segunda-feira, 25 de março de 2013
Acordo com PSC pode trocar pastor Feliciano por deputada
Atualizado: 25/03/2013 10:04 | Por João Bosco Rabello, estadao.com.br
Acordo com PSC pode trocar pastor Feliciano por deputada
Mais provável é que pastor renuncie; Antônia Câmara, evangélica e correligionária, deve assumir presidência
Divulgação
"Acordo vem sendo costurado desde que as manifestações contra Feliciano começaram"
Já na quarta-feira passada Feliciano esteve a um passo da renúncia, única saída legítima para o impasse criado depois da publicidade de suas posições polêmicas em relação à questão racial, casamento gay, aborto e das cenas de mercantilismo religioso que protagonizou ao exigir de um fiel, mais que o cartão de crédito, sua senha, em nome de Jesus.
Por essência uma Casa eletiva, a Câmara não tem meios de destituir um parlamentar eleito para um cargo, por manifestar suas opiniões.
Por pior que sejam, só a renúncia torna legítima sua substituição, ainda mais já reconhecida a colaboração geral para que ocupasse a presidência da comissão. PT, PSDB e até PC do B abriram espaço ao PSC em troca de vagas em outras comissões.
Ajuda o processo de convencimento político exercido junto ao pastor, a favor de sua renúncia, a exposição de sua família e da igreja. Se outras movimentações de bastidores não alterarem as bases do acordo, o PSC mantém o cargo, que seria ocupado pela deputada do Acre.
Antônia é economista de formação e de perfil mais ameno e isento, segundo lideranças políticas envolvidas com o processo. Mas, a essa altura, a visibilidade ganha pela comissão pode exigir um nome mais sólido, de biografia mais confiável e com trânsito amplo nos segmentos envolvidos com a questão dos direitos humanos.
Trocando em miúdos, a polêmica suscitada pelas posições do pastor pode devolver à comissão a importância que os partidos lhe negaram, ao virar-lhes as costas.
Prefeitura quer terminal de ônibus na frente do Aeroporto de Congonhas
Atualizado: 25/03/2013 02:04 | Por CAIO DO VALLE, estadao.com.br
Prefeitura quer terminal de ônibus na frente do Aeroporto de Congonhas
Expectativa
é de que ele fique pronto em até três anos e meio; na mesma região, já
está sendo construída uma estação de monotrilho
Segundo a Secretaria Municipal dos Transportes, o Terminal Jardim Aeroporto, que atenderá o futuro corredor de ônibus da Avenida 23 de Maio, terá área coberta de 13 mil m² e plataformas com 540 metros. A expectativa é de que fique pronto em até três anos e meio.
Por ora, não há informações sobre quantos passageiros devem ser beneficiados pelo terminal nem quantas linhas o servirão. Tampouco se será ligado à estação de monotrilho e ao aeroporto. A São Paulo Transporte (SPTrans) diz que os detalhes do empreendimento ainda dependem de estudos.
Na semana passada, foram lançados editais para contratar os projetos básicos deste e de mais dez terminais - todos nas zonas sul e leste -, além de 123 km de corredores de ônibus. A localização exata do terminal do aeroporto não foi informada, mas, pelo mapa anexado à licitação, será perto da esquina da Avenida Washington Luís com a Rua Vieira de Moraes. O terreno da antiga Vasp, atualmente desocupado, fica bem ao lado. Nas redondezas, também há um bolsão de radiotáxis. O terminal poderia ser montado em algum desses pontos.
Para o comerciante Valmir Paulo Ferreira, de 73 anos, a obra será boa. "Há anos, ali está totalmente abandonado, vazio." Ele arrenda uma lanchonete na Washington Luís. Uma de suas funcionárias, a cozinheira Maria Araújo, de 49 anos, que mora no Grajaú, na zona sul, usa diariamente ônibus para trabalhar. Em sua opinião, o terminal deverá facilitar sua vida. "Provavelmente, vou poder pegar o ônibus vazio."
O corredor previsto pela gestão Fernando Haddad (PT) para o corredor norte-sul terá 25,3 km. As obras devem começar no ano que vem. Para o projeto, estão previstos mais dois terminais além do Jardim Aeroporto: Jardim Miriam e Baronesa, também na zona sul.
Opções. Para especialistas, o corredor pode se tornar mais atraente que o monotrilho para quem quiser ir de transporte coletivo ao aeroporto. Isso porque a Linha 17-Ouro do Metrô inicialmente ligará Congonhas apenas à Estação Morumbi da Linha 9-Esmeralda da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), fora de mão da região central. De monotrilho, quem está no centro terá de ir até o Morumbi para depois voltar ao aeroporto. A extensão desse ramal até o Jabaquara, onde se conectará com a Linha 1-Azul do Metrô, de mais fácil acesso a áreas centrais, ainda não tem data.
Candidatos fazem peregrinação por vaga no Supremo
Atualizado: 25/03/2013 02:06 | Por FELIPE RECONDO / BRASÍLIA, estadao.com.br
Candidatos fazem peregrinação por vaga no Supremo
Cerca de 40 pretendentes já se apresentaram para o posto de Ayres Britto, que se aposentou em meio ao julgamento do mensalão
São presidentes de tribunais estaduais, juízes federais e estaduais, advogados, procuradores da República, integrantes do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e ministros de tribunais superiores que seguem diferentes caminhos, alguns mais discretos, outros nem tanto (ver matéria ao lado), mas todos com o objetivo único: a unção da presidente da República, Dilma Rousseff.
