse receituário que quer matar o doente, em vez de curar a
doença, é complicado. Vou acabar com o crescimento no país? Isso está
datado. Isso eu acho que é uma política superada", afirmou a presidente
após encontro de chefes de estado dos países dos Brics, que reúne
Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. Sobre o crescimento da
economia, Dilma afirmou que o ano de 2013 será "um pouco mais promissor
do que 2012".
Como de praxe, Dilma aproveitou para criticar os analistas que pensam
de maneira diferente da dela: "São sempre as mesmas vozes, você não
ouviu isso do governo (que seria preciso reduzir o crescimento para
combater a inflação). Não achamos que há essa relação". Ainda sobre o
aumento de preços, afirmou: "Isso não significa que o governo não esteja
atento. Não só estamos atentos como acompanhamos diuturnamente a
questão da inflação. Não achamos que a inflação esteja fora de controle.
Pelo contrário, ela está controlada. O que há são alterações e
flutuações conjunturais. Mas nós estaremos sempre atentos".
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Dilma também atribuiu ao setor externo parte da culpa pela inflação
registrada no ano passado: de 5,84%. Próximo ao teto da meta do governo,
o indicador deixou a luz amarela acesa em 2013 para elevadas pressões
sobre os preços. Há três anos, a inflação oficial do país tem ficado
próxima ao topo da meta de tolerância. Em 2011, o IPCA fechou exatamente
no teto de 6,5%, enquanto que em 2010, em 5,91%. "Eu não concordo com
políticas de combate à inflação que olhem a redução do crescimento
econômico. Até porque temos a contraprova dada pela realidade: tivemos
um baixo crescimento no ano passado e houve um aumento de inflação
porque teve um choque de oferta devido à crise, e um dos fatores é
externo. Não tem nada que possamos fazer a não ser expandir a nossa
produção para conter o aumento dos preços das commodities derivado da
quebra de safra nos Estados Unidos", afirmou a presidente.
Com relação à eventual necessidade de se aumentar a taxa de desemprego
para reduzir a inflação, ela disse que o problema do pleno emprego será
resolvido com aumento da capacitação. "Você vai resolver, não é
reduzindo o crescimento. Nós temos uma demanda grande por emprego mais
especializado, de maior qualidade, e temos uma sobra de emprego menos
especializado. Estamos fazendo junto com o setor privado um grande
programa de especialização."
Crescimento - A
presidente também afirmou que a economia brasileira vem se recuperando
das desacelerações de 2011 e 2012. E creditou o cenário à "vontade
política" do governo. Ela salientou que a recuperação do crescimento
econômico brasileiro não foi espontânea, mas fruto de iniciativas
federais, como estímulos financeiros, tributários e monetários.
Dilma também ressaltou a contribuição da queda do desemprego para o
fortalecimento do mercado interno e enfatizou a importância de
investimento em infraestrutura. Segundo ela, as oportunidades de
investimentos devem ser ampliadas e, se há escassez de financiamentos,
"vamos criar financiamentos de longo prazo".
FMI - A presidente também repetiu sua defesa por
reformas nos organismos internacionais para refletir a maior
representatividade econômica atual dos países emergentes. Brasil e China
há muito afirmam que o sistema atual de votação do Fundo Monetário
Internacional (FMI) concede injustamente benefícios à Europa e aos
Estados Unidos, que dominam o Fundo desde sua fundação na década de
1940. Um acordo fechado em 2010 para implementar mudanças, inclusive
elevando a China ao posto de terceiro país-membro com mais poder de voto
na instituição financeira, deveria ter sido aprovada por todos os
países-membros do FMI em outubro do ano passado, mas ainda não passou
pelo Congresso dos EUA. "Seguimos unidos na defesa de reformas das
estruturas de governança global. É necessário urgentemente atualizar e
torná-las mais legítimas e representativas do mundo de hoje", afirmou.
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