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"O presidente dos EUA, Barack Obama, e o primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu (Foto: Getty Images)"
O
presidente dos EUA, Barack Obama, começou sua primeira visita a Israel,
nesta quarta-feira, tentando mostrar sintonia com o primeiro-ministro
Binyamin Netanyahu.
Ambos os líderes fizeram questão de mostrar
como respeitam um ao outro, observou o correspondente da BBC em
Jerusalém, Wyre Davies.
O primeiro dia desta visita histórica foi
recheado de palavras e imagens destinadas a apagar as cenas incômodas de
três anos atrás, quando os dois deixaram claro que não concordavam em
muitas questões.
Obama e Netanyahu disseram compartilhar os mesmos objetivos e que concordam com o direito de Defesa de Israel.
Também reafirmaram seu comprometimento com uma solução de dois Estados para o conflito israelense-palestino.
Netanyahu
disse que o fato de o presidente americano escolher Israel como destino
da primeira visita ao exterior de seu segundo mandato é 'profundamente
apreciado'.
Ele também agradeceu Obama 'pelo investimento feito em nossas relações e em reforçar a aliança entre nossos países'.
Os esforços funcionaram, mas tudo pareceu um pouco forçado, diz Davies.
Em pelo menos cinco ocasiões Obama se referiu ao primeiro-ministro israelense como Bibi.
'O
apelido talvez tenha sido usado em excesso por um às vezes
desconfortável presidente americano, ansioso para atrair a atenção dos
israelenses comuns', afirma o corrspondente da BBC.
Irã
Apesar das demonstrações de sintonia, no tocante ao conteúdo há ainda claramente uma grande diferença de opinião: o Irã.
Netanyahu mencionou a questão em sua primeira frase, e depois repetidamente.
Ele também nos lembrou mais uma vez que Israel tem o direito à autodeterminação e à defesa.
'A
implicação óbvia aqui é que ele pensa que Obama ainda tem esperança de
uma solução diplomática para evitar que o Irã obtenha armas nucleares',
diz Davies.
Durante a visita, Obama disse que os EUA farão o que
for necessário para impedir que o Irã obtenha armas nucleares. Disse
também que a segurança de Israel não é negociável.
Mas Obama
afirmou que os EUA preferem resolver a questão iraniana por meio da
diplomacia, apesar de afirmar que todas as opções estão na mesa.
Netanyahu
agradeceu Obama pelos esforços em relação ao Irã, mas disse que
qualquer medida deve ser apoiada por uma opção militar clara e digna de
confiança.
Em outras questões, parece haver maior convergência.
Especialmente
em relação à Síria e à região num contexto mais amplo há uma visão
compartilhada entre EUA e Israel de que é um local cada vez mais
volátil, uma ameaça à estabilidade global.
Quanto ao processo de
paz entre israelenses e palestinos, o presidente americano deu a
entender que talvez tenha algo de maior substância a dizer sobre o
assunto em seu grande discurso marcado para esta quinta-feira.
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