Um dos integrantes dessa relação é o presidente do Tribunal de Justiça do Espírito Santo (TJ-ES),
A peregrinação desses candidatos tem como destino os gabinetes do ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, do secretário-executivo da Casa Civil, Beto Vasconcelos, do secretário de Reforma do Judiciário do Ministério da Justiça, Flávio Caetano, do subchefe para Assuntos Jurídicos, Ivo da Motta, e do advogado-geral da União, Luís Inácio Adams.
Fora do Executivo e das proximidades palacianas, o gabinete do ministro do STF Ricardo Lewandowski tem recebido sucessivos pedidos de audiência desde o final do ano passado. Muitos apostam que ele terá influência na escolha do novo ministro. Mesmo que ouçam o contrário do próprio Lewandowski.
O Estado pediu ao Ministério da Justiça, à Casa Civil e à Advocacia-Geral da União a lista de pessoas que pediram audiências para falar especificamente da vaga aberta no Supremo. No total, são 22 nomes de pessoas que se ofereceram para a vaga.
Somam-se a essa relação outros candidatos já mencionados em outras disputas. Seus nomes não constam dessas listas, mas alguns deles já procuraram por ministros do STF. Alguns argumentam que ministros do Supremo não indicam, mas podem até vetar nomes para a Corte. Nesse grupo estão conselheiros do CNJ, ministros do Superior Tribunal de Justiça (STJ), desembargadores de tribunais de justiça, juízes federais e procuradores da República.
Problemas. Integrantes do governo afirmam que a estratégia de se colocar à disposição para a vaga no STF não chega a ser um pecado. Às vezes, disse um deles, até ajuda a conhecer nomes que eventualmente poderiam ser sabatinados para a vaga.
Quando, em 2011, a presidente Dilma Rousseff quis indicar uma mulher para a Corte, os assessores tiveram de analisar os nomes de todas as desembargadoras dos tribunais de todos os Estados e fazer uma lista com nomes palatáveis. Ao final, chegaram a quatro nomes. A ministra Rosa Weber, na época no Tribunal Superior do Trabalho (TST), foi a escolhida.
A campanha começa a tornar-se um problema quando o candidato busca apoio político. O risco apontado é de o pretendente começar a assumir dívidas ou compromissos políticos. A ajuda que vem num primeiro momento pode tornar-se uma dívida a ser cobrada.
Zona do euro vai mal de saúde e depende da Alemanha
Atualizado: 14/03/2013 04:29 | Por estadao.com.br
Zona do euro vai mal de saúde e depende da Alemanha
Para ajudar a região, o governo alemão deve procurar aumentar sua demanda interna e apoiar uma união dos bancos
Artigo
"A crise do euro acabou. A crise na zona do euro é grave." Foi o que disse um político francês. O colapso incipiente no Chipre, que os líderes da zona do euro discutirão à noite, depois do jantar da cúpula da União Europeia em Bruxelas, talvez prove que ele errou por uma questão de dias. Entretanto, meu palpite é que provavelmente ele estará certo, pelo menos por um ano ou dois.
A Alemanha e o Banco Central Europeu fizeram o suficiente para convencer os mercados de que a zona do euro sobreviverá, por enquanto.
Mas muitas economias dessa área continuam em situação crítica. Algumas delas fizeram esforços heroicos, com resultados já visíveis. Na Espanha, por exemplo, os custos da mão de obra já baixaram e as exportações atingiram a maior alta dos últimos 30 anos. O sofrimento tem sido imenso, com 50% de desemprego entre os jovens, e os preços dos imóveis residenciais em queda de 30% a 40%. Mas, de algum modo, as pessoas conseguiram superá-lo. Isso também produziu efeitos políticos - literalmente, encorajou os catalães a se separarem do Estado espanhol - mas, no que diz respeito à política partidária convencional, o centro resistiu. Houve pouca retórica xenofóbica e os imigrantes praticamente não foram transformados em bode expiatório.
O que aconteceu na Espanha testemunha de maneira notável a capacidade de recuperação da política tradicional europeia, com seu compromisso quase instintivo à moderação, ligado a um desejo profundamente arraigado de continuar fazendo parte de um projeto europeu maior.
Mas por quanto tempo, meu Deus, por quanto tempo? Por quantos anos mais essas sociedades conseguirão suportar tais níveis de estresse socioeconômico, antes que sua política democrática chegue a extremos? Já vimos o risco com o sucesso eleitoral do partido ultranacionalista, xenofóbico e (o rótulo se justifica) neofascista Aurora Dourada, na Grécia. Muito diferente em gênero, mas maior em termos de impacto, é o impasse político italiano, decorrente da divisão dos votos entre o movimento de protesto do comediante de Beppe Grillo, Silvio Berlusconi e a esquerda, além de uma votação menor para o grupo "Monti para a Itália" de Mario Monti, e dos votos distribuídos de maneira diferente nas duas câmaras do Parlamento. Com o impasse entre as duas câmaras, a reforma encontra-se atualmente paralisada na terceira maior economia da Europa.
Em parte, isso era inevitável, mas se agravou em razão do erro humano em geral e do erro alemão em particular. Posso entender inteiramente a reação irritada dos eleitores alemães, no início, quando lhes foi pedido que salvassem outras economias europeias que se mostraram muito menos disciplinadas, menos dedicadas ao trabalho e produtivas do que eles, a fim de salvar uma moeda para cuja adoção os alemães nunca votaram. (Reduzindo seus custos da mão de obra, a Espanha está fazendo, num curso intensivo involuntário, aquilo que a Alemanha começou a fazer há uma década, por iniciativa própria). Eu próprio me sentiria dessa maneira. Posso entender a chanceler Angela Merkel e seus colegas mantendo-se firmes em sua opinião.
Mas fatos são coisas tenazes. Quando os fatos mudam, ou pelo menos ficam mais claros, as estratégias políticas precisam ser ajustadas de acordo. O dever dos políticos numa democracia liberal - que funcione corretamente - é reconhecer esses fatos e explicá-los para os eleitores, não para atrair os eleitores com promessas falsas. Eis um exemplo: os chamados "multiplicadores fiscais", ou seja, o impacto sobre o PIB (Produto Interno Bruto) de um corte (ou um aumento) dos gastos públicos.
Em períodos normais, quando muitos dos países com que você realiza negócios estão mostrando um bom desempenho, esse multiplicador por chegar a 0,2 ou 0,4 - isto é, o PIB declina entre 0,2% a 0,4% a cada 1% de corte da despesa pública. Mas quando praticamente todos estão em recessão, o efeito aumenta drasticamente. Esse foi o caso durante a Grande Depressão há 80 anos, como o historiador econômico de Oxford Kevin O' Rourke e seus colaboradores estabeleceram claramente. E é o caso novamente hoje, na nossa Grande Recessão, como economistas no FMI, União Europeia e outras instituições estão agora reconhecendo. Num período de ampla recessão, os multiplicadores fiscais podem subir acima de 1, de modo que um corte de 1% nos gastos públicos pode causar uma queda de 1,5% no PIB. O que altera de modo significativo o cálculo da austeridade.
Eis um outro fato, um pouco mais significativo, portanto mais contestável, mas determinante: o sofrimento provocado pelos ajustes é observado principalmente nos países periféricos do Sul da Europa e não no Norte europeu. Mas foram necessários os dois para criar esta confusão.
Devemos responsabilizar o tomador de empréstimo irresponsável do Sul, mas também o credor de vista curta no Norte - por exemplo, os bancos alemães. O que nos leva a uma outra afirmação, um pouco mais especulativa: a Alemanha tem mais a perder do que qualquer outro país no caso de um colapso da zona do euro. Segundo uma estimativa, a exposição dos bancos alemães aos devedores irlandeses, portugueses, espanhóis e gregos se eleva a 400 bilhões. O próprio conselho de assessores econômicos do governo alemão calculou que os prejuízos potenciais para os credores alemães na eventualidade de um colapso da zona do euro chegariam a 2,8 trilhões, superando o PIB anual da Alemanha, que é de 2,65 trilhões. Qualquer moeda que venha suceder o euro, seja o marco alemão ou um euro norte-europeu (Nordo ou Neuro), terá uma taxa cambial menos favorável para as exportações germânicas.
Não em razão de algum dogma keynesiano, tampouco por idealismo ou sentimentalismo com relação aos seus camaradas europeus, mas pelo seu próprio interesse nacional, a Alemanha precisa fazer mais. Deve aumentar sua demanda interna, apoiar uma união de bancos forte e adotar alguma medida como a proposta feita pelos seus próprios assessores econômicos, de uma mutualização limitada da dívida da zona do euro - com condições que sejam adequadamente severas. Em termos de política econômica de toda a zona do euro, ou mais precisamente, a adoção de medidas de natureza política que impulsionem a economia, o melhor momento para isso já passou. Foi o que chamamos de Momento Monti.
Como primeiro ministro, Mario Monti estava lutando bravamente para fazer a coisa certa na Itália, mas também insistindo para a Alemanha cumprir com sua parte. Os alemães não aproveitaram o momento, mas hoje eles têm mais uma chance. Aquele que for eleito o próximo chanceler nas eleições gerais em setembro, independente da coalizão, necessitará caminhar um pouco mais para salvar adequadamente a zona do euro.
As chamadas "eleições europeias" serão realizadas em junho de 2014, mas as eleições decisivas para a Europa serão as nacionais - e nenhuma delas é mais importante do que a da Alemanha.
Naturalmente é pura coincidência o fato de a Alemanha enfrentar esse desafio exatamente quando nos aproximamos do 100.º aniversário de 1914; mas é uma coincidência que revela também uma oportunidade histórica para uma liderança europeia construtiva por parte do poder central do continente. Vamos Alemanha. Agarre o que o historiador Fritz Stern chamou de sua "segunda chance" histórica e faça bom uso dela. / TRADUÇÃO TEREZINHA MARTINO E ANNA CAPOVILLA
"A crise do euro acabou. A crise na zona do euro é grave." Foi o que disse um político francês. O colapso incipiente no Chipre, que os líderes da zona do euro discutirão à noite, depois do jantar da cúpula da União Europeia em Bruxelas, talvez prove que ele errou por uma questão de dias. Entretanto, meu palpite é que provavelmente ele estará certo, pelo menos por um ano ou dois.
A Alemanha e o Banco Central Europeu fizeram o suficiente para convencer os mercados de que a zona do euro sobreviverá, por enquanto.
Mas muitas economias dessa área continuam em situação crítica. Algumas delas fizeram esforços heroicos, com resultados já visíveis. Na Espanha, por exemplo, os custos da mão de obra já baixaram e as exportações atingiram a maior alta dos últimos 30 anos. O sofrimento tem sido imenso, com 50% de desemprego entre os jovens, e os preços dos imóveis residenciais em queda de 30% a 40%. Mas, de algum modo, as pessoas conseguiram superá-lo. Isso também produziu efeitos políticos - literalmente, encorajou os catalães a se separarem do Estado espanhol - mas, no que diz respeito à política partidária convencional, o centro resistiu. Houve pouca retórica xenofóbica e os imigrantes praticamente não foram transformados em bode expiatório.
O que aconteceu na Espanha testemunha de maneira notável a capacidade de recuperação da política tradicional europeia, com seu compromisso quase instintivo à moderação, ligado a um desejo profundamente arraigado de continuar fazendo parte de um projeto europeu maior.
Mas por quanto tempo, meu Deus, por quanto tempo? Por quantos anos mais essas sociedades conseguirão suportar tais níveis de estresse socioeconômico, antes que sua política democrática chegue a extremos? Já vimos o risco com o sucesso eleitoral do partido ultranacionalista, xenofóbico e (o rótulo se justifica) neofascista Aurora Dourada, na Grécia. Muito diferente em gênero, mas maior em termos de impacto, é o impasse político italiano, decorrente da divisão dos votos entre o movimento de protesto do comediante de Beppe Grillo, Silvio Berlusconi e a esquerda, além de uma votação menor para o grupo "Monti para a Itália" de Mario Monti, e dos votos distribuídos de maneira diferente nas duas câmaras do Parlamento. Com o impasse entre as duas câmaras, a reforma encontra-se atualmente paralisada na terceira maior economia da Europa.
Em parte, isso era inevitável, mas se agravou em razão do erro humano em geral e do erro alemão em particular. Posso entender inteiramente a reação irritada dos eleitores alemães, no início, quando lhes foi pedido que salvassem outras economias europeias que se mostraram muito menos disciplinadas, menos dedicadas ao trabalho e produtivas do que eles, a fim de salvar uma moeda para cuja adoção os alemães nunca votaram. (Reduzindo seus custos da mão de obra, a Espanha está fazendo, num curso intensivo involuntário, aquilo que a Alemanha começou a fazer há uma década, por iniciativa própria). Eu próprio me sentiria dessa maneira. Posso entender a chanceler Angela Merkel e seus colegas mantendo-se firmes em sua opinião.
Mas fatos são coisas tenazes. Quando os fatos mudam, ou pelo menos ficam mais claros, as estratégias políticas precisam ser ajustadas de acordo. O dever dos políticos numa democracia liberal - que funcione corretamente - é reconhecer esses fatos e explicá-los para os eleitores, não para atrair os eleitores com promessas falsas. Eis um exemplo: os chamados "multiplicadores fiscais", ou seja, o impacto sobre o PIB (Produto Interno Bruto) de um corte (ou um aumento) dos gastos públicos.
Em períodos normais, quando muitos dos países com que você realiza negócios estão mostrando um bom desempenho, esse multiplicador por chegar a 0,2 ou 0,4 - isto é, o PIB declina entre 0,2% a 0,4% a cada 1% de corte da despesa pública. Mas quando praticamente todos estão em recessão, o efeito aumenta drasticamente. Esse foi o caso durante a Grande Depressão há 80 anos, como o historiador econômico de Oxford Kevin O' Rourke e seus colaboradores estabeleceram claramente. E é o caso novamente hoje, na nossa Grande Recessão, como economistas no FMI, União Europeia e outras instituições estão agora reconhecendo. Num período de ampla recessão, os multiplicadores fiscais podem subir acima de 1, de modo que um corte de 1% nos gastos públicos pode causar uma queda de 1,5% no PIB. O que altera de modo significativo o cálculo da austeridade.
Eis um outro fato, um pouco mais significativo, portanto mais contestável, mas determinante: o sofrimento provocado pelos ajustes é observado principalmente nos países periféricos do Sul da Europa e não no Norte europeu. Mas foram necessários os dois para criar esta confusão.
Devemos responsabilizar o tomador de empréstimo irresponsável do Sul, mas também o credor de vista curta no Norte - por exemplo, os bancos alemães. O que nos leva a uma outra afirmação, um pouco mais especulativa: a Alemanha tem mais a perder do que qualquer outro país no caso de um colapso da zona do euro. Segundo uma estimativa, a exposição dos bancos alemães aos devedores irlandeses, portugueses, espanhóis e gregos se eleva a 400 bilhões. O próprio conselho de assessores econômicos do governo alemão calculou que os prejuízos potenciais para os credores alemães na eventualidade de um colapso da zona do euro chegariam a 2,8 trilhões, superando o PIB anual da Alemanha, que é de 2,65 trilhões. Qualquer moeda que venha suceder o euro, seja o marco alemão ou um euro norte-europeu (Nordo ou Neuro), terá uma taxa cambial menos favorável para as exportações germânicas.
Não em razão de algum dogma keynesiano, tampouco por idealismo ou sentimentalismo com relação aos seus camaradas europeus, mas pelo seu próprio interesse nacional, a Alemanha precisa fazer mais. Deve aumentar sua demanda interna, apoiar uma união de bancos forte e adotar alguma medida como a proposta feita pelos seus próprios assessores econômicos, de uma mutualização limitada da dívida da zona do euro - com condições que sejam adequadamente severas. Em termos de política econômica de toda a zona do euro, ou mais precisamente, a adoção de medidas de natureza política que impulsionem a economia, o melhor momento para isso já passou. Foi o que chamamos de Momento Monti.
Como primeiro ministro, Mario Monti estava lutando bravamente para fazer a coisa certa na Itália, mas também insistindo para a Alemanha cumprir com sua parte. Os alemães não aproveitaram o momento, mas hoje eles têm mais uma chance. Aquele que for eleito o próximo chanceler nas eleições gerais em setembro, independente da coalizão, necessitará caminhar um pouco mais para salvar adequadamente a zona do euro.
As chamadas "eleições europeias" serão realizadas em junho de 2014, mas as eleições decisivas para a Europa serão as nacionais - e nenhuma delas é mais importante do que a da Alemanha.
Naturalmente é pura coincidência o fato de a Alemanha enfrentar esse desafio exatamente quando nos aproximamos do 100.º aniversário de 1914; mas é uma coincidência que revela também uma oportunidade histórica para uma liderança europeia construtiva por parte do poder central do continente. Vamos Alemanha. Agarre o que o historiador Fritz Stern chamou de sua "segunda chance" histórica e faça bom uso dela. / TRADUÇÃO TEREZINHA MARTINO E ANNA CAPOVILLA
PIB do Chipre pode cair até 10% em 2013 após resgate, prevê consultoria
Atualizado: 25/03/2013 09:49 | Por Fernando Nakagawa, correspondente da Agência Estado, estadao.com.br
PIB do Chipre pode cair até 10% em 2013 após resgate, prevê consultoria
Segundo
a consultoria Open Europe, com o aumento da dívida do país, é possível
que a ilha passe a ser uma economia 'zumbi' pela dependência do dinheiro
de Bruxelas e Frankfurt
LONDRES
- O resgate internacional anunciado há algumas horas para a pequena
ilha do Chipre gera alívio no mercado financeiro, mas o impacto sobre a
economia real será grave. O alerta é do analista da consultoria Open
Europe, Raoul Ruparel. Para ele, o Produto Interno Bruto (PIB) cipriota
pode registrar contração de até 10% em 2013 e, com o aumento da dívida
do país, é possível que a ilha do Mar Mediterrâneo passe a ser uma
economia "zumbi" pela dependência do dinheiro de Bruxelas e Frankfurt.
Também aliviado pelo resgate finalmente ter sido anunciado, Ruparel diz que o pacote de ajuda internacional custará muito à população do pequeno país. "O PIB cipriota vai cair com os prováveis controles de capital que virão e impedirão o normal funcionamento da economia", diz. "O colapso do PIB pode ficar em algum lugar entre 5% e 10% este ano, a depender de quanto tempo serão usados os controles de capital", afirma.
Na esteira da queda do PIB, o economista observa que as contas públicas do Chipre caminharão para um nível perigoso. "Um dos principais objetivos de toda essa negociação foi de tentar tornar a dívida cipriota sustentável. Mas não acreditamos que isso será alcançado especialmente pelo provável colapso do PIB. Sozinho, o empréstimo de 10 bilhões de euros vai levar a dívida do país para 140% do PIB. Se o PIB cair apenas 5% este ano, o número aumenta para 148%", diz.
"Existe uma forte chance de o Chipre virar uma economia zumbi, que depende do dinheiro da zona do euro e do financiamento do BCE para funcionar e possivelmente exigirá resgates posteriores", afirma.
"O padrão de vida e a economia do Chipre podem entrar em colapso. A posição do país como um centro financeiro pode acabar e há poucas alternativas para o crescimento da economia da ilha", diz o economista. "Uma opção que resta é o turismo", cita, ao comentar que nem essa opção parece muito positiva. "Com uma moeda sobrevalorizada significativamente (o euro), não está claro até que ponto o Chipre pode tirar proveito disso", diz.
Alemanha
Ruparel também chama atenção para a mudança de estratégia da Alemanha nas negociações. Para o analista da consultoria Open Europe, o governo de Angela Merkel "deixou claro que não está mais disposto a pagar a conta de resgates externos sem que o país beneficiado faça uma parte do esforço e adote medidas radicais". Além disso, o ultimato dado pelo Banco Central Europeu ao Chipre - cuja oferta de liquidez acabaria hoje - mostra "o BCE como um ator cada vez mais político".
"Isso tudo combinado com o sentimento de injustiça percebido por todos os lados deve consolidar o impasse Norte-Sul da zona do euro, o que deve tornar futuras negociações ainda mais complicadas", lamenta o economista.
Também aliviado pelo resgate finalmente ter sido anunciado, Ruparel diz que o pacote de ajuda internacional custará muito à população do pequeno país. "O PIB cipriota vai cair com os prováveis controles de capital que virão e impedirão o normal funcionamento da economia", diz. "O colapso do PIB pode ficar em algum lugar entre 5% e 10% este ano, a depender de quanto tempo serão usados os controles de capital", afirma.
Na esteira da queda do PIB, o economista observa que as contas públicas do Chipre caminharão para um nível perigoso. "Um dos principais objetivos de toda essa negociação foi de tentar tornar a dívida cipriota sustentável. Mas não acreditamos que isso será alcançado especialmente pelo provável colapso do PIB. Sozinho, o empréstimo de 10 bilhões de euros vai levar a dívida do país para 140% do PIB. Se o PIB cair apenas 5% este ano, o número aumenta para 148%", diz.
"Existe uma forte chance de o Chipre virar uma economia zumbi, que depende do dinheiro da zona do euro e do financiamento do BCE para funcionar e possivelmente exigirá resgates posteriores", afirma.
"O padrão de vida e a economia do Chipre podem entrar em colapso. A posição do país como um centro financeiro pode acabar e há poucas alternativas para o crescimento da economia da ilha", diz o economista. "Uma opção que resta é o turismo", cita, ao comentar que nem essa opção parece muito positiva. "Com uma moeda sobrevalorizada significativamente (o euro), não está claro até que ponto o Chipre pode tirar proveito disso", diz.
Alemanha
Ruparel também chama atenção para a mudança de estratégia da Alemanha nas negociações. Para o analista da consultoria Open Europe, o governo de Angela Merkel "deixou claro que não está mais disposto a pagar a conta de resgates externos sem que o país beneficiado faça uma parte do esforço e adote medidas radicais". Além disso, o ultimato dado pelo Banco Central Europeu ao Chipre - cuja oferta de liquidez acabaria hoje - mostra "o BCE como um ator cada vez mais político".
"Isso tudo combinado com o sentimento de injustiça percebido por todos os lados deve consolidar o impasse Norte-Sul da zona do euro, o que deve tornar futuras negociações ainda mais complicadas", lamenta o economista.
Brasileiros em Paris protestam contra Marco Feliciano
Atualizado: 23/03/2013 17:15 | Por BBC, BBC Brasil
Brasileiros em Paris protestam contra Marco Feliciano
BBC Brasil
"Brasileiros
exibem cartazes em protesto contra a indicação de Marco Feliciano para o
comando da Comissão de Direitos Humanos e Minorias (Jordana Viotto/BBC
Brasil)"
''Como todos aqui, estava indignada com essa nomeação. Vi manifestações sendo organizadas que em várias cidades, tanto no Brasil como outros países e achei que poderíamos fazer algo aqui em Paris também'', explica a coordenadora do evento, Maíra Pôssas Abreu.
O deputado e pastor Feliciano tem sido chamado de homofóbico e racista devido a declarações dadas por ele em entrevistas, a pronunciamentos seus feitos no plenário da Câmara e a mensagens postadas em sua conta de Twitter.
Conhecendo apenas alguns conterrâneos na capital francesa, Maíria decidiu consultar as redes sociais em busca de grupos de brasileiros que moram na França para sondar qual seria o grau de interesse em um ato desse tipo.
''Percebi que havia uma boa quantidade de pessoas que se engajariam e criei o evento no Facebook'', relata. Após a criação do evento, ela enviou um convite online a diversos potenciais participantes e conseguiu a confirmação de 200 pessoas.
Cartazes e palavras de ordem
O próximo passo foi obter uma permissão da polícia francesa, sem a qual não poderia haver manifestação. A ideia inicial era a de reunir os participantes em frente ao Consulado brasileiro, mas ''por motivos de segurança'', a polícia não permitiu.
A autorização só foi liberada para que a manifestação ocorresse em uma praça próxima ao consulado. Alguns manifestantes até tentaram fazer fotos em frente ao edifício da representação brasileira em Paris, mas foram impedidos pelos policiais que estavam no local.
Jordana Viotto - BBC Brasil
BBC Brasil
"Manifestantes assinaram carta aberta pedindo saída de Feliciano (Jordana Viotto - BBC Brasil)"
A motivação dos manifestantes era a vontade de participar da vida política do Brasil, mesmo estando longe do país.
''Moro aqui há oito anos, mas vou ser brasileiro para sempre e tenho que lutar pelos direitos do meu país'', comenta Carlos Rizzetto, que trabalha na unidade francesa de uma multinacional. ''O Brasil é tratado como uma grande fazenda e isso tem que acabar'', complementa.
Carta aberta
Uma carta aberta pedindo a saída de Feliciano da presidência da CDHM foi assinada pelos manifestantes e será entregue ao consulado brasileiro na França. A expectativa é a de que o documento seja encaminhado para a Câmara dos Deputados.
A CDHM é constituída por 18 parlamentares e tem como objetivo tratar de violações aos direitos humanos e de assuntos referentes às minorias étnicas e sociais. Marco Feliciano foi eleito presidente da comissão por 11 votos, um a mais do necessário, no dia 7 de março último.
Em entrevistas, Feliciano já deu declarações dizendo que ''união homossexual não é normal'' e que ''o reto não foi feito para ser penetrado, (porque) não haveria condição de dar sequência à nossa raça''.
Ele também afirmou que ''quando você estimula as pessoas a liberarem os seus instintos e conviverem com pessoas do mesmo sexo, você destrói a família, cria-se uma sociedade onde só tem homossexuais, você vê que essa sociedade tende a desaparecer porque ela não gera filhos''.
Há dois anos, em sua conta de Twitter, ele afirmou que 'Africanos descendem de ancestral amaldiçoado por Noé. Isso é fato'' e que 'A maldição que Noé lança sobre seu neto, canaã, respinga sobre continente africano, daí a fome, pestes, doenças, guerras étnicas''.
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Preço cai no atacado mas ainda sobe no varejo
Atualizado: 24/03/2013 22:45 | Por Márcia de Chiara, de O Estado de S.Paulo, estadao.com.br
Preço cai no atacado mas ainda sobe no varejo
Economistas dizem que a redução não é repassada ao consumidor por causa do frete mais caro e da demanda, que é alta
Pressões
de custos e aumento de renda no bolso do brasileiro estão adiando o
repasse da queda de preços dos alimentos no atacado para o consumidor.
Os preços caem no atacado mas ainda não chegam ao varejo.“Já era hora de
essa queda ter aparecido no IPCA”, afirma o economista da LCA, Fabio
Romão. “Os alimentos têm subido acima do padrão sazonal”, observa o
economista do Itaú Unibanco, Elson Teles. Para Teles, a área plantada de
algumas lavouras tem diminuído, o que reduz a oferta. Além disso,
pressões de custos estão mantendo os preços dos alimentos num nível mais
elevado por mais tempo.Romão, da LCA, aponta quatro fatores como
responsáveis pelo atraso no repasse da queda de preços do atacado para o
varejo. O primeiro é a sequência de três reajustes do óleo diesel desde
o ano passado, que encareceram o frete. O segundo fator de pressão de
custos, também ligado ao frete, seria a nova lei do caminhoneiro. Pelas
restrições nas horas de trabalho, a nova lei impôs um gasto maior com
contratação de mais motoristas. O terceiro fator é a desvalorização
cambial, ocorrida do primeiro para o segundo semestre de 2012. Ela
provocou aumento dos preços em reais dos produtos agropecuários cotados
em dólar.Finalmente, o economista destaca a pressão da demanda,
decorrente do aumento da renda. “Desde outubro do ano passado, o ritmo
anualizado de crescimento da renda, descontada a inflação, é de 4%. Isso
chancela preços em alta”, afirma Romão. Ele destaca que não se recorda,
nos último tempos, de período de repasse tão lento da queda de preços
dos alimentos do atacado para o varejo como ocorre hoje.Para Fabio
Silveira, sócio da RC Consultores, esse movimento de queda de preços no
atacado não foi inteiramente captado pelos índices de inflação ao
consumidor, porque não houve tempo hábil. “Estamos em pleno processo de
geração de índices deflacionários”, observa.
Alta de alimentos chega a 34% no ano
Atualizado: 24/03/2013 22:45 | Por Márcia De Chiara, de O Estado de S.Paulo, estadao.com.br
Alta de alimentos chega a 34% no ano
Preços já desaceleram no atacado, mas apesar da supersafra a maior pressão sobre a inflação ainda vem dos preços agrícolas
SÃO
PAULO - Apesar de o País colher neste ano uma safra recorde de 185
milhões de toneladas de grãos, os preços dos alimentos foram o principal
foco de pressão inflacionária nos últimos 12 meses. Daqui para frente, o
comportamento dos preços do tomate, da batata, do arroz e do feijão
será o fiel da balança na decisão do Banco Central (BC) de aumentar os
juros básicos para que a inflação não supere o teto da meta de 6,5%
prevista para este ano.
Em 12 meses até março, os preços dos alimentos ao consumidor descolaram da inflação em geral e subiram mais de 30%. Enquanto o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA)-15 subiu 6,43% até março, os preços das frutas, verduras e legumes acumularam altas de 33,36% e os dos cereais, que incluem arroz e feijão, de 34,09%, revela um estudo feito pelos economistas da Universidade de São Paulo (USP), Heron do Carmo e Jackson Rosalino. Eles usaram os dados do IPCA-15, uma prévia do IPCA, o índice de referência para o sistema de metas de inflação.
No caso dos alimentos semielaborados e industrializados, a alta também foi na casa de dois dígitos no mesmo período, de 16,50% e de 11,44%, respectivamente. Já os preços dos serviços privados, que variam ao sabor do mercado, exceto aqueles regidos por contatos, subiram 8,82% em 12 meses até março.
"Poderemos ter uma melhoria da inflação dos alimentos por causa da supersafra, mas existe um pedaço importante da inflação, que reúne cereais de consumo doméstico, legumes, frutas, que está ao sabor do clima", diz Heron. Só o tomate mais que dobrou de preço nos últimos 12 meses, com alta de 105,87%. A trajetória dos preços de outros alimentos foi semelhante. A batata, por exemplo, ficou 86,51% mais cara em 12 meses até março, a farinha de mandioca subiu 140,57% e a cebola, 58,83%.
Heron explica que o que provoca o estrago no índice de inflação é o tamanho da variação dos preços desses produtos, não o peso que eles têm isoladamente no indicador. De toda forma, o grupo alimentação e bebidas respondeu no mês passado por 24,3% do IPCA. Desse total, a alimentação no domicílio, onde são computados os gastos com os ingredientes para o preparo das refeições, representou 16% e a alimentação fora do lar respondeu pela diferença (8,26%).
Heron observa que não é a primeira vez que os preços dos alimentos se descolam do índice geral de inflação. Movimento semelhante ocorreu em março de 2008. De lá para cá, nada foi feito. “Falta política agrícola e de abastecimento de longo prazo para esses produtos. Há um descuido com essa parte dos alimentos de consumo doméstico”, diz o economista. "Todo mundo quer pensar macro, mas se esquece do pão, pão, queijo, queijo. O BC pode até aumentar os juros, mas se vier uma geada no meio do ano, estraga tudo."
Graças à pesquisa agropecuária feita pelo próprio governo, a soja pode ser hoje produzida em lugares até pouco tempo inadequados.“Por que não fizeram isso com o feijão e o tomate?”, pergunta Heron. Ele não vê evolução na área de estocagem desses produtos que são mais perecíveis em relação a outros grãos. Também falta, na sua opinião, uma política de estímulo a essas culturas. É que quando o preço do milho e da soja disparam, o produtor reduz a área plantada com arroz e feijão e migra para as lavouras de exportação.
Dobradinha. A soja e o milho, basicamente lavouras de exportação e com efeitos indiretos no abastecimento doméstico das carnes, porque são usados como ração animal, respondem neste ano por 70% da safra. A produção recorde está sendo sustentada pela soja, cuja safra cresceu 23,6% neste ano, segundo a Companhia Nacional do Abastecimento (Conab). No caso do milho e o do arroz, a alta na produção foi de 4,36% e 3,9%. Já no feijão da primeira safra, que está em fase de colheita, há queda de quase 6% na produção em relação à safra anterior.
Para o sócio da RC Consultores, Fabio Silveira, a supersafra já está ajudando a segurar a inflação. Ele observa que os preços no atacado, tanto dos alimentos cotados no mercado internacional, como soja, milho, café, açúcar, como aqueles voltados para o consumo doméstico, como arroz e feijão, estão desacelerando no atacado. Além disso, a recente desoneração dos oito grupos de produtos da cesta básica deve contribuir para atenuar preços. "Projeto para este ano um IPCA de 5,5% e alimentação vai ficar em torno de 6%. Os alimentos vão devolver muito preço daqui para frente, pois a inflação dos alimentos está em 12%."
"Olhando para frente, esperamos uma volta importante nos preços dos alimentos", diz Elson Teles, economista do Itaú Unibanco. Ele espera para este ano alta de 6% para alimentação no domicílio, o subgrupo mais importante do IPCA. Em 12 meses até fevereiro, o indicador está em 13,9%. "O resultado deste ano será alto, mas haverá uma melhora em relação à situação atual. Os preços dos alimentos subiram muito e é difícil imaginar que o preço da batata e do tomate vão continuar subindo."
Em 12 meses até março, os preços dos alimentos ao consumidor descolaram da inflação em geral e subiram mais de 30%. Enquanto o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA)-15 subiu 6,43% até março, os preços das frutas, verduras e legumes acumularam altas de 33,36% e os dos cereais, que incluem arroz e feijão, de 34,09%, revela um estudo feito pelos economistas da Universidade de São Paulo (USP), Heron do Carmo e Jackson Rosalino. Eles usaram os dados do IPCA-15, uma prévia do IPCA, o índice de referência para o sistema de metas de inflação.
No caso dos alimentos semielaborados e industrializados, a alta também foi na casa de dois dígitos no mesmo período, de 16,50% e de 11,44%, respectivamente. Já os preços dos serviços privados, que variam ao sabor do mercado, exceto aqueles regidos por contatos, subiram 8,82% em 12 meses até março.
"Poderemos ter uma melhoria da inflação dos alimentos por causa da supersafra, mas existe um pedaço importante da inflação, que reúne cereais de consumo doméstico, legumes, frutas, que está ao sabor do clima", diz Heron. Só o tomate mais que dobrou de preço nos últimos 12 meses, com alta de 105,87%. A trajetória dos preços de outros alimentos foi semelhante. A batata, por exemplo, ficou 86,51% mais cara em 12 meses até março, a farinha de mandioca subiu 140,57% e a cebola, 58,83%.
Heron explica que o que provoca o estrago no índice de inflação é o tamanho da variação dos preços desses produtos, não o peso que eles têm isoladamente no indicador. De toda forma, o grupo alimentação e bebidas respondeu no mês passado por 24,3% do IPCA. Desse total, a alimentação no domicílio, onde são computados os gastos com os ingredientes para o preparo das refeições, representou 16% e a alimentação fora do lar respondeu pela diferença (8,26%).
Heron observa que não é a primeira vez que os preços dos alimentos se descolam do índice geral de inflação. Movimento semelhante ocorreu em março de 2008. De lá para cá, nada foi feito. “Falta política agrícola e de abastecimento de longo prazo para esses produtos. Há um descuido com essa parte dos alimentos de consumo doméstico”, diz o economista. "Todo mundo quer pensar macro, mas se esquece do pão, pão, queijo, queijo. O BC pode até aumentar os juros, mas se vier uma geada no meio do ano, estraga tudo."
Graças à pesquisa agropecuária feita pelo próprio governo, a soja pode ser hoje produzida em lugares até pouco tempo inadequados.“Por que não fizeram isso com o feijão e o tomate?”, pergunta Heron. Ele não vê evolução na área de estocagem desses produtos que são mais perecíveis em relação a outros grãos. Também falta, na sua opinião, uma política de estímulo a essas culturas. É que quando o preço do milho e da soja disparam, o produtor reduz a área plantada com arroz e feijão e migra para as lavouras de exportação.
Dobradinha. A soja e o milho, basicamente lavouras de exportação e com efeitos indiretos no abastecimento doméstico das carnes, porque são usados como ração animal, respondem neste ano por 70% da safra. A produção recorde está sendo sustentada pela soja, cuja safra cresceu 23,6% neste ano, segundo a Companhia Nacional do Abastecimento (Conab). No caso do milho e o do arroz, a alta na produção foi de 4,36% e 3,9%. Já no feijão da primeira safra, que está em fase de colheita, há queda de quase 6% na produção em relação à safra anterior.
Para o sócio da RC Consultores, Fabio Silveira, a supersafra já está ajudando a segurar a inflação. Ele observa que os preços no atacado, tanto dos alimentos cotados no mercado internacional, como soja, milho, café, açúcar, como aqueles voltados para o consumo doméstico, como arroz e feijão, estão desacelerando no atacado. Além disso, a recente desoneração dos oito grupos de produtos da cesta básica deve contribuir para atenuar preços. "Projeto para este ano um IPCA de 5,5% e alimentação vai ficar em torno de 6%. Os alimentos vão devolver muito preço daqui para frente, pois a inflação dos alimentos está em 12%."
"Olhando para frente, esperamos uma volta importante nos preços dos alimentos", diz Elson Teles, economista do Itaú Unibanco. Ele espera para este ano alta de 6% para alimentação no domicílio, o subgrupo mais importante do IPCA. Em 12 meses até fevereiro, o indicador está em 13,9%. "O resultado deste ano será alto, mas haverá uma melhora em relação à situação atual. Os preços dos alimentos subiram muito e é difícil imaginar que o preço da batata e do tomate vão continuar subindo."
